Ordenación Pedro Bras

Colocado em 2021-10-08 In Vida em Aliança

“Sou Eu, não temas! – Ordenação do Pe. Pedro Brás em Lisboa

PORTUGAL, Pe. Enrique Grez López •

Quando as portas da sacristia dos Jerónimos se abrem para o claustro para dar lugar à procissão, um grupo de turistas olha com surpresa e começam a tirar fotografias. Alguns pensam que se trata da filmagem de um filme, outros respondem que não é, que talvez seja uma grande cerimónia. De dentro, um acólito explica que uma Ordenação Sacerdotal está prestes a começar. Os rostos dos visitantes comunicam espanto e fascínio. Continuam a tirar fotografias da multidão de sacerdotes que se preparam para sair.

Rito de ordenación. Pedro postrado mientras se cantan las letanías (© Schoenstatt Lisboa).

Rito de Ordenação. Pedro prostrado enquanto as Ladaínhas são cantadas (© Schoenstatt Lisboa).

Após a procissão ter entrado na Igreja de Santa Maria de Belém, todos ocupam o seu lugar. Na nave central os convidados, no transepto sul o coro, no transepto norte a família do futuro sacerdote, na abside, atrás do altar, os 30 concelebrantes e o Cardeal Patriarca de Lisboa, Dom Manuel III. No transepto, despojado de bancos e decorações, há apenas um pequeno assento em frente do qual o nosso irmão Pedro pára. Ele está sozinho, como se estivesse desamparado neste imenso espaço central. De repente as nuvens deixam entrar um sopro de luz através da rosácea da nave central e o futuro sacerdote é banhado pelo fulgor vespertino. Movidos pela cena, juntamo-nos ao cântico e introduzimo-nos na Liturgia.

A assembleia povoa-se de amigos celestes

No início do rito da Ordenação, a luz irrompe mais uma vez sobre Pedro, que jaz prostrado – deitado – sobre aquela planície de pedra. As Ladaínhas são um convite aos santos mais ilustres da história. Alguns deles são piscadelas de olho à biografia do nosso Pedro: o seu Santo Padroeiro, os Santos de Lisboa, aqueles que o acompanharam na sua jornada de formação pelo Paraguai, Chile e Espanha. A assembleia estava repleta destes amigos celestes e a atmosfera estava repleta de graças. Enquanto rezava pelo meu irmão, lembrei-me de momentos partilhados durante a sua formação. Detenho-me na memória do seu Curso e do seu irmão Christian Abud, que se adiantou a eles no caminho para o céu. Imagino que a partir daí o nosso querido Pe. Tiago Frescata, aqui consagrado há 17 anos, está a piscar-nos o olho.

Silêncio. O candidato levanta-se e aproxima-se do Bispo que lhe impõe as mãos. Então, todos os sacerdotes são chamados a fazer o mesmo. O gesto é extremamente simples, mas exprime o indizível: a comunicação do Espírito que move o nosso Ministério. Nestes tempos de peste, em que nos abstivemos, prudentemente, de nos tocarmos uns aos outros, o sinal de colocarmos as nossas mãos na sua cabeça é ainda mais impressionante. Diminuídos pelo significado do Sacramento, aproximamo-nos do altar. Agora que tudo está a brilhar, a nossa pequenez é ainda mais evidente. Um após outro, como numa pobre ladaínha , curvamo-nos perante o Pedro, o escolhido. E nós mal lhe tocamos. Cada um faz uma simples oração. Neste momento de Aliança pedimos a Jesus que, nunca deixe de repetir a Pedro as palavras que ele escolheu como lema da sua Ordenação: “Sou eu, não temas”. É isso mesmo. Alguns minutos depois o silêncio é quebrado e o Bispo consagra-o: “Pedimos-te, Pai todo-poderoso, que lhe confies a dignidade do sacerdócio. Renova no seu coração o Espírito Santo; deixa-o receber de Ti o segundo grau do Ministério Sacerdotal, e deixa-o ser, pela sua conduta, um exemplo de vida”.

Consolo e esperança

Ordenación Pedro BrasTudo está cumprido, o nosso irmão é agora o Padre Pedro Pinheiro Brás. A solenidade que ultrapassa toda a gente contém o desejo de aplaudir e gritar. As lágrimas caem mesmo. Há tantas memórias e emoções, a gratidão e a glória, o desejo de renovação e o aguilhão da missão. Mas, há também a memória da outra praga, a dos abusos que entristeceram a Igreja e que também atingiram a nossa comunidade. Por isso, vejo este dia como um bálsamo de consolação e esperança.

Depois é desencadeada uma cascata de sinais benéficos: a imposição da Estola que a sua mãe bordou, a unção das suas mãos com Cristo, a recepção de um Cálice feito de madeira e metal, como o seu coração. E depois tudo será cânticos doces cantados com respeito e admiração. A primeira participação do Pedro como Celebrante numa Missa. A sua mão não treme no momento da Epiclese, conta com a ajuda de Deus, com a nossa companhia e com a sua própria coragem.

Ao longo do caminho, aprendeu a ser amigo de Maria e de Jesus

Ao longo dos dias seguintes, estender-se-á uma festa santa de refeições, bênçãos, convites e Primeiras Missas. Partilhamos a mesa como comunidade, também com a adorável família do Pe. Pedro e, com todos aqueles que desejam juntar-se a nós. Entretanto acompanhámos o novo sacerdote para celebrar no Santuário de Schoenstatt que viu nascer a sua vocação, na paróquia de Santos-o-Velho onde faz o seu estágio e no Santuário de Fátima. Nesta terceira “Missa Nova” dá-nos uma pista sobre o que o trouxe ao altar: pelo caminho aprendeu a ser amigo de Maria e de Jesus. Nada mais, nada menos. Mais tarde, ao comungarmos à sombra da Capelinha das Aparições, pomos em prática os primeiros ensinamentos do nosso irmão e damos graças ao Deus da vida por estes dias santos.


Foto da capa: O Pe. Pedro com o seu irmão de Curso Jesús Ruiz antes da “Missa Nova” na paróquia de Santos-o-Velho, Lisboa (© Pe. Juan Barbudo).

Original: espanhol (7/10/2021). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

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