Colocado em 2017-09-18 In Schoenstatteanos

“Ninguém pode suportar ser escravo a longo prazo”

ALEMANHA, Ir. M. Elinor Grimm •

No dia 3 de setembro de 2017 recordaram-se os 75 anos da morte do Padre Albert Eise, tanto no campo de concentração de Dachau como em Oeffingen, sua cidade natal. Lamentavelmente, não há um relato dos festejos em Oeffingen, que se realizaram sob o lema “Ninguém pode suportar ser um escravo a longo prazo” – uma declaração do Padre Albert Eise, à qual ele acrescentou: “Que bonito é ser livre para pensar”.Konrad E. Pflug, nascido em Oeffingen em 1946, há anos que se ocupa do passado alemão. Como ex-chefe do departamento de “Participação Democrática” do Centro Regional de Educação Política de Baden-Württemberg, foi responsável pelo Departamento de Trabalho Comemorativo e preparou com muito compromisso a celebração em Oeffingen, mas não pôde participar nela por outras obrigações. Na celebração de Dachau, houve um percurso temático para os participantes, com uma paragem no Bloco 7, onde o Padre Eise morreu na manhã de 3.9.1942. O Padre Fischer, outro dos schoenstattianos de Dachau, deu-lhe a unção dos doentes uns dias antes em segredo. Albert Eise foi estudante no colégio dos Pallottinos em Vallendar/Schoenstatt na época da fundação de Schoenstatt; em 1925 foi ordenado sacerdote. No começo da perseguição pelo Nacional Socialismo, o Padre Kentenich, em 1931, designou o jovem irmão como colaborador de Schoenstatt. Uma conferência com estudantes do Movimento de Schoenstatt em agosto de 1941, que já tinha sido transferido de Schoenstatt para Coblenza por razões de segurança, converteu-se na perdição de Eise. Depois de um informador da Gestapo se ter infiltrado no grupo, todas as precauções não foram suficientes para evitar o desastre. Na capela do mosteiro de Santa Bárbara em Coblenza, a Gestapo foi buscá-lo no meio da conferência e levou-o para a prisão “Karmeliterstraße”. Em 12 de novembro de 1941, Eise foi transportado de Coblenza para o campo de concentração de Dachau. Depois de um curto período de intenso trabalho para Schoenstatt, Albert Eise adoeceu com desinteria, causada pela fome extrema e morreu a 3 de setembro de 1942, com 46 anos.

Vive segundo os teus próprios princípios e não sigas a maioria

Uma e outra vez, os visitantes do Campo de concentração interessavam-se e perguntavam pelo grupo, tiravam fotografias, inclusive da Capela da Agonia de Cristo, onde colocaram uma imagem da Mãe Peregrina e fotografias do Padre Kentenich e do Padre Eise. Os cerca de 40 participantes vieram principalmente do sul da Alemanha, dois da Roménia e um grupo de Herxheim no Palatinado. Membros da União de Mães de Schoenstatt organizaram uma hora de adoração na igreja do Mosteiro Carmelita de Heiligenblut (dentro do campo de concentração), onde se celebrou a  Santa Missa à tarde. As canções foram acompanhadas por guitarras e flautas. Para o Padre Peter Hinsen SAC, de Friedberg, foi uma honra, como disse, celebrar esta Santa Missa em comemoração do Padre Eise. O Padre Hinsen enviou saudações do Superior Provincial, o P. Scharler. O Padre Hinsen perguntou o que significa ser uma pessoa “normal”, dizendo que o Google tem muita informação para nos oferecer mas temos que formar as nossas próprias opiniões como cristãos e viver de acordo com os nossos princípios, não segundo o que a maioria faz. São Paulo pede-nos: Não te conformes com o mundo! Os dois Padres palotinos, o Padre Eise e o Padre Franz Reinisch, fazem-nos viver esse exemplo. Ambos tinham passado pela escola do Padre Kentenich. O Padre Eise era um adolescente no 18 de outubro de 1914, durante a fundação de Schoenstatt no Santuário Original. Também foi testemunha da fundação da obra familiar em 16 de julho de 1942, no campo de concentração de Dachau.

 

Nomes em vez de números

Na sala de conferências da Igreja Evangélica da Reconciliação pode-se ver o livro de recordações, nomes em vez de números. Há várias entradas sobre prisioneiros do Movimento de Schoenstatt: Karl Leisner, Padre José Kentenich, Dr. Fritz Kühr, Padre Henkes SAC, e agora Padre Albert Eise SAC. Uma aluna de Freising, Maria Gross de Hohenbercha, escreveu estas páginas e ofereceu-as na cerimónia comemorativa de Albert Eise na abertura no dia 3 de setembro. O livro de recordações é uma coleção cada vez maior de biografias de ex-prisioneiros do campo de concentração de Dachau. Os autores são participantes voluntários do projeto: vão procurar o rastro e juntam documentos e imagens. Baseados em informação de diferentes fontes, literatura sobre eventos históricos e recordações de sobreviventes ou entes queridos, juntam uma peça do puzzle a outra.
Depois da missa em honra de Albert Eise, a exposição “Nomes no lugar de números” foi inaugurada no Christuskönigkirche (Igreja de Cristo Rei) de Oeffingen no dia 3 de setembro. Isto ocorreu durante os eventos comemorativos no 75° aniversario da morte de Albert Eise. Maria Gross realizou o seu trabalho sobre Albert Eise no Colégio Camerloher Gymnasium em Freising durante um seminário de alto nível. Explicou porquê, como membro colégio de Freising, estava especificamente interessada nesta pessoa: “O meu pai é pastor em Freising. O que lhe teria acontecido, por exemplo, se tivesse vivido e defendido a sua fé na época nazi?” E acrescentou: “Através da sua morte, Albert Eise inspirou muitas pessoas para defender as suas opiniões e crenças e manter a esperança na escuridão.”

Fonte: www.gedaechtnisbuch.org

Edição/Internacionalização: M. Fischer, com material de www.gedaechtnisbuch.org

Original: Alemão 13.9.2017- Tradução: Maria de Lurdes Dias, Lisboa, Portugal

Fotos: Ir. M. Charissa Frenzl, Herxheim

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