Colocado em 2020-07-14 In Schoenstatteanos

O «caminho Charlotte Holubars» para honrar uma mulher forte que é muito pouco conhecida

ALEMANHA, Maria Fischer •

“Em memoria de uma professora”, é o título de um artigo do Saarbrücker Zeitung, no qual o conselho local de Heusweiler decidiu o nome de três ruas em uma nova área residencial. “O conselho local de Heusweiler dará nome a três ruas. Uma delas, o «caminho Charlotte Holubars» é em memória de uma professora, que foi vítima da ditadura nazista”, diz o subtítulo. Uma professora, schoenstattiana, uma mulher que não se deixou intimidar pelos nazistas e pagou, por isso, com sua vida. Concretamente a entregou no campo de concentração de Ravensbrück, no dia 9 de novembro de 1944. —

Nascida e criada na Silésia, Charlotte Holubars trabalhou como professora de ensino fundamental em  Heusweiler, perto de Saarbrücken, desde o ano de 1906. Era uma mulher profundamente religiosa, comprometida e que amava sua profissão: e como tantas outras pessoas, acreditou que, depois da «ascensão ao poder» de Hitler em 1933, poderia trabalhar por seus ideais na Associação Nacional Socialista de Mulheres e na Associação Nacional Socialista de Professores.

Demora um pouco, mas começa a perceber com mais clareza o verdadeiro objetivo do regime nazista e, por consequência disso, deixa a Associação de Mulheres e a de Professores. Muitas mulheres em Heusweiler seguiram o seu exemplo.

Quando uma escola católica converte-se em uma escola nazista, ela se retira do serviço público, no ano de 1937 com a idade de 53 anos – oficialmente por razões de saúde, devido a algumas operações.

 

Lotte Holubars como professora em Heusweiler, 1925

Resistência contra os planos de estudo do Nacional Socialismo

“Lotte Holubars se opôs abertamente aos planos de estudo dos nacionais socialistas e se comprometeu com a educação cristã nas escolas. Como membro do Instituto Secular Nossa Senhora de Schoenstatt organizou grupos em Heusweiler e trabalhou para difundir os valores cristãos básicos aos jovens”, disse Albert Weber, um historiador local de Heusweiler, que estudou intensamente a vida de Charlottte Holubars. Quando foi construído o novo colégio de ensino fundamental em Heusweiler, no início dos anos sessenta, no lugar que era ocupado pela antiga escola na Schulstraße, esse colégio recebeu o nome de “Escola Charlotte Holubars”. Hoje em dia o edifício abriga outra instituição de educação e seu nome foi trocado. Mas Charlotte Holubars não foi esquecida em Heusweiler. No dia 8 de maio de 2002 se inaugurou um monumento com seu nome e a inscriação “Bem Aventurados os que são perseguidos por minha causa”. A Superiora Geral do Instituto Nossa Senhora de Schoenstatt nesse momento, Dra. Inge Birk, que esteve presente na cerimônia, informou sobre o ato em um artigo de 14 de maio de 2002: “Depois da bênção, continuou a missa na igreja paroquial ao lado. Ao invés de uma homilia, a Sra. Heimes, ex-aluna de Lotte Holubars em Heusweiler (…) deu um testemunho impressionante. A Sra. Heimes, impulsionadora do monumento comemorativo, expressou com palavras comoventes seus encontros e experiências pessoais com Lotte Holubars e destacou o grande poder de formação e a forma calorosa com que Lotte Holubars conseguir dar um lar a muitas pessoas e protegê-las dos nacionais socialistas”.

 

Consagração da União Feminina, 1929. Lotte Holubars – atrás em destaque (círculo)

Pronta para entregar também a vida

Lotte conheceu Schoenstatt nos anos vinte. Durante uma visita a Frankenstein, na Silésia, conheceu o fundador do Movimento de Schoenstatt, o padre José Kentenich, na casa dos palotinos. “Deve ter ficado profundamente impressionada por sua personalidade e suas palavras. Isso porque em suas férias de verão foi a Schoenstatt para uma jornada que ministrava o padre Kentenich”, disse Käthi Lukas, em uma biografia de 2019, 75 anos depois da morte de Lotte Holubars. Lotte se incorporou cada vez mais ao, ainda jovem, Movimento. “Quero encarnar o estilo das mulheres marianas genuínas e poder ensiná-lo a outras”, está escrito em sua oração de consagração de 1929.

Quando deixou sua profissão de professora em 1937, mudou-se para Vallendar/Schoenstatt e trabalhou ali para o novo Instituto Nossa Senhora de Schoenstatt. “Sentimo-nos débeis, mas estamos prontas. Prontas, inclusive, quando não entendemos a vontade de Deus. Salve, oh Rainha, estamos prontas para dar nossas vidas. Saudamos-te”, rezou quando a perseguição a Schoenstatt pelos nazistas já era uma ameaça palpável.

“Quando voltou de umas de suas muitas viagens a Vallendar no outono de 1942, a Gestapo registrou seu endereço e encontrou cópias de cartas do padre Kentenich do campo de concentração de Dachau. Depois fui presa na prisão das Carmelitas em Coblença. No juízo que se seguiu, foi condenada a três anos de prisão, mas não cumpriu sua sentença, pois foi deportada de Coblença ao campo de concentração de mulheres de Ravensbrück. As condições neste lugar foram muito difíceis para ela, mas mesmo assim, segundo as informações das testemunhas, sua atitude cristã permaneceu intacta. No dia 9 de novembro de 1944 Charlotte Holubars morreu em Ravensbrück”, segundo o site Mahnmal Koblenz, um lugar virtual em memória das vítimas do nacional socialismo em Coblença e no norte da Renânia Palatinado.

O que faz esta mulher ser interessante nos dias de hoje?

As celebrações do 75º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial e, por tanto, do fim do nacional socialismo foram impactadas pela pandemia, assim como tantas outras celebrações. Assim mesmo, todos os que se opuseram ao nacional socialismo, todos os que resistiram à pressão de uma ditadura – uma ditadura política, uma ditadura no trabalho, na liberdade de expressão, na liberdade da fé, na convicção e na configuração da vida – são importantes.

Na prisão de Coblença, onde esteve presa durante vários meses antes de ser transferida ao campo de concentração, as prisioneiras falavam, depois de sua saída, da “professora santa” que havia estado com elas. “Ela era uma dessas almas fortes e femininas que encontrei raramente em minha pastoral carcerária, talvez apenas uma única vez em toda a vida. (…) Quando lhe perguntava sobre o futuro, recebia sempre a mesma resposta tranquila e esperada: “Como Deus quiser. Ele conduz tudo bem.” Das muitas conversas que tive com ela, pude ver – sem que ela o tivesse dito claramente – que todos os seus pensamentos e aspirações eram para a Obra de Schoenstatt, que ela assumia todos os seus sacrifícios e sua solidão como oferta ao Senhor por Schoenstatt, para que Ele o conservasse e especialmente pelo ‘motor’ espiritual da obra, o padre Kentenich, para que pudesse regressar da escravidão a Schoenstatt”.

Charlotte Holubars era “uma mulher com um ideal pessoal definido e uma clara vocação pedagógica e apostólica”, disse a Sra, de Soto do Instituto Nossa Senhora de Schoenstatt. “Elegante, feminina, apaixonada e eficiente. Atenta às necessidades das outras pessoas, especialmente dos menos favorecidos”.

E acrescenta: “Lotte tinha grandes qualidades de liderança e não se recusou a assumir responsabilidade em todas as frentes. Era uma mulher valente e com princípios firmes, que não se desanimava pelo ambiente, mas que sempre buscava formas de exercer seu trabalho apostólico”.

Material cedido generosamente pelo Instituto Nossa Senhora de Schoenstatt.

Original: Alemão (08/7/2020). Tradução: Luciana Rosas, Curitiba, Brasil

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