Kentenich

Colocado em 2021-03-13 In José Kentenich

Por respeito às possíveis vítimas e ao Movimento Apostólico de Schoenstatt

Editorial schoenstatt.org, Maria Fischer •

“Por respeito às possíveis vítimas” e “pelo Movimento de Schoenstatt, um grande movimento que se estende pelo mundo, com uma irradiação muito grande a serviço do Evangelho“, o bispo Dr. Stephan Ackermann, bispo de Tréveris – a diocese onde se encontra o Santuário Original, sede da Presidência Internacional de Schoenstatt e onde se encontra o processo de beatificação em sua fase diocesana do Pe. José Kentenich -, adotou, “após debate com acadêmicos de diferentes disciplinas – além de historiadores, psicólogos e pedagogos também estarem presentes[…] uma abordagem mais ampla do processo“. Explica esta abordagem em uma entrevista na versão digital da revista diocesana de notícias eclesiásticas “Paulinus”. Como nos disse o Pe. Juan Pablo Catoggio, esta entrevista e seu conteúdo também se devem a um desejo expresso de sua parte.

Além da explicação do porquê e o para que da mudança de procedimento já publicada na nota de imprensa de 6 de março, na entrevista o bispo Ackermann revela sua decisão de “olhar novamente para outra parte do processo, de fato, concluída”.

“Há uma acusação de um cidadão americano contra o padre José Kentenich, de que teria sido abusado sexualmente por ele nos anos de 1958-1962. As acusações foram feitas à Arquidiocese de Milwaukee em 1994 e foram examinadas lá, especialmente tendo em vista o processo de beatificação em andamento. A investigação das alegações pela Arquidiocese de Milwaukee resultou em um relatório escrito pelo tribunal eclesiástico local. O relatório expressou a crença de que não era necessário prosseguir com o assunto neste momento”. 

Tudo foi entregue à diocese de Tréveris e faz parte dos documentos do processo.

Mais de 25 anos se passaram desde então“, explica Mons. Ackermann na entrevista. “Nesse tempo adquirimos muita experiência – mundial – no esclarecimento de supostos casos de abuso sexual. Portanto, gostaria que fosse reexaminado, também em relação à acusação já investigada nos EUA, se a investigação naquele momento pode ser considerada suficiente de acordo com os critérios atuais ou se foram deixados de fora aspectos que definitivamente precisam ser levados em conta para uma avaliação final. Neste caso, a investigação daquele momento teria que ser completada e, se necessário, seus resultados corrigidos.

Agora “a Presidência Geral está em condições de informar a Família de Schoenstatt sobre o seguinte”

No mesmo dia, o Pe. Juan Pablo Catoggio enviou à mídia oficial do movimento e também ao editorial de schoenstatt.org uma informação que começa com uma frase marcante:

“Com a publicação hoje de uma entrevista do Bispo Dr. Stephan Ackermann sobre o processo de beatificação do Padre José Kentenich em Paulinus Online, a Presidência Geral está em condições de informar a Família de Schoenstatt sobre o seguinte”. Parece indicar um “agora, por fim…”.

Pois: “Uma vez que o processo é da competência exclusiva das duas dioceses mencionadas, os responsáveis pelo Movimento de Schoenstatt não estavam autorizados a fornecer informações sobre ele até agora”.

Neste momento de controvérsia por toda parte, de cruzadas violentas em defesa ou acusação do Pe. Kentenich e de uma grave quebra de confiança porque muitos se sentem mal informados (para não dizer traídos), é possível que nem um nem o outro, nem dentro nem fora de Schoenstatt, acreditem na sinceridade das declarações oficiais.

A seguir, uma opinião pessoal, baseada em longas conversas. Tomo como sincero o que diz o comunicado:

“Como Presidência Internacional, acolhemos expressamente este procedimento do Bispo, no sentido de um esclarecimento abrangente”. 

