Ordenación diaconal

Colocado em 2020-12-27 In Schoenstatteanos, Vida em Aliança

Diário do amigo. Uma crônica da minha ordenação diaconal

ARGENTINA, Juan María Molina •

No dia 8 de dezembro de 2010, assinei a carta pedindo para ser admitido na comunidade dos Padres de Schoenstatt após um longo processo de discernimento entre idas e voltas. A aceitação chegou em fevereiro e em fevereiro do ano seguinte viajei ao Paraguai para iniciar o noviciado. Começava uma aventura tão sonhada e amada quanto desconhecida. Como esse Juan se tornaria um homem consagrado, diácono e sacerdote? Algo especialmente bonito sobre o retiro de ordenação foi voltar e me conectar com o início deste sonho vocacional. Tempos românticos e também um pouco ingênuos. É uma alegria dar-me conta de que ainda sou o mesmo. O adulto – o consagrado perpétuo – não mata a criança. É por isso que mantenho essa terna esperança de um sacerdócio pleno, próximo, comprometido, simples e para todos. Conservo o calor daquele encontro com Jesus que me fez primeiro cristão, amigo, eu mesmo. Piscadela do destino, no dia 8 de dezembro de 2010, meu querido Independiente foi o campeão da Copa Sul-Americana depois de derrotar o Goiás (Brasil) nos pênaltis. Independentemente da minha vida e do que transcorreu nos últimos nove anos, continuo o mesmo. —

Dando um salto em minha história vocacional, no último dia 14 de novembro, pelas mãos do Mons. Alberto Ortega, fui ordenado diácono junto com outros seis irmãos da comunidade de diferentes países: Sebastián Espinosa, Joaquín Lobos e Sergio Abarca (Chile), Pedro Bras (Portugal) e Filipe Araujo e Rafael Flausino (Brasil).

Seus pais entregaram ao bispo as vestes para o novo diácono: A estola e a dalmática

Nossas presenças são presenças de outros mais

Depois de algumas idas e vindas tão típicas deste ano, a ordenação ocorreu no Santuário do Valle Hermoso Del Niño Jesús, no bairro da Colina. Com as restrições impostas pela pandemia participaram cerca de 150 pessoas; e com as oportunidades que a pandemia trouxe, milhares de pessoas puderam se conectar através do Youtube. Entre aqueles que puderam participar estavam meus pais que viajaram especialmente para a ocasião, aproveitando uma das exceções providencialmente concedidas ao fechamento das fronteiras de ambos os países naquele momento. Com eles e através deles experimentei a proximidade de toda a minha família, dos amigos e também do Movimento na Argentina.

Um fenômeno singular manifestado nestes tempos: nossas presenças são presenças de outros mais. No final, não apenas vivemos e nos ordenamos com os outros, mas somos com os outros.

Quero ser teu amigo, Jesus Cristo!

O lema escolhido para a ordenação foi retirado de uma oração do Pe. Esteban Gumucio que nosso amigo e irmão Christian “James” Abud – quem se adiantou nesta caravana para a eternidade – tanto gostava. “Quero ser teu amigo, Jesus Cristo”, rezava. Foi seu suave grito de guerra durante sua batalha contra a leucemia que o preparou para abraçar a morte em paz. Com outras lutas e realidades, mas com o mesmo fim, fizemos disso nosso lema de ordenação.

Entretanto, devo admitir nesta intimidade, que o lema é um tanto incompleto. O lema é o que dizemos, mas esconde uma parte que eu pessoalmente experimento como o núcleo do meu chamado vocacional: Jesus que me diz: “Quero ser teu amigo”. Ter ouvido isso é mais forte do que nossa resposta apaixonada e sincera, mas também frágil. Amigos de Jesus, amigos entre nós, irmãos e irmãs todos. Vivi o tempo prévio da ordenação e da consagração no princípio da amizade.

Este caminho me deu muitos amigos; muito mais do que eu imaginava que poderia ter. Com eles e através deles – que também são vocês – pude descobrir Jesus como um amigo. O traço que mais me marca na amizade é a permanência. O amigo, o bom amigo, é aquele que permanece. Aquele que está nos bons e, ainda mais, nos maus momentos. A doença de James foi, nesse sentido, uma escola de amizade. Jesus permanecia em James e me deu uma razão para permanecer Nele. “Quando meu entorno estremece, és Tu o Amigo e permaneces”, diz essa mesma oração.

A amizade de Jesus é mais forte

Já se passaram nove anos nos quais passamos de tudo. Muitas coisas fortes conhecidas e outras menos conhecidas. São tantas coisas que impressionam, que eu não esperava e não desejava. Lembro-me delas e as faço presentes para dar testemunho da força de Deus, de sua presença viva, de sua companhia. Chamamos isso de amizade. Não sou um mártir e ao longo de minha formação, mesmo com todas as dificuldades que vivi, tenho sido feliz. Há infinitamente mais presentes do que dificuldades. Não é resiliência, não é martírio, não é vontade. A amizade de Jesus é mais forte. Nesse sentido, ressoam palavras destes dias que me dizem muito. Palavras que recebo e aceito, mesmo que às vezes me soam exageradas.

Durante todo este tempo aprendi que elas devem ser descartadas; acredito nelas e as amo. Palavras como exemplo, testemunho e outras que guardo em meu coração por pudor. Pode ser, mas o que Cristo e a Mãe de Deus fizeram comigo é muito maior. Não chego até aqui por causa da “resistência”, coragem ou talento, mas sobretudo por causa do que Cristo e a Mãe de Deus fizeram comigo.

Fonte: www.schoenstatt.org.ar

Original: Espanhol (26/12/2010). Tradução: Luciana Rosas, Curitiba, Brasil

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