refundar

Colocado em 2021-02-23 In Vida em Aliança

Refundar Schoenstatt, sim, claro, mas…

Juan Zaforas, Madri, Espanha. Em resposta ao artigo do Sr. Enrique Soros publicado no schoenstatt.org em 21 de fevereiro de 2021 e que pode ser lido aqui. –

Estimado Sr. Soros,
Não tenho o prazer de conhecê-lo, mas depois de ler seu artigo várias vezes e analisar o que nele é dito, devo dizer que me fez refletir muito sobre seu conteúdo e gostaria de compartilhá-lo com o senhor e com os leitores de schoenstatt.org.

Suponho que entre seus objetivos estava o de compartilhar sua opinião com as pessoas do movimento que concordam com sua tese, porém, como é meu caso pelo menos, suas palavras me fizeram pensar e refletir sobre a refundação de Schoenstatt, e isto apesar de nossos pontos de vista não coincidirem. Acredito que isto é muito bom e nos enriquece a todos, por isso começo por agradecer seu artigo e schoenstatt.org por publicá-lo.

Nessa mesma ideia, decidi escrever estas linhas com o objetivo de compartilhar minha opinião com aqueles com quem talvez eu concorde, mas abrindo a possibilidade de sugerir a outros que a partir de suas reflexões possam gerar uma opinião e continuar a nos enriquecer a todos e, claro, com aqueles que não compartilham nada do que está escrito aqui, mas que espero respeito, como eu tenho por eles.

Por este motivo, começo por aderir totalmente ao título do seu artigo,
“Schoenstatt deve ser refundado”,
mas não por conta do que disse o Pe. Kentenich,
mas porque qualquer instituição, organização, empresa…
deve se refundar periodicamente a fim de se manter viva.

Estou vinculado ao movimento há mais de trinta anos e me considero simplesmente um schoenstattiano de base, que às vezes fica perplexo com alguns dos acontecimentos e atitudes que ocorrem em Schoenstatt. Agora não é o momento de enumerar, nem de analisar, basta dizer que há coisas que podem ser muito, muito melhoradas.

Por esta razão, começo por aderir totalmente ao título do seu artigo, “Schoenstatt deve ser refundado”, mas não por conta do que o Pe. Kentenich disse, mas porque qualquer instituição, organização, empresa, … deve se refundar periodicamente a fim de permanecer viva. Cinquenta anos me parece ser um período muito longo para realizar este exercício necessário, acredito que os períodos de refundação devem ser mais curtos, especialmente na velocidade que a humanidade vive hoje.

De acordo com o dicionário RAE, refundar significa
“Revisar o curso de uma entidade ou instituição,
para trazê-la de volta aos seus princípios originais
ou para adaptá-los aos novos tempos”

Portanto, embora concordemos com a necessidade de refundar Schoenstatt, onde nossas posições diferem está no como. De acordo com o dicionário da RAE, refundar significa “Revisar o curso de uma entidade ou instituição, para trazê-la de volta aos seus princípios originais ou para adaptá-los aos novos tempos“. Portanto, a primeira coisa a ser feita é rever e saber onde estamos. O que foi bem feito e, acima de tudo, o que foi mal feito.

Para fazer esta análise, portanto, a primeira e mais importante coisa é assumir uma boa dose de autocrítica e sinceramente vejo muito pouco disso de parte daqueles que têm alguma responsabilidade no movimento e até mesmo da maioria dos schoenstattianos, ao contrário, observa-se muita autocomplacência. Também não vejo nenhuma assunção de responsabilidade por parte daqueles que nos trouxeram até os dias atuais do movimento. Certamente sem autocrítica e sem assumir responsabilidade é impossível refundar nada.

Do meu ponto de vista, uma vez feita uma autocrítica saudável, depuradas as possíveis responsabilidades e sob a liderança daqueles que podem e devem exercê-la, devemos voltar aos princípios originais e, obviamente, devemos concordar sobre quais são estes princípios. Serão os de 1912, os de 1914, os de 1920, 1944, 1965… Se realmente quisermos refundar a partir dos princípios originais, será fundamental ir à origem e não nos enganarmos com o que não é e desmantelar o que não é. Isto requer muita humildade, verdade, sacrifícios para renunciar…

Será então, e somente então, que seremos capazes de adaptar nossos princípios originais e, portanto, nosso movimento aos novos tempos.

Ninguém tem o poder de censurar
aqueles que pensam diferente.
Só assim será possível a refundação.

Certamente neste processo, ninguém é supérfluo, todos podemos e devemos contribuir e somar, mas terá que ser garantida uma liderança adequada, máxima transparência e a mais ampla participação de todas as sensibilidades existentes dentro do movimento. Ninguém tem o poder de censurar aqueles que pensam diferente. Só assim será possível a refundação.

Suponho que muitos dos que leem estas linhas não concordarão com meus pensamentos e opiniões, assim espero e respeito. É possível que alguém concorde com o que está expresso aqui e comemorarei. Mas não menos importante será se com este texto seja despertado o interesse de outros e, assim, abrir para análise e reflexão, para formar seus próprios critérios e, espero, expressá-los.

José Kentenich não guardava para si suas opiniões, ao contrário, ele as expressava com veemência por causa de sua rebelião contra o que estava estabelecido.

Juan Zaforas

Velhas formas não abrem novas portas

Original: Espanhol (22/2/2021). Tradução: Luciana Rosas, Curitiba, Brasil

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