Informações da Presidência Internacional da Obra de Schoenstatt sobre uma acusação contra o Pe. José Kentenich
PRESIDÊNCIA INTERNACIONAL
Pe. Juan Pablo Catoggio, Presidente

Com a publicação hoje de uma entrevista do Bispo Dr. Stephan Ackermann sobre o processo de beatificação do Padre José Kentenich em Paulinus Online , a Presidência Geral está em condições de informar a Família de Schoenstatt sobre o seguinte:

Houve uma acusação de um cidadão americano contra o Padre José Kentenich de que ele havia abusado sexualmente dele nos anos de 1958-1962. (O Padre Kentenich viveu em Milwaukee/USA de 1952-1965).

O Bispo Ackermann disse que estas acusações foram levadas ao conhecimento da Arquidiocese de Milwaukee em 1994, onde foram investigadas:

“A investigação das acusações pela Arquidiocese de Milwaukee resultou em um relatório escrito pelo tribunal eclesiástico local. Esse relatório expressava a convicção de que não havia motivo de prosseguir com o processo naquele momento. Na fase diocesana, todos os documentos foram enviados para nós. Eles foram avaliados com a conclusão de que a investigação da Arquidiocese de Milwaukee é coerente e pode ser considerada conclusiva”.

A Presidência Geral do Movimento de Schoenstatt tomou conhecimento destas acusações em 1997, quando os arquivos completos da investigação da Arquidiocese de Milwaukee foram transferidos para Treves, porque o processo de beatificação do Pe. José Kentenich está em andamento nesta diocese. A Presidência Internacional não foi informada do conteúdo exato das acusações, nem lhe foi dada uma visão dos arquivos do processo. Mais tarde, foi anunciado que toda a documentação do processo judicial havia sido acrescentada aos arquivos do processo de beatificação para que estivesse disponível para avaliação no contexto do processo em Roma. Uma vez que o processo é da competência exclusiva das duas dioceses mencionadas, os responsáveis pelo Movimento de Schoenstatt não estavam autorizados a fornecer informações sobre ele até agora.

O Bispo Ackermann anunciou em sua entrevista que quer examinar novamente esta parte já concluída do processo de beatificação a fim de verificar “se a investigação realizada pode ser considerada suficiente de acordo com os critérios de hoje”.

Como Presidência Internacional, acolhemos expressamente este procedimento do Bispo, no sentido de um esclarecimento abrangente.

Em nome da Presidência Internacional da Obra de Schoenstatt,
Pe. Juan Pablo Catoggio

 

Original: Espanhol (12/3/2021). Tradução: Luciana Rosas, Curitiba, Brasil

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1 Responses

  1. Lena Castro Valente diz:

    Gostaria de salientar um aparente pequeno pormenor da entrevista de Mons. Ackermann. Ele diz muito claramente “Por respeito às POSSÍVEIS vítimas e ao Movimento de Schoenstatt …” e, não o faz de ânimo leve mas, com o conhecimento legal e eclesial que, para já, no caso vertente das acusações ao Fundador de Schoenstatt, não existem vítimas. Estamos perante denúncias e, portanto, temos POSSíVEIS vítimas mas, não temos um réu, nem crime provado. Para já, Mons. Ackermann sabe que não se pode adiantar ao julgamento da Igreja nem ao dos tribunais, visto que, existe em Direito a figura da PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA e, enquanto não transitar em Julgado uma condenação (o mesmo se aplica ao julgamento da Igreja) não há réu, logo não há vítimas. Fazê-lo, colocaria Mons. Ackermann em risco de delito. O mesmo se aplica aos diferentes órgãos ou Comunidades de Schoenstatt. Por isso, não podem e não devem publicamente mostrar empatia com as vítimas porque seria admitir que o Fundador cometeu crimes que, a Igreja e os tribunais não sentenciaram AINDA como tais ou, nem virão a sentenciar caso não tenham existido. É bom ter atenção aos meandros da Lei.

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