Colocado em 10. Agosto 2018 In Vida em Aliança

Uma empresa requer ser construída com a ajuda de todos

ALEGRIA NO TRABALHO, Carlos Barrio y Lipperheide, Argentina •

“Ao cumprir a minha palavra, vou construindo uma ética de comportamento. Eu chamo-lhe crescimento orgânico. Vou devagar mas, de modo coerente” diz Guillermo Casarotti, empresário argentino. Criatividade, empreendorismo, cuidado com o ambiente e novos conceitos de empresa e de empresário são alguns dos assuntos desta nova entrevista de Carlos Barrio y Lipperheide.  —

Há alguns dias tive a oportunidade de entrevistar Guillermo Casarotti, fundador e dono de INTI ZEN, uma empresa que elabora chás e aderiu ao chamado “Sistema B”. A empresa comercializa umas 400.000 caixas anuais de chá com a sua marca, destinando 80% da sua produção ao mercado interno e 20% ao mercado internacional.

As exportações começaram a partir de 2005. Actualmente, está presente na América Latina em: Brasil, Chile, Venezuela, Uruguai, Perú, Colômbia, Equador, Paraguai, Costa Rica, México e Panamá. E, também exporta para outros países como a Inglaterra, França, Alemanha, Espanha, Itália, Portugal, USA, Canadá e Emiratos Árabes.

Inti Zen está sediada na localidade de Del Viso, na grande Buenos Aires, num edifício com site guidelines sustentável que abrange uma superfície de 600 m2. Lá funciona a sua nova fábrica de empacotamento que implicou – segundo me disse – um investimento total de $ 1,2 milhões. A nova fábrica tem tanques de água quente que funcionam só com energia solar e, paredes acondicionadas para reduzir as perdas energéticas e, deste modo, conservar o ar frio no verão e quente no inverno dentro do edifício.

O “Sistema B” e Laudato Si’

O Sistema “B”, ao qual aderiu INTI ZEN surgiu nos Estados Unidos para tentar dar uma resposta aos problemas sociais e do meio ambiente a partir do próprio negócio, isto é, sem perder de vista a rentabilidade mas, focando-se em criar um impacto positivo na sociedade.

Pareceu-me muito interessante investigar este tipo de empresas visto que, vejo que respondem, em grande medida, às necessidades urgentes do nosso tempo, como é o caso do meio ambiente e o impacto que têm, do ponto de vista social, no lugar em que estão integradas.

Encontro com o “Sistema B” é uma possível resposta empresarial ao que o Papa Francisco reclama como uma mudança empresarial na sua Encíclica Laudato Si’. Na página web do “Sistema B” diz-se que: “Na América Latina e no resto do mundo, nós e milhares de pessoas nos reconhecemos como parte de um movimento em que o encontro surge quando percebemos que partilhamos a mesma busca: uma nova “genética” económica que permita que os valores e a ética inspirem soluções coletivas sem esquecer as necessidades particulares. Este movimento não é guiado por nenhuma ideologia ou pessoa em particular. Ele é motivado por milhares de pessoas que querem trabalhar por um mundo melhor e não apenas por um salário. Nossa proposta não se limita ao trabalho das equipes executivas: ele também leva a uma economia que inclua todos nós e que possa criar valor integral para o mundo e a Terra, promovendo formas de organização económica que possam ser medidas com base no bem-estar das pessoas, das sociedades e da Terra de forma simultânea e com considerações de curto e longo prazo”A consciência do cuidado a ter com o meio ambiente do ponto de vista ecológico e social é, cada dia, maior e parece que, não tem volta atrás mas, antes pelo contrário.  

Guillermo Casarotti recebe-me de manhã no seu escritório e, imediatamente, me propõe tomar um chá, à minha escolha, elaborado pela empresa, ao que anuo sem pensar um segundo, procurando, deste modo, ir entrando no espírito de INTI ZEN.

– Guillermo como foi o processo que te levou a fundar INTI ZEN?

– Venho de uma família de empreendedores. O meu pai era empreendedor, os meus irmãos também mas, no campo da construção. Outro irmão dedica-se às finanças. Somos seis na família e todos empreendedores. Assim que, este espírito de empreender está, praticamente, no ADN da família.

Mas, eu gostava muito de trabalhar em multinacionais. Sou engenheiro de sistemas e, quando estudei era um curso bastante original.

Sou disléxico, razão pela qual me custava ler e escrever mas, era muito bom em tudo o que era espacial e conceptual, porque é o dom do disléxico. O disléxico tem este dom de ver a realidade em termos de espaço e não de plano.

Dentro da engenharia gostava da inovação. Por isso, escolhi a especialidade “sistemas e informática”. Dentro desta actividade procurei ser inovador.

