Santa Cruz do Sul peregrinos

Colocado em 2021-07-20 In Vida em Aliança

Peregrinos do “Santuário sem altar” de Santa Cruz do Sul

BRASIL, Maria Fischer •

A 29 de Junho, festa dos Apóstolos Pedro e Paulo, um pequeno mas forte grupo de homens e mulheres, com imagens da Mãe Peregrina nas mãos, saíram à rua e marcharam até ao local que durante muitos anos foi a casa da Mãe Três Vezes Admirável de Schoenstatt, o Santuário de Santa Cruz do Sul, e de onde, por decisão dos seus proprietários, os peregrinos e a própria Mãe foram expulsos. Mas nem Ela nem eles desistiram. Estes peregrinos a caminho do seu “Santuário sem altar” fazem-me pensar nos meus compatriotas alemães, muito poucos, que em Setembro de 1989 tomaram as ruas da Alemanha de Leste, com velas nas mãos, num protesto tão desesperado quanto confiante, sabendo que os “donos” (ou vamos chamá-los ditadores) do seu Estado tinham todo o poder, todas as armas e toda a vontade de destruir toda a resistência, todos os que o tentassem.. Apesar de uma probabilidade logicamente zero de mudar alguma coisa, eles saíram… —

 

Com as suas Imagens Peregrinas nas mãos, entre orações e cânticos, chegaram ao portão do Santuário, agora aberto, por decreto do Município e do Ministério Público, em certos momentos e em certos dias, permitindo aos peregrinos entrar e ir ao que resta do seu querido Santuário: as paredes e o Capital de Graças entregue ao longo dos anos. Estão também as pedras do Campo de Concentração de Dachau, do Santuário de Santa Maria, do Túmulo de Fritz Kühr, do Túmulo do Padre Kentenich e de Cambrai, e que – como diz a placa – são “como uma herança sagrada para que o espírito do Fundador, o Padre José Kentenich, possa ser aqui vivido e perpetuado”. Estas palavras são válidas para estes peregrinos que, foram ao Santuário, bem como para todos os peregrinos que lá vão para rezar, para contribuir para o Capital de Graças, para encher a enorme Talha com os seus dons.

Santa Cruz do Sul

Uma viagem a Santa María sem resultados

Uns dias depois desta peregrinação “Um grupo de santa-cruzenses do movimento pela permanência do Santuário de Schoenstatt em seu local original dirigiu-se recentemente a Santa Maria, para uma reunião com as superioras da Congregação Irmãs de Maria de Schoenstatt. O encontro teve como objetivo o retorno do altar e da estátua do padre José Kentenich, retirados do local e transferidos para o Centro no fim do ano passado. As conversas, no entanto, não evoluíram e a questão só deve ter alguma definição após reunião das representantes da congregação com o Ministério Público”, lê-se no jornal GAZ, que desde Outubro de 2020 tem vindo a relatar o que está a acontecer em Santa Cruz do Sul, para além do Schoenstatt local.

“Elas continuam com a ideia de transferir para outro local, na área central. Nós colocamos todos os pontos contrários do Centro, como acesso e estacionamento. Não existe nenhuma área que possa abrigar o Santuário”, diz Leoni Cristina Vila, uma das representantes do movimento. Ela levanta ainda outras questões, como impacto ambiental e número de visitantes de uma nova construção. “Não há lugar para parar os ônibus e nem há como fazer romaria. Não tem lugar no Centro”, completa.

Deve acrescentar-se que os planos das Irmãs de Maria para construir um novo Santuário num local mais central se basearam na ideia de poder comprar novos terrenos com o dinheiro arrecadado com a venda dos terrenos actuais… “esquecendo” que estes terrenos lhes foram doados para um fim concreto – o de um Santuário e de cuidados pastorais. Entretanto, a venda do terreno foi-lhes proibida.

