Colocado em 26. Junho 2015 In Segundo século

Três perguntas…sobre o Schoenstatt do segundo século da Aliança de Amor (25)

Chamo-me Manuel de la Barreda Mingot. Sou casado, há 24 anos, com Lourdes Navarro e temos quatro filhos com: 22, 20, 18 e 8 anos. O terceiro, Javier, tem Síndrome de Down e é adoptado •

Pertencemos, há 16 anos, à Liga das Famílias de Madrid. Temos um grupo de vida com casais amigos e temos conseguido mantê-lo estável até ao dia de hoje, com pequenas variações. Selámos a Aliança de Amor em 2003, juntamente com uma parte do grupo e, renovámo-l’A em 2009 com o resto. Em 2008 consagrámos o nosso Santuário-Lar. Em 2010 fizemos a Carta Branca,a minha mulher e eu e, descobri o meu Ideal Pessoal. Também nos consagrámos como Militantes[1] em 2014 e, durante o período de formação para a militância, descobrimos o nosso Ideal de Casal.

Na Família de Schoenstatt participámos em numerosas comissões para preparar actividades da Liga, tais como, retiros, acampamentos e “javieradas” (as “javieradas” são peregrinações de 40kms, a pé, de Pamplona a Xavier, berço de S. Francisco Javier. Somos à volta de 120 pessoas, entre casais e filhos. Os jovens organizam a sua própria javierada. Orientámos o “atelier” do Santuário-Lar para a Liga das Famílias em cinco ocasiões. Este “atelier” também o orientei em México DF para a Família de Schoenstatt de lá, durante uma estadia de um ano a trabalho. No Panamá, noutra estadia também, por causas laborais ajudei a começar o tal “atelier” para um grupo de Mães desse país.

No Santuário de Serrano, em Madrid, colaboro com a Pastoral do mesmo, como Ministro Extraordinário da Comunhão, tanto nas Eucaristias do Santuário como, para levar a Comunhão aos doentes. E, graças a esta função, também colaboro na minha Paróquia como Ministro da Comunhão.

Durante quatro anos pertencemos ao Patronato da Fundação Maria Ajuda de Espanha, sendo o presidente do mesmo.

Fora do Movimento também desenvolvo vários apostolados.

Já antes do nosso casamento começámos, a minha mulher e eu, a peregrinar com doentes ao Santuário de Lourdes, acompanhando a Hospitalidade Diocesana de Madrid. Já vou há 25 anos e, já fiz umas 35 peregrinações a este Santuário Mariano com os doentes.

Já peregrinámos também ao Santuário de Fátima e a Medjugorje.

Actualmente os apostolados que mais me ocupam são a Pastoral da Esperança, nascida à sombra do Santuário (casais recasados) e a Fundação da Arca, de Madrid, (Jean Vannier) da qual sou presidente, para o desenvolvimento da convivência de igual para igual com os incapacitados psíquicos.

A meio ano de peregrinarmos pelo segundo século da Aliança de Amor… Como sonha este Schoenstatt no seu ser, no seu estar na Igreja e no mundo e, na sua tarefa?

Eu pessoalmente, sonho o meu Schoenstatt do futuro como uma referência para a Igreja, para o mundo, naquelas frentes que possam constituir um ruptura para os princípios mal estabelecidos e ancorados no ranço. Aqueles princípios que põem doente o ser humano. Mas, não, um Movimento progressista, não. Um Movimento valente, respeitador a 100% para com a Igreja, a Sua autoridade, o Seu Magistério, mas sem medo de abrir novas portas no que afecte o Homem actual. E, abrir essas portas para aproximar de Deus, através da Mater, e pela mão da Igreja.

Um Movimento que, do mesmo modo que o Pe. Kentenich no seu tempo, saiba adaptar-se aos tempos, conservando o essencial, o que é fundamental na nossa fé e na nossa Igreja, desterrando o acessório e o inútil.

Um Movimento de gente que não tenha medo de se enganar e, valentia para reconhecer os seus falhanços e corrigir. De gente sem medo de dar passos no vazio, com essa santa inconsciência de que, falava o Pe. Kentenich

Um Movimento que saiba estar pronto para a luta pelas necessidades excruciantes do ser humano, físicas e espirituais e, ao serviço da Igreja e, portanto, de Deus e da Mater.

Mas um Movimento que ancore a sua força na oração. Numa oração profunda e verdadeira, no mundo. Ser uma referência orante para a Igreja e para o Mundo.

Para chegarmos a cumprir este sonho o que é que temos que evitar ou deixar?

Começando pelo fim, devemos não ter medo de rezar, de estabelecer nos nossos Santuários horários abundantes de Adoração, de contagiar e de ensinar, dentro da nossa liberdade, como rezar, como relacionar-se com a Mater e com Deus através da oração e, como repousar n’Eles. Como deixar-se transformar pelo fruto da oração.

Devemos evitar, também, ter estruturas pesadas que adormecem e alienam.

Devemos não ter medo que nos questionem, nem dentro, nem fora da Igreja, sempre que, defendamos os nossos princípios com honradez.

E, sobretudo, devemos não ter medo de fazermos nossas as palavras de Cristo, “…não são os sãos que precisam de médico mas sim, os doentes…” saindo, continuamente, da nossa zona de conforto em direcção aos outros e, sobretudo, àqueles que estão fora, sendo um Movimento missionário.

Para chegarmos a cumprir este sonho que, passos concretos devemos dar?

Em primeiro lugar e, para enchermos os nossos “depósitos”, começar por favorecer, por fomentar uma forte Pastoral de oração, pegando em tudo o que o nosso carisma tem a esse respeito e, enriquecendo-o com o que os outros carismas da Igreja têm de bom para esta Pastoral. Estes locais privilegiados para a oração que temos, os Santuários, deveriam estar sempre cheios de gente a rezar e a adorar.

Temos que aprender, em cada Família, a contribuir com crescimento para todos os componentes da mesma, independentemente, da sua antiguidade no Movimento. As actividades para os novos são importantes para que se vão integrando e motivando, mas não nos devemos esquecer dos que lá estão há mais tempo.

É preciso rever, continuamente, qual é a nossa zona de conforto e, se nos estamos a acomodar a ela. E, isto deve ser feito a todos os níveis e de modo regular.

Favorecer todas as actividades missionárias, entendendo por estas, todas as que nos façam sair do Movimento para a Igreja, para o Mundo.

[1] Noutros países Membros da Liga
Original: espanhol. Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

 

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