Colocado em 4. Setembro 2015 In Segundo século

Três perguntas…sobre o Schoenstatt do segundo século da Aliança de Amor (37)

Hoje responde: Padre Elmar Busse (*1951). Ele conhece Schoenstatt desde a sua infância, porque os seus pais estavam no primeiro curso da União das Famílias na RDA (República Democrática Alemã). O Centro de Schoenstatt Friedrichroda na região dos Bosques de Turingia (Santuário abençoado em 1954) era o seu lar espiritual. Da necessidade vivida de não haver sacerdotes para a juventude de Schoenstatt, tomou a decisão, junto a outros estudantes aventureiros de teologia, de fundar a comunidade dos Padres de Schoenstatt na Alemanha Ocidental. Isso tornou-se realidade depois de um longo tempo de preparação, no dia 18 de junho de 1978. Em 1980 foi ordenado sacerdote em Erfurt e passou 10 anos a trabalhar na pastoral da paróquia. Depois da reunificação da Alemanha, chegou a Schoenstatt para trabalhar com a Juventude Masculina. A partir de 1991 ajudou a fundar o Ramo Familiar na República Checa, desde 1992 até 2003 trabalhou na Áustria, como autor de livros, orador, conselheiro matrimonial e pregador na rádio, é conhecido por muita gente •

A meio ano de peregrinarmos pelo segundo século da Aliança de Amor… Como sonha este Schoenstatt no seu ser, no seu estar na Igreja e no mundo, e na sua tarefa?

Schoenstatt na Alemanha é semelhante aos Beatles antes de 1963. Eles já tocavam boa musica desde o início, com a banda da escola de John Lennon em 1956, e tiveram as suas primeiras atuações em festas privadas e em eventos escolares. Contudo, o êxito definitivo dos Beatles foi só em 13 de outubro de 1963, com a atuação na popular emissão ATVSunday Night no London Palladium, que foi vista por quinze milhões de pessoas.

Schoenstatt na Alemanha tem um problema de marketing. As reações no final dos eventos são boas; algumas vezes depara-se com a pergunta: porque é que até agora nunca ouvimos falar de Schoenstatt? Por isso, sonho que a madura competência no trabalho com as famílias e juventude, como também no ecumenismo, seja “descoberta” e possamos encontrar a saída da nossa existência de nicho. Muitas vezes se elogiou a proximidade da vida, a compreensão e a orientação para problemas tanto das nossas revistas como dos nossos encontros. Porque é que temos êxito com estas qualidades só de vez em quando?

Para cumprimos este sonho o que temos que evitar ou deixar?

O nosso Pai Fundador enfatizava, e com razão, o equilíbrio entre o apostolado do ser e o apostolado do atuar. Na realidade atual, experimento muitas vezes o mau uso do apostolado do ser como uma desculpa para não ter que se fazer um apostolado ativo. Se fossemos membros das Comunidades de Charles de Foucauld, isto estaria bem porque ele renuncia deliberada e reflexivamente ao apostolado direto.

Mas Kentenich quis que Schoenstatt fosse um movimento apostólico e assim o fundou.

O Padre Menningen, referiu-se há anos à proximidade federativa e à amplitude apostólica. Mas a estrutura federativa – que o fundador quis ter claramente ancorada à sua obra – leva sempre a “provincialismos” mentais com muitos pequenos reis e rainhas. “Capacidade de aliança e vontade de aliança” são elementos que o Fundador exigiu como atitude fundamental em todo o schoenstattiano.

Há disposição para aprender, aproveitando as boas experiências das dioceses vizinhas? Existem alguns sinais de esperança que indicam que se está no bom caminho são, por exemplo, o Caminho dos Casais que surgiu e foi abençoado em várias dioceses, ou as Fackellauf (Corrida de tochas) desde Rokole até Brno (República Checa).

Para chegarmos a cumprir este sonho que passos concretos devemos dar?

Quando vejo o calendário de eventos do Movimento de Schoenstatt na Alemanha, tenho a impressão de que há uma série de “fatos à medida” individuais. Investimos demasiado na “investigação e desenvolvimento” e muito pouco na “comercialização” do que já se desenvolveu. Além disso, seria muito útil a estruturação modular dos elementos individuais da nossa espiritualidade para uma melhor divulgação. Por exemplo, não poderia haver um grupo de 100 jovens adultos capacitados para realizar um seminário durante um fim-de-semana com o tema: como encontrar o meu ideal pessoal? Este tipo de seminário poderia ser oferecido na Alemanha 30 vezes por ano!

Os sites www.spurensuche.de y www.hoffnungsvoll-leben.de (páginas que se inspiram na espiritualidade de Schoenstatt) têm agora uma grande quantidade de voluntários que oferecem conteúdos. Acampamentos, Dia da Mulher, Dias da Primeira Comunhão estão disponíveis em vários centros schoenstattianos. Mas outro tipo de encontros- embora estes sejam bons- não se oferecem. Se no ano de 2012 foram celebrados 47.161 casamentos católicos na Alemanha,então deveria ser possível oferecer outros cursos, para além dos três cursos de preparação para o matrimónio oferecido pelo Ramo das Famílias de Schoenstatt! Provavelmente desde 1975, ou talvez antes, o movimento familiar oferece cursos de vários dias; e os veteranos de então não se cansam de repetir, que as ferramentas teóricas e práticas que receberam naqueles dias foram uma ajuda preciosa para superar aquelas situações complicadas que surgem no caminho do matrimónio e da família.

È preciso reforçar a vontade para o projeto. Muitos schoenstattianos trabalham nas suas paróquias para ter um certo nível de fé. Isso merece respeito e deve continuar. Mas este apostolado não é visto como um apostolado schoenstattiano, mas sim como uma atividade do senhor X ou da senhora Y. Temos colégios de Schoenstatt em Vallendar e em Kempten, temos Academias de Famílias. Ali pode-se dizer “Vem e vê!” Mas comparado com a grande dimensão do movimento, isto é muito pouco. No Jubileu demonstrámos a nós próprios que somos capazes de motivar várias centenas de schoenstattianos alemães para um projeto conjunto – a celebração do Jubileu. Não poderia esta crescente confiança motivar e animar grupos individuais a realizar um projeto comum? Não têm de ser sempre colégios.

Original: alemão. Tradução: Maria de Lurdes Dias, Lisboa, Portugal

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