Rafael Mota

Colocado em 2021-01-15 In Schoenstatteanos, Vida em Aliança

“Que Ele cresça e que eu diminua”

BRASIL, Entrevista com o Diácono Rafael Mota •

Estamos a poucos dias da ordenação sacerdotal de Rafael Mota que acontecerá no dia 24 de janeiro de 2021 (festa de São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas), às 11h na Basílica Nossa Senhora da Saúde em Poços de Caldas, Minas Gerais. Por conta das restrições pela pandemia do Covid-19, a cerimônia será restrita, mas todos nós poderemos acompanhar o Rafael através da transmissão no canal do Youtube do Santuário Sião de Jaraguá.—

Como uma forma de acompanhá-lo mais pessoalmente, schoenstatt.org convidou o Rafael para dar-nos uma entrevista e assim conhecermos mais sobre quem é, sua história em Schoenstatt, seu caminho de formação para o sacerdócio e seus grandes sonhos para Schoenstatt, a Igreja e o mundo.

Rafael atualmente faz parte da equipe schoenstatt.org e em 2015 firmou uma parceria para que as notícias vinculadas no site da JuMas Brasil sejam republicadas no canal schoenstatt.org, cooperando assim com uma parceria que trabalha por Schoenstatt, como bem destaca o título do artigo publicado à época.

Schoenstatt.org agradece a disponibilidade do Rafael em compartilhar com a Família de Schoenstatt do mundo inteiro um pouco de sua história.

“Que Ele cresça e que eu diminua”

“Que Ele cresça e que eu diminua”

? Poderia se apresentar um pouco antes de iniciar a entrevista…

Meu nome é Rafael Tavares da Mota, tenho 30 anos e sou natural da belíssima cidade de Poços de Caldas – MG. Meus pais são separados, tenho apenas um irmão mais velho que já está casado e sou tio de uma menina linda de 2 anos.

Desde 2010 pertenço à comunidade dos Padres de Schoenstatt e no ano passado fui ordenado diácono – no dia 15 de agosto de 2020. Atualmente vivo no Jaraguá, onde exerço meu ministério na Paróquia Nossa Senhora da Conceição.

Sou um entusiasta da cultura, da arte e da tecnologia, com frequência me vejo engajado em algum projeto de comunicação e nos últimos anos participo das redes sociais com o PRAYBACK – um esforço pessoal por unir fé e cultura.

 

? Como e quando foi o seu primeiro encontro com Schoenstatt?

Sinto que nunca tive uma vida longe de Schoenstatt. Desde que eu nasci e durante toda minha infância e juventude, meus pais participaram do Instituto de Famílias. De modo que cresci à sombra do Santuário, brincando com os outros ‘filhos do Instituto’ nos encontros, rezando a consagração à Mãezinha no nosso Santuário-Lar e rodeado de livros do Pai Fundador. No meu ponto de vista, trata-se de um privilégio, um presente especial de Deus para mim.

Em 1997 comecei minha caminhada no JUMAS como pioneiro, acompanhado pelo Umberto e logo pelo Cássio que é colaborador do Schoenstatt.org. Fui me envolvendo cada vez mais, tornei-me dirigente e ajudei a conduzir o ramo de Poços de Caldas por algum tempo. Meus fins de semana estavam sempre cheios com atividades sociais, acampamentos, encontros e muitas outras aventuras.

A verdade é que nosso assessor estava meio distante e a gente tinha que se virar pra não deixar o fogo apagar. Foram anos difíceis, quando éramos bem poucos e sem muito preparo. O caminho que encontramos para superar essa situação foi coroar a Mãezinha como Rainha da Renovação Heroica, pedindo a Ela que fizesse sua parte atraindo corações jovens e dispostos. Acho que deu certo, o ramo continua até hoje e segue se reinventando.

? Sobre a decisão ao sacerdócio, em que momento tomou a decisão? Qual foi o “estalo” para esta decisão?

Quando já estava na faculdade cursando Ciência da Computação, fui convidado para participar das minhas primeiras missões em 2008 e 2009. Explico porque foram experiências marcantes:

Naquela época, eu passava boa parte do meu tempo durante a semana em frente ao computador, resolvendo problemas informáticos. Em contraste, nas missões me deparei com famílias em graves necessidades – pobreza, violência, vícios, falta de amor. Por outro lado, fiquei fascinado com aquela vivência comunitária. Passei de uma rotina muito solitária, para partilhar minhas alegrias e dificuldades com outros 30 jovens durante uma semana. Havia então algo que me remetia à vivência de Jesus com seus discípulos.