Mesmo que haja um projeto para a compra de uma nova área e construção de um novo Santuário, Leoni entende que os pertences poderiam continuar no antigo local até que tudo esteja pronto. “Nós questionamos o que seria feito com o altar e os demais pertences do Santuário, e se elas (as Irmãs) poderiam devolvê-los à população nesse meio tempo. Elas, no entanto, disseram que só poderiam dar alguma resposta após a reunião com o Ministério Público.”

Leoni ressalta que o Santuário recebe um bom número de fiéis desde que foi reaberto, no fim de Maio. Em Junho, segundo os dados da associação, foram mais de 300 os visitantes. O local está aberto nas terças, quintas e Domingos à tarde e conta com a presença da Guarda Municipal para garantir a segurança. Cerca de 30 voluntários se revezam para a limpeza e manutenção das instalações. Uma Talha foi disponibilizada para receber os pedidos e também há distribuição de água benta.

A quem pertence um Santuário?

“A casa é nossa… É toda nossa, é exclusivamente nossa”, lemos no Acta de Fundação de 18 de Outubro de 1914. A questão permanece: Quem é este “nós” a quem pertence? Em Santa Cruz do Sul a resposta parece clara: às Irmãs de Maria.

E Schoenstatt? e o Pe. Kentenich?

Juan Enrique Coeymans, da União das Famílias do Chile, reflectiu comentando um artigo anterior: “O que aconteceu em Santa Cruz do Sul é um apelo do Senhor para que esclareçamos certas coisas que não estão bem definidas: os Santuários de Schoenstatt pertencem à Família de Schoenstatt. Cada Santuário é responsabilidade e é propriedade física e legal de algum Instituto, União ou Comunidade, mas os proprietários do terreno não podem monopolizá-lo como quiserem, porque, moralmente, o Santuário pertence a toda a Família que o sustenta, porque como se diz muito bem no artigo, um Santuário de Schoenstatt é feito pelo Capital de Graças, não pela propriedade física.

Penso que a partir de agora, se quisermos fazer algo, remover uma imagem, etc., devemos consultar toda a Família do lugar, e não sentir que o Santuário é como uma escola, uma clínica que eu abro ou fecho à minha vontade.

“E sim, cada Santuário é (de alguma forma) ‘propriedade’ do povo santo de Deus. É para eles, para os peregrinos; existe e está lá como sinal da presença paterna de Deus e materna de Maria no nosso caminho”, diz Alejandro Mendoza, um chileno que vive em Buenos Aires, Argentina. “Os Institutos ou Uniões (uma grande parte dos quais são também leigos!) são apenas “administradores”. Penso que este é um caso único e muito triste. Talvez seja um apelo a uma profunda reforma de certas estruturas de alguns Institutos, para que a transparência, o diálogo e a caridade tenham precedência”.

Enchamos a Talha do Santuário de Santa Cruz do Sul

A Talha colocada no “Santuário sem altar”, este Santuário que é tão, tão cheio de Capital de Graças, é muito grande. Enchamos a Talha deste Santuário… a partir de todos os cantos do mundo.

Sim, estes peregrinos a caminho do seu “Santuário sem altar” fazem-me pensar nos meus compatriotas alemães, muito poucos, que em Setembro de 1989 tomaram as ruas da Alemanha de Leste, com velas nas mãos, num protesto tão desesperado quanto confiante, sabendo que os “donos” (ou vamos chamá-los ditadores) do seu Estado tinham todo o poder, todas as armas e toda a vontade de destruir toda a resistência, todos os que o tentassem.. Apesar de uma probabilidade logicamente zero de mudar alguma coisa, eles saíram…

Os meios de comunicação social livres na Alemanha compreenderam a sua missão e transmitiram as imagens… Havia cada vez mais pessoas nas ruas, com velas.

Conhecemos o fim da história e celebramo-lo, na minha Alemanha, há mais de 30 anos. Força, peregrinos do Santuário. Feliz Dia de Aliança.

Santa Cruz do Sul peregrinos

Original: espanhol (18/7/2021). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

 

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