Colocado em 2019-10-27 In Vida em Aliança

18 de Outubro e as alterações climáticas: “ A procura de um intercâmbio com quem tem opiniões diferentes da nossa, dentro da Igreja”

18 DE OUTUBRO EM SCHOENSTATT, Maria Fischer •

“Como é isto para um argentino que chega a Schoenstatt no dia 18 de Outubro, quando a Missa e a Homilia giram em torno do Lema do ano do Movimento Alemão?”. Daniel Martino, da União das Famílias, pensou por um momento, sorriu e respondeu: “É exactamente o que eu esperava. A “Germanidade” de Schoenstatt. Afinal, havia auscultadores e tradução. E a Homilia foi forte,  justificou radicalmente a abertura. Não importava se era o Lema do ano alemão. Foi para todos nós. Para todos nós, para todos de Schoenstatt: uma Homilia na maior festa de Schoenstatt, que causa agitação e aumenta a esperança de que esta sexta-feira, 18 de Outubro seja uma “Sexta-Feira para o Futuro” para este lugar, para a Alemanha e talvez, embora não certo, para mais além. —

Não há lugar para “um sonho festivo, sonolento e feliz” antes da Missa, quando Mons. Michael Gerber pede solidariedade com os jovens, que hoje, como em todas as sextas-feiras, saíram às ruas pedindo defesa climática, e solidariedade com o povo da Síria, que sofre sob a força das armas; são mortos, feridos e expulsos.

“Alterações climáticas: em Schoenstatt e desde Schoenstatt. Que imagens interiores nos guiam”, pergunta o Bispo Gerber. “Uma resposta poderia ser: ‘O clima tornou-se mais difícil no mundo real e no mundo digital. Aqui em Schoenstatt fazemos tudo o que podemos para que, pelo menos entre nós, tenhamos um clima diferente. Seja como for, não podemos alterar o grande clima ou as grandes alterações climáticas. – Mudanças climáticas – podemos entender isto unilateralmente como a preocupação por um melhor clima interno?”

A resposta é claramente não. Não ao “estamos confortáveis aqui” e deixamos os forasteiros fazerem o que querem. O Bispo de Fulda, membro do Instituto Secular dos Sacerdotes Diocesanos de Schoenstatt, não envia os schoenstatteanos à chuva para mudar o clima, mas deixa claro: “No contexto do Sínodo Amazónico, o Papa Francisco comentou: “Jesus não veio para trazer a brisa da noite, mas para trazer o fogo à terra”. Este Dia da Aliança chama a nossa atenção para o facto de que os passos decisivos do crescimento de Schoenstatt não ocorreram com a brisa da noite, mas no clima rigoroso da Primeira Guerra Mundial, bem como em Dachau e Milwaukee. Devemos temer um clima rigoroso e tempos difíceis na nossa Igreja?

… Se a esta hora celebramos a Aliança, façamo-lo especialmente unidos, por um lado, à nossa geração jovem, que hoje, como cada “Sexta-feira pelo Futuro”, expressa a sua preocupação pelo clima do futuro e, por outro lado, unidos também aos participantes do Sínodo da Amazónia, que se interrogam sobre o caminho da Igreja, não só naquela região”.

 

As correntes profundas da minha alma

Sabemos, com base em estudos e informações científicas, que as alterações climáticas não são causadas principalmente pela subida do nível do mar, pelo aumento das temperaturas ou pelas tempestades. As alterações climáticas têm a ver com correntes profundas nos oceanos que não são percebidas pelos leigos, mas que marcam as condições vitais e o clima do nosso planeta. Portanto, segundo o Bispo Gerber, antes de cada acção, antes de cada diálogo, devemos colocar-nos questões concretas sobre as correntes profundas da nossa própria alma e talvez também da “alma de Schoenstatt”.

“Perguntemos então: como reage a minha alma, espontânea e imediatamente, face aos grandes e não tão grandes Movimentos na Igreja e na sociedade? A minha “corrente de Humboldt” é o medo?… ou são as humilhações que experimento?”.

Ou a “corrente de Humboldt” do dia 18 de Outubro ganha espaço?

