P. Carlos Cox

Posted On 2023-10-30 In Vida em Aliança

Antes um Santuário com um Movimento do que um Movimento com um Santuário

CHILE, entrevista ao Pe. Carlos Cox, por Susy Jacob • 

Como forma de apoiar a ampla dimensão do trabalho com o Movimento de Schoenstatt, o Pe. Carlos Cox foi nomeado este ano responsável pelo Movimento Popular de Peregrinos no Chile. —

O Pe. Carlos Cox nasceu em Maio de 1948, na oficina Salitrera Victoria, e estudou nas escolas dos Padres franceses. Entrou em Schoenstatt em 1966 e decidiu tornar-se sacerdote em 1972. Foi ordenado em 1981 e seu primeiro trabalho foi no Santuário de Nuevo Belén (Carrascal na época) e com a Juventude Masculina. Depois foi enviado por nove anos para trabalhar na Fundação de Schoenstatt no México, de onde também serviu em vários países da América Central (Panamá, Costa Rica, El Salvador e Guatemala). Regressou ao Chile e, com a Juventude Masculina, iniciou a fundação de Schoenstatt em Cuba. Esteve 15 anos na igreja de Maipú e actualmente a sua tarefa é trabalhar com o Movimento Popular de Peregrinos e acompanhar a União de Homens no Chile como seu Assessor.

Bolsas de caridad, Santuario de Quito

Sacos de caridade, Santuário de Quito

Porque é que é tão importante preocuparmo-nos com a Pastoral dos Santuários e das Ermidas?

– Se quisermos definir de forma simples, deveríamos dizer que Schoenstatt é antes um “Santuário com um Movimento” do que um “Movimento com um Santuário”. No Santuário, como lugar privilegiado de encontro de Deus com o seu povo, está a vida, a espiritualidade, a pedagogia que anima o Movimento e as múltiplas iniciativas que dele emergem. É por isso que ele é mais do que a “capelinha” de uma organização.

Quanto mais forte for este encontro, mais rica, mais forte e mais poderosa é a vida pessoal e comunitária que Deus, através da Aliança, desencadeia em nós. Por outras palavras, quanto maior for a vinculação ao Santuário/às Ermidas, maior será o crescimento na espiritualidade e na pedagogia de Schoenstatt.

A Pastoral é apenas para acolher os peregrinos que chegam ou é mais do que isso?

– O Santuário não é um “clube de sócios”, a sua tónica é o encontro e não a adesão. O Papa Francisco explica-o com palavras muito simples e profundas quando diz: “… A Igreja “em saída” é uma Igreja de portas abertas. Ir ao encontro dos outros para chegar às periferias humanas não significa correr para o mundo sem objetivo e sem sentido. A Igreja é sempre chamada a ser a casa aberta do Pai. Um dos sinais concretos dessa abertura é ter templos com portas abertas em todo o lado. Assim, se alguém quiser seguir um impulso do Espírito e vier à procura de Deus, não se deparará com a frieza das portas fechadas…” (EG 46, 47).

As paróquias têm territórios a quem servir; as escolas têm campus e horários. Os Santuários procuram estar abertos o mais possível, 365 dias por ano, para que “se alguém quiser seguir o impulso do Espírito e vier à procura de Deus, não se depare com a frieza das portas fechadas”.

Os Santuários estão a tornar-se cada vez mais “oásis” no meio do nosso tempo agitado, como o Papa o exprime de forma muito bela: “Estes lugares, apesar da crise de fé que afecta o mundo contemporâneo, continuam a ser percebidos como espaços sagrados aos quais se vai como peregrino para encontrar um momento de repouso, de silêncio e de contemplação no meio da vida muitas vezes frenética dos nossos dias. Um desejo oculto faz que muitas pessoas anseiem por Deus; e os Santuários podem ser um verdadeiro refúgio para se redescobrirem e recuperarem as forças necessárias para a conversão” (Sanctuarium in Ecclesia, n. 3).

Como as palavras do Padre Kentenich ressoam nos jovens Congregados do início de Schoenstatt!

Em que é que os nossos Santuários e Ermidas contribuem para a Igreja?

