Colocado em 1. Dezembro 2014 In Vida em Aliança

O que significa a “Cultura do Encontro?”

A VISÃO PASTORAL DE FRANCISCO, org. É a mensagem dentro da mensagem do Papa Francisco a Schoenstatt: “Cultura do encontro é cultura da aliança. E isso gera solidariedade. Solidariedade eclesial. Vocês sabem que é uma das palavras que está em risco. Assim como todos os anos ou a cada três anos, a Real Academia espanhola se reúne para ver as novas palavras que são criadas, porque somos uma língua viva, acontece com todas as línguas vivas, assim também como outras vão desaparecendo, porque são línguas mortas, ou seja, morrem. E já não são mais usadas. E sendo uma língua viva tem palavras mortas, certo? A que está a ponto de morrer, ou porque querem matá-la, querem tirar do dicionário, é a palavra “solidariedade”, não é mesmo? E aliança significa solidariedade. Significa criação de vínculos, não destruição de vínculos. E, hoje em dia, estamos vivendo nessa cultura, nessa cultura do provisório, que é uma cultura de destruição de vínculos”. Cultura do encontro é cultura da aliança. Como cada mensagem, como cada expressão repetida muitas vezes, corre o risco de se transformar em slogan. Cultura da aliança não é simplesmente ter um melhor trato dentro da família de Schoenstatt (por mais importante que isso seja). Cultura do encontro não é simplesmente encontrar-se. A “mensagem dentro da mensagem” é para nos interpelar na certeza de já saber o que significa “cultura da aliança”. O que é “cultura do encontro?” O que são o encontro e o des-encontro de que Francisco fala na audiência (gerando um desafio tão grande para os tradutores)?

CCompartilhamos aqui um artigo de Manuel María Bru, sacerdote diocesano, doutor e licenciado em Jornalismo, diretor de conteúdos sócio-religiosos da Rede COPE e da Popular TV, Madri, publicado originalmente em aleteia.org sobre a “Cultura do encontro”, essa Visão teológica e pastoral típica do Papa Francisco.

Sob o nome “cultura do encontro” esconde-se uma profunda visão teológica e pastoral típica do Papa Francisco que muitos bispos, como o novo Arcebispo de Madri, D. Carlos Osoro, tem tomado como palavra-chave do seu ministério. Há apenas um mês, D. Carlos mencionou nove vezes esse termo na homilia de sua primeira missa como arcebispo de Madri.

O significado do conceito “Cultura do Encontro” exige uma determinada hermenêutica para descobrir toda sua profundidade e todo seu potencial, como aconteceu há cinquenta anos com a afirmação do Beato Paulo VI de que “A Igreja é diálogo”.

E é que enquanto acreditarmos que o diálogo e o encontro fazem parte do âmbito da metodologia (nesse caso da evangelização, porém é mais extensivo a todas as ordens da vida), não conseguiremos nunca entender seu valor. Dizer que a Igreja é diálogo não quer dizer apenas que a Igreja precisa do diálogo para encontrar o homem de hoje, mas sim encontrar-se em si mesma, em sua essência mais profunda; é diálogo, diálogo de Deus com o homem e do homem com Deus, e diálogo entre os homens, entre todos os homens.

E falar de cultura do encontro, como básico identificador cultural da fé cristã, não é apenas dizer que no diálogo entre a fé e a cultura de hoje é preciso propiciar o encontro, mas que a fé só se torna cultura se, em si mesma, for cultura do encontro, cultura que abraça toda cultura, cultura que leva ao encontro de todos os homens e que busca o encontro entre todas suas tradições e movimentos culturais e sociais.

Diálogo e encontro, para a Igreja, não são meios, são fins. Favorecer a cultura do encontro significa estabelecer círculos concêntricos que vão da comunhão eclesial (ampla, plural, não excludente, longe de suspeitas e preconceitos) à fraternidade universal, ao engajamento social, no qual a Igreja pode derramar o óleo de sua unidade e de sua caridade, porque o leva em sua própria identidade.

No ensinamento de D. Carlos Osoro, por isso, não há uma denúncia da cultura secularista e relativista, mas sim a oferta de uma cura a uma certa diluição do ser humano quando não se reconhece chamado a amar; de uma cura para o desencanto, a desesperança, a desilusão, acompanhando o homem concreto em suas necessidades concretas; e a uma cura para a desorientação, para que todos descubramos que nossa trajetória vital não é a de um andarilho que não sabe para onde ir, mas de um peregrino que tem uma meta para atingir.

Original em espanhol. Tradução: Maria Rita Fanelli Vianna – São Paulo / Brasil