“Este 18 de Outubro de hoje é uma experiência original. No início, José Kentenich fê-lo de uma forma muito pessoal e depois, ainda hoje, há 105 anos, juntamente com os primeiros co-fundadores aqui no Santuário. É a experiência original: sou amado, Deus dá-me, oferece-me a sua Aliança. É uma experiência mariana original. É a fé, a promessa de Deus a Maria, “Tu és cheia de graça” também se refere à minha vida. Aliança de Amor e Cultura de Aliança significa: esta experiência deve ganhar espaço na minha alma. Isto é mais do que um simples conhecimento a este respeito. Ao repetir regularmente a Aliança em cada 18 de Outubro,em cada 18 de cada mês e em cada dia no meu Santuário-Lar, esta experiência original tenta enraizar-se mais profundamente na minha alma e, a partir daí, tornar-se a dinâmica predominante da minha alma.

 

O que quer Deus de mim, o que quer Ele dizer-nos através das vozes da alma de cada um?

Numa Jornada pedagógica no início da década de 1930, o Padre Kentenich apresentou as regras básicas para o diálogo autêntico. Uma delas é: “Deixe que o oposto tenha o seu ponto de vista”.

Aqui, o Bispo Gerber é agora muito concreto e aponta algumas coisas na sociedade e na Igreja, com as quais alguns cristãos, provavelmente também, alguns dos membros do Movimento de Schoenstatt, têm dificuldades. Como exemplo, ele menciona o movimento Maria 2.0, um movimento de mulheres na Igreja na Alemanha, que procura mais direitos para as mulheres, até que cheguem à ordenação.

Em termos concretos:

“Não nos perguntemos apenas sobre a posição da outra pessoa, mas perguntemos honestamente: como chegou ele ou ela a essa atitude? Qual é a história por trás disso? Que feridas podem estar por trás disso? Onde é que ele ou ela teve uma experiência básica diferente da minha? Portanto, não perguntemos apenas sobre a posição da outra pessoa, mas também sobre a experiência original por trás dela. Creio que aqui, enquanto Igreja, somos desafiados a não copiar algumas das formas insalubres de diálogo – ou a forma como falamos sobre os outros – que prosperam nos fóruns da Internet. Demasiadas vezes também na Igreja, os círculos que representam a mesma posição permanecem, de facto entre si, aperfeiçoando continuamente os seus argumentos, posicionando-se contra “os outros”, mas não há uma verdadeira troca.

Alterações climáticas, vamos perguntar-nos, criticamente: onde tento eu encontrar uma abordagem honesta e não filtrada para a argumentação de pessoas que têm opiniões decididamente diferentes da minha? Que revistas, que artigos na Internet eu leio e quais não leio? Levo tudo em segunda mão, já comentado criticamente pelos formadores de opinião na minha própria inclinação, ou também leio tais argumentos no texto original?”.

É então que surge o diálogo, que surge a Cultura do Encontro, que posso permitir que o outro tenha o seu ponto de vista, sem ter de o partilhar.

“Alterações climáticas: Quero encorajar-vos, querida Família de Schoenstatt, queridas comunidades do nosso Movimento de Schoenstatt, a procurarem um intercâmbio imediato com aqueles que muitas vezes estão longe das opiniões da Igreja. (…) O nosso Fundador ouvia com muita atenção as correntes do seu tempo. Vamos com ele à escola da escuta. Onde é que o outro me aponta um aspecto da realidade que eu ainda não conhecia? Que novo impulso vou tomar depois desta conversa?”.

Que impulso é que eu tomo? Que impulso é que eu tomo depois desta Homilia? Uma pergunta que permanece pouco depois da celebração da Missa, sob o constante chuvisco. Uma pergunta que, no entanto, ainda está presente nas conversas deste dia, nos momentos pessoais no Santuário Original e na renovação da Aliança da tarde.

E talvez mais além.

 

 

 

Alterações climáticas – Mons. Dr. Michael Gerber, Bispo de Fulda, 18/10/2019 (Texto integral em PT)

 

 Original: alemão (20/10/2019). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

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