Do marketing ao empreendorismo

Ao fim de trabalhar 3 ou 4 anos em sistemas, dei-me conta que isso não era para mim. Então, fui evoluindo para o desenvolvimento da aplicação de sistemas ao marketing. Cheguei aí quase por acaso. Depois comecei a pensar como um “marketinero” . Nesse tempo, o marketing não era como hoje; consistia, basicamente, na análise de clientes.

Eu procurava uma actividade na qual pudesse desenvolver a minha criatividade e empreendorismo. Mas esta área nas multinacionais não me conseguia satisfazer. E assim, pouco a pouco fui procurando o meu próprio projecto empresarial e foi nascendo a ideia de fundar INTI ZEN.

A primeira coisa que fiz foi entrar em contacto com Inés Berton, fundadora e dona da prestigiada empresa de chás Tealosophy . Ela é uma das mais prestigiadas provadoras de chás pelo mundo. Lembro-me que, custou muito a atender-me e a interessar-se pelo meu projecto. Mas, depois de muito insistir, consegui! Foi a minha mentora e guia nos inícios da empresa. Depois, associámo-nos e, hoje, temos uma marca partilhada que se chama Chamana. É ela quem cria os blends e INTI ZEN. Um orgulho para a empresa”

– Que dificuldades tiveste que ultrapassar para estruturar e manter a empresa?

– Como te dizia, eu vinha do mundo das multinacionais, com manuais, orientações determinadas pelos órgãos superiores, etc. E, de repente, vi-me sozinho na autoestrada. Quando se começa a empreender, tem-se uma sensação de solidão, tem que se fazer tudo sozinho.

Lembro-me que, quando quis estruturar o registo das variedades dos chás, tive todo o género de dificuldades próprias da enorme burocracia reinante na Argentina.

Aos 4 meses de estar dedicado ao projecto, tive que enfrentar o quebra-cabeças do produto. A certa altura “rebentei” e disse à minha mulher que tinha que ir para um retiro de silêncio e, fui para o mosteiro trapista de Azul, na província de Buenos Aires. No mosteiro pude entrar em contacto comigo mesmo e com Deus e, ao quarto dia decidi regressar e tudo começou a fluir.

Dei-me conta que, muitas vezes preciso deixar as coisas e depois voltar a elas. Pratico isso de esvaziar a cabeça, que me ajuda a encontrar depois a solução para os problemas.

Descubro em Guillermo, uma pessoa que foi capaz de seguir um processo de autoconhecimento e procura do seu próprio caminho empresarial, o que me recorda algumas reflexões nucleares do Padre Kentenich quando nos diz que “…o Homem de hoje deve aprender a decidir-se por si mesmo desde o seu interior”. (1)

 – O nome da tua empresa INTI ZEN, tem alguma relação com a tua própria coerência pessoal?

– Completamente, INTI ZEN faz parte da minha coerência pessoal. Sempre quis juntar o oriente com o ocidente. Fascina-me como no oriente integram os idosos na família, eles possuem um montão de conhecimentos e de sabedoria que podem partilhar com os mais novos da família.

Hoje, no ocidente, escolarizamos com imensas horas de aprendizagem, os nossos filhos de dois anos!

No ocidente também há muitas coisas com valor e acho que o bom é integrar. Vejo que o INTI é a energia jovem da América Latina, a frescura, a energia do sol. E o ZEN é o nada absoluto. É como a integração da energia e do nada, o yin e o yan, oriente e ocidente.

– Isso expressa a tua própria originalidade? É o que procuras na vida?

– Sim, isto expressa que todos temos que aprender de todos. Temos que integrar os conhecimentos. Mas, integrar não significa unificar. Não é tudo como uma mesma massa. Se há luz de um lado, há sombra do outro.

A visão de Guillermo remete-me novamente para José Kentenich quando nos diz que “…o pensar orgânico é um pensar que une” (2), diferentemente do pensar mecanicista que divide os processos naturais.

– Como se expressa isto na empresa?

– O INTI é a força que pomos, esta individualidade que temos, essa energia própria. O ZEN é a amálgama que nos junta. O ocidente é mais individualista, o oriente é mais comunitário.

O INTI é essa energia, essa luz e raios que cada um tem e que brilha, e o que misturamos com um propósito maior, comum a todos. No dia-a-dia veem-se na empresa os propósitos individuais que se misturam.

Ao entrar na página web de INTI ZEN vejo uma história que diz o seguinte: “comece por esvaziar a sua chávena”. Um mestre japonês chamado Nan-in recebeu um erudito professor da Universidade que o foi consultar sobre o Zen. Nan-in ofereceu-lhe chá e perante a aceitação do seu convidado, começou a servi-lo. Quando tinha enchido a chávena, continuou a deitar chá nela. Surpreendido ao ver entornar-se o chá e não podendo conter-se, o universitário disse a Nan-in que a chávena já estava cheia e não podia conter mais. Nan-in respondeu: “Tal como esta chávena, estás cheio com as tuas opiniões. Como posso mostrar-te o que é o caminho do Zen se não começas por esvaziar a tua chávena?”