Este foi o empurrão que me fez pensar no Sacerdócio. Fui me convencendo de que era possível e que seria feliz ao dedicar minha vida ao serviço do próximo, com a consciência de que o melhor que poderia oferecer aos demais era o próprio Jesus. Ele estava mudando minha vida e pode transformar a realidade. E não havia dúvidas do papel fundamenta da Mãe de Deus nisso tudo.

? Como se sente às vésperas de sua ordenação sacerdotal?

Agora que falta pouco para ser ordenado sacerdote, volto a saborear o meu chamado. Passaram-se 10 anos de formação, mas sinto que novamente preciso entregar tudo nas mãos de Deus para segui-lo com liberdade e confiança. Meus sonhos, meus projetos, minhas seguranças, a vida como eu a conheci e disfrutei até agora… Contudo, não é um salto no escuro. Sei que Ele me ama, que a Mãe me cuida e que precisam de mim!

Nestes dias tenho experimentado, ademais, o carinho de uma multidão de amigos. Pessoas que fazem parte da minha história e que foram instrumentos da minha transformação interior. Elas dizem que estão rezando por mim – e eu preciso, porque estou muito nervoso – e isso faz com que me sinta acompanhado, querido e um pouco mais tranquilo.

Dia 24 de janeiro de 2021 será uma festa pequena, simples, de acordo com o que permite as circunstâncias. De verdade, não me entristece, nem me desanima, nem me gera inveja de outros. Assim são as coisas de Deus – sempre nos surpreendem, mudam nossos planos. Faço as palavras de São João Batista meu lema de ordenação: “que Ele cresça e que eu diminua” (João 3, 29-30).

? Conte-nos seu sonho mais audacioso para os próximos 10 anos:

Para os Padres de Schoenstatt

Sonho com um processo de conversão ao interior da minha comunidade. Que aprendamos a escutar, a trabalhar em equipe, a respeitar mais a opinião alheia – especialmente a dos especialistas. Que sejamos humildes e nos deixemos cuidar quando necessário, pois nossa paternidade não quer se degradar num falso super-heroísmo. Minha comunidade é muito bonita e capaz de fazer coisas incríveis – e me traz alegria imaginar que ela ainda está em caminho.

Para Schoenstatt

Gostaria de entender como uma consagração à Nossa Senhora numa capelinha da Alemanha tenha sido capaz de captar o coração de tanta gente ao longo de todo um século – para então simplesmente tornar esse ‘segredo’ mais acessível aos demais. Começando por uma revisitação da história que supere qualquer ocultismo, triunfalismo e ideologia, para favorecer a comunhão entre nós Schoenstattianos e com a Igreja.

Para a Igreja

Que a chamada ‘Sinodalidade’ se torne um verdadeiro modus operandi – uma interface amigável ao usuário – reduzindo a distância entre as instâncias de condução e um singelo Povo de Deus sedento por participar. Ademais, que o portal vatican.va ganhe uma cara nova.

Para o mundo

Que os profissionais da educação, da cultura e da arte sejam mais reconhecidos, sejam mais bem preparados e tenham condições mais favoráveis para exercer sua vocação, afim de ajudar os menos favorecidos a terem condições de construir seu próprio futuro. “A educação é um ato de esperança”, Francisco.

 

Em uma palavra
Um livro – Estragos, Fernanda Young
Um filme – O Castelo Animado (Studio Ghibli)
Uma música – O Rio, Marisa Monte
Um lugar para onde gostaria de viajar/peregrinar – Tóquio, Lisieux
Uma pessoa em Schoenstatt – Pe. Rudolf Mosbach, Ir. Stella Maris Grando
Uma pergunta ao Padre José Kentenich – Pra onde vamos agora?
Uma pergunta a Deus – Até quando Senhor? (Salmo 13)

 

Acompanhamos Rafael Mota com nossa oração nos últimos dias de sua preparação para este importante passo em sua vida. Nós da equipe schoenstatt.org agradecemos seu compromisso e disponibilidade e rezamos por sua missão sacerdotal.

 

Rafael MotaLink transmissão

Etiquetas: , , , , , , , , , ,

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *