Colocado em 3. Fevereiro 2019 In Schoenstatteanos

Nos altares do céu e da terra

BRASIL, por Roberto M. González •

A ideia deste artigo começou há quase um ano com outro enfoque, porém devido aos acontecimentos recentes, será uma homenagem a Manfred M. Worlitschek, irmão de Schoenstatt, falecido dia 30 de janeiro de 2019.—

A vida de Manfred pode ser dividida em duas partes: a primeira, o seu nascimento, estudo e ingresso ao Instituto Secular dos Irmãos de Maria de Schoenstatt, e a segunda, quando recomeça praticamente do zero ao decidir livremente, e em conjunção com a comunidade, deixar a sua terra natal, Schoenstatt original, para ir a Santa Maria, Brasil, e assumir a responsabilidade de levar adiante a empresa de produção de móveis dos Irmãos de Maria.

Professor de órgãos

Manfred se formou como professor de órgão na Alemanha, ou seja, o desenho, construção e reparo de órgãos de tubos, trabalho que o levou a diferentes pontos do Brasil e de outros países, para construir e reparar uma grande quantidade de órgãos.

Em relação à arte de construir órgãos, uma das explicações mais surpreendentes que Manfred compartilhou comigo foi: “Não existe em todo o mundo, um órgão, ou melhor, os tubos do mesmo, que soem iguais. Eles são como pessoas”. Devido ao modo de elaboração de cada tubo, o projetista funde o metal no molde até atingir o diâmetro e o volume desejados para as diferentes notas. Praticamente tudo é feito a olho e graças a todo o treinamento recebido em seus anos de formação, para que cada tubo tenha alguns gramas mais ou menos em seus materiais.

Junto com suas responsabilidades na empresa, Manfred trabalhou como assessor da Regional Sul da Juventude Masculina (JUMAS), apoiava a Rama dos Homens na região, foi o superior dos Irmãos de Maria na América e logo depois do congresso do Instituto do ano passado, foi eleito como terceiro conselheiro na Direção Geral do Instituto Secular dos Irmãos de Maria de Schoenstatt.

O carpinteiro da Campanha do Rosario

Isto é como uma pequena biografia de Manfred M. Worlitschek, mas o objetivo deste artigo, que eu tinha a esperança de trabalhar com ele em abril, concentra-se em um aspecto de seu trabalho à frente da empresa em Santa Maria: a elaboração das auxiliares da Campanha do Rosario e os altares com seus respectivos retábulos para os nossos queridos santuários.

A empresa começou a operar nos anos 50 do século passado, e até Mario Hiriart, Servo de Deus, trabalhou e ministrou aulas aos alunos da então fábrica-escola durante o noviciado.

No início a produção principal era voltada para móveis, mas depois Ernest M. Brandstetter, irmão de Maria, acrescentou ao catálogo a produção de altares, pois tirou fotos com todos os detalhes e medidas do altar do Santuário Original para sua reprodução mais exata. Algum tempo depois, o Senhor João Pozzobon, que mantinha uma relação muito boa com os Irmãos de Maria, pois eram vizinhos próximos, pediu a Ernest que fizesse as primeiras peregrinas do que depois viria a ser a Campanha do Rosario.

Quando a empresa passou para as mãos de Manfred, ele incorporou a fabricação e restauração de órgãos de tubos e continuou com a produção de móveis, auxiliares da Campanha do Rosario e altares.

Na minha visita a Santa Maria, exatamente um ano atrás, pude visitar a oficina e observar nos bastidores o que estava acontecendo lá. Foi então que eu o vi, com os três altares para os nossos queridos santuários em plena produção, nus, porque eles eram apenas de madeira cortada e lixada, sem qualquer tratamento ou verniz.

Em um primeiro momento, dediquei-me a observar cada detalhe do altar e suas diferentes partes cortadas e em processo durante toda a oficina. Então Manfred, que tinha uma sensibilidade muito aguda ao sobrenatural, começou a me explicar alguns detalhes e significados do altar e do retábulo.

 

Os altares dos santuários

Existem infinitos detalhes e significados que normalmente não observamos, porque com o verniz, flores, velas e a distância, eles passam despercebidos. Um exemplo são as diferentes flores e sementes florescentes que adornam o retábulo a partir dos lados do tabernáculo.

Há outros detalhes que vemos diariamente, mas não sabemos o que eles significam, como pequenas taças que estão acima do mesmo retábulo, que simbolizam duas urnas funerárias, ou escudos que estão nos lados do tabernáculo, que em algum momento foram bancos de comunhão. As colunas que se erguem dos lados do tabernáculo são ligeiramente mais finas à medida que sobem, em direção à imagem da Mãe Santíssima.

Cada um dos detalhes é feito individualmente e depois montado como um todo. Um ano atrás, quando vi pela primeira vez esses altares nus, sem saber que seria o último, fiquei surpreso com a quantidade de detalhes e o trabalho envolvido em sua fabricação.

Ao longo da história da empresa, foram produzidos mais de 50 altares, que hoje estão espalhados pelo mundo, como Alemanha, Argentina, Austrália, Brasil, Espanha, EUA, Índia, Porto Rico, República Dominicana, Uruguai, Portugal e Paraguai. Um dos últimos entregues foi o altar do santuário de Resistência, na Argentina.

Hoje, quando vou ao Santuário Tabor, aqui no Monte de Maria em Schoenstatt, vejo sua vida, dedicação e missão refletidas em cada um dos detalhes do altar e do retábulo, mesmo que ele não os tenha construído.

 

 

 

Muito obrigado, Manfred M. Worlitschek!

 

Original: Espanhol, 31.01.2019. Tradução: João Pozzobon, Santa Maria, Brasil

 

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