– O que te diz esta história, Guillermo?

– Diz-me que, se vens com a cabeça carregada é difícil que outra ideia te entre, se já vens formatado com um conceito. É preciso darmo-nos tempo. Comecemos pela comida, pelos espaços que abres, pelas pessoas que encontras. Tudo isso vai alimentando o teu corpo e a tua alma.

É como a anedota da pessoa que pergunta a três pessoas que estão a trabalhar; uma diz-lhe que está a pôr pedras; a outra que está a construir uma parede e a terceira que está a construir uma catedral. Esta última encontrou o sentido para o que está a fazer. E, aí, está a chave!

Cada um, desde o seu lugar, pode contribuir para a construção de alguma coisa maior. Acontece-nos quotidianamente e, por isso, temos que rever onde é que estamos parados e para onde estamos a ir.

Temos que viver a nossa paixão que, não nos chega magicamente. É uma coisa quotidiana que se vai edificando. Não como um raio de asas que aparece. Devemos ir construindo as coisas passo a passo.

A minha mulher e eu decidimos que o amor é um verbo, vai-se construindo, não é automático. Numa empresa acontece o mesmo. Os dias não são todos iguais e requer ser construída com a ajuda de todos. Acredito muito nisto.

– Preocupa-te o equilíbrio entre a mente e o corpo na tua equipa de trabalho?

– A nossa filosofia de empresa não é só o dinheiro. Gosto de me unir a toda a minha equipa, os do escritório e os da fábrica para que, estejamos todos informados na mesma página e partilhemos os assuntos. Trato de evitar o ciúme entre as pessoas do escritório e da fábrica.

Eu aposto muito nas pessoas. Se a base está bem pode construir-se alguma coisa. Respeito os modos diferentes das pessoas.

Procuramos o equilíbrio dos espaços. Dou-lhes liberdade mas, que a exerçam bem. Eu estou sempre presente mas, são eles quem regula e consegue um equilíbrio entre eles mesmos.

Também como parte do cuidado integral que procuramos, aderimos desde 2005 ao sistema de controlo de gestão das Normas IS09001, auditadas e certificadas pelo Bureau Veritas e também ao Sistema B de empresas

Comprometemo-nos a realizar controlos minuciosos em todo o processo de elaboração do chá, desde a seleção das colheitas na Índia e no Sri Lanka, passando pela mistura de componentes na Alemanha, até ao cuidado no empacotamento de cada saqueta na nossa fábrica de Del Viso. Os nossos controlos estendem-se ao armazenamento e à logística dos nossos produtos.

Por outro lado, integrámos práticas de Responsabilidade Social (SER) com os nossos empregados, fornecedores e clientes para conseguirmos um compromisso sustentado a longo prazo. A visão do negócio compreende o nosso respeito social e ambiental, mantendo fortes valores éticos em cada acção.

A cosmovisão do Guillermo lembra-me o empresário argentino e Servo de Deus, Enrique Shaw, que dizia que “…a falsa concepção é que a organização da empresa tenda a considerar o trabalhador como uma mera engrenagem, sem lhe dar a oportunidade de conhecer, de compreender, de tomar ele próprio o pulso à empresa com a qual está comprometido; de facto, mais ainda, estorva a expansão da personalidade dos Homens através do seu trabalho. Não é, pois, de estranhar que o trabalhador, ao concorrer à empresa sem outro objectivo, que não seja, ganhar a vida, execute o trabalho sem o considerar “a sua obra” e sem se sentir, enquanto pessoa, vinculado a si próprio e, muito menos à empresa. Carecendo de toda a possibilidade de “participação, nada tem de surpreendente que não contribua para a empresa com a sua inteligência e o seu coração…” (3)

– Que controlo tens sobre a ética dos teus fornecedores e distribuidores? Como o monitorizas?

– Com todos os que formam a cadeia de valor sentamo-nos a conversar. Agora temos um problema com um distribuidor que tinha os pagamentos em atraso. Devia-nos dinheiro e não nos pagava. Não respeitava os acordos que fazíamos. E, a uma certa altura mentiu-nos, o que foi uma quebra. Eu construo confiança e quando me falham, cai e é difícil reconstruí-la. Isso afecta-me muito.

Todos os anos faço, com os meus principais clientes, acordos de ética. A todos os meus clientes vendo ao mesmo preço. Isto já me criou alguns inconvenientes mas, estou convencido que é o justo.

Respeito muito o mercado, assim, todos podem batalhar da mesma maneira. Isