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Colocado em 2021-09-14 In Vida em Aliança

O que é que queremos deixar aos nossos filhos?

H3M, Paz Leiva, Espanha •

Com a pandemia, as coisas mudaram muito e os calendários foram alterados e atrasados. Assistimos recentemente a uma Primeira Comunhão num bairro muito novo, de classe média, habitado por pessoas na casa dos 40 anos. Os protagonistas eram 14 crianças que, tal como, decorreu a cerimónia, tinham sido muito bem preparadas pelos catequistas da Paróquia. Todos eles vieram de uma escola secular. —

Há que ter em conta que 40% dos espanhóis já se declaram ateus. Muitos participam nestas cerimónias por causa da pressão social do “meu filho não vai ser menos”. Isto é muito perceptível quando se observa a atitude dos pais e familiares durante a Missa. “É possível que para alguns esta seja a primeira e a última comunhão”, comentámos ao ver o panorama.

O pároco, um homem que, por todos os relatos, é cuidadoso com a Liturgia, muito bem treinado e conhecedor das suas ovelhas, usou uma história, para animar a sua Homilia – muito divertida e muito bem preparada – que vale bem uma “história de três minutos” (H3M).

A meio da Homilia perguntou; o que é que queremos deixar aos nossos filhos?

Na era soviética, uma rapariga lituana foi forçada a deixar a sua pátria e a sua família e foi transferida para o Cazaquistão. Aí deixou de falar a sua própria língua, só se falava russo e a língua local.

Muitos anos mais tarde, umas freiras lituanas pediram para serem transferidas para o Cazaquistão para trabalharem incógnitas como enfermeiras num hospital. Uma noite, as enfermeiras- freiras, já habituadas a falar Cazaque, ouviram o pranto de uma idosa a rezar a Ave Maria em lituano.

Aproximaram-se da sala e encontraram uma mulher idosa prestes a morrer desacompanhada. Era a rapariga deslocada. Na sua velhice e quase morte, ela usou o que os seus pais lhe tinham ensinado em criança: rezar a Ave Maria na sua própria língua, implorar a companhia de Nossa Senhora. As freiras-enfermeiras falavam lituano e estiveram a falar e a rezar com a idosa até que o seu coração parou definitivamente. A mulher não morreu sozinha. Morreu acompanhada pelas duas freiras, que rezaram a Ave Maria com ela em lituano e puderam consolá-la. Aquela mulher não morreu sozinha, porque lançou mão das suas raízes.

O que é que queremos deixar aos nossos filhos? – repetiu o pároco.

Original: espanhol (13/9/2021). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

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