– A Igreja descobriu e valoriza cada vez mais os Santuários como lugares privilegiados de encontro com Deus. O documento de Aparecida descreve com muita delicadeza e profundidade o que muitas vezes experimentamos quando vamos a um Santuário: “O olhar do peregrino pousa sobre uma imagem que simboliza a ternura e a proximidade de Deus. O amor detém-se, contempla o mistério, goza-o em silêncio. Também se comove, derramando todo o peso da sua dor e dos seus sonhos. A súplica sincera, fluindo confiante, é a melhor expressão de um coração que renunciou à autossuficiência, reconhecendo que sozinho nada pode fazer. Um breve momento condensa uma experiência espiritual viva. Ali, o peregrino vive a experiência de um mistério que o ultrapassa, não só da transcendência de Deus, mas também da Igreja, que transcende a sua família e o seu bairro. Nos Santuários, muitos peregrinos tomam decisões que marcam as suas vidas. Naquelas paredes encontram-se muitas histórias de conversão, de perdão e de dádivas recebidas, que milhões poderiam contar” (DA 259-260).

A nossa rede de Santuários é um enorme contributo para a Igreja nesta linha.

Santa Cruz do Sul Misa en el santuario de Schoenstatt

Santuário en Santa Cruz do Sul, Brasil

Como schoenstatteanos, em que é que devemos crescer?

– Perante o tempo que temos, perante o convite a ser “Igreja em saída”, perante a dimensão apostólica da nossa Família, para viver a graça do envio apostólico, creio que há três linhas de desenvolvimento nos Santuários. Tecnicamente são três A’s:

1. Abrir Santuários

Aqui há espaço para uma “grande criatividade pastoral”. Tendo em conta que muitos peregrinos não vêm do Movimento organizado, a par da beleza e da limpeza (muito valorizadas nos estudos sobre Santuários), e dos avisos organizativos (casas de banho, livraria, horário de funcionamento…), é fundamental a existência de sinais gerais evangelizadores, tais como: “Vinde a mim os que estão cansados e sobrecarregados”, “Eu amo os que me amam”…; e também aqueles que falam do acontecimento fundador desse Santuário. Gostaríamos de aprofundar este

2. Aproximar a Aliança de Amor a muitos

Uma das coisas mais interessantes que já vi foi uma grande parede pintada na entrada do Santuário de Schoenstatt em Querétaro (México), que explicava o que era Schoenstatt e a Aliança de Amor com os seus seis dons e exigências. Num relance, cada peregrino foi informado sobre o que é Schoenstatt e o que significa a Aliança.

3. Abrir a espiritualidade e a pedagogia a muitas pessoas.

Cursos, oficinas… Hoje, especialmente através de uma pastoral digital dos Santuários.

Santuario de Corrientes

Santuário de Corrientes

Como podemos ser mais acolhedores nos nossos Santuários e Ermidas?

– O mais importante é o espírito de família, especialmente do Movimento organizado e dos proprietários do Santuário, expresso numa equipa solidária e num ambiente como o Padre Kentenich o descreve no “Cântico da Minha Terra“. Esta é uma das tarefas dos nossos grupos de elite, tal como o Padre Kentenich a descreve: “O ideal é educar cuidadosamente os grupos de elite para que possam depois atrair as massas (…). Este é o nosso ideal: Elite para as massas; educar uma elite para que as massas possam então ser completamente captadas e elevadas” (Pe. Kentenich “Pedagogia para Educadores Católicos”, p. 228f.).

O que é que nos deve preocupar especialmente nos Santuários e nos seus arredores?

– Um dos aspectos mais importantes, juntamente com a beleza, a ordem e a limpeza, são os horários de funcionamento dos locais e salas onde se encontram os Santuários. Devem procurar-se as melhores formas de o fazer, sobretudo não fechando nas horas de afluência do peregrino “típico” por razões administrativas (meio-dia, início da tarde).

 As Ermidas têm uma missão diferente dos lugares que têm um Santuário, ou é a mesma coisa?

– As Ermidas são um prolongamento do espírito do Santuário, um lugar de encontro e de festa para a Família local, especialmente para dar contribuições ao Capital de Graças, e não necessariamente o lugar onde será um futuro Santuário.

Uma das conclusões da conferência de verão dos Padres de Schoenstatt do Chile foi “fortalecer a Pastoral dos Santuários”, como querem fazer isso?

– Na conferência dos Padres foi tomada a decisão de dar mais força à Pastoral dos Santuários. Foi dito: “É o nosso principal tesouro e temos a impressão de não estarmos tão presentes como deveríamos. O nosso desejo é procurar caminhos e criar os espaços necessários para o poder fazer, sobretudo nos Santuários onde estamos presentes com as nossas casas filiais. Cada filial e cada equipa está a procurar formas de o fazer e de avaliar o desenvolvimento desta área pastoral.

peregrinos santuario

Fonte: Vínculo Octubre 2023. Com permiso.

Original: castelhano (29/10/2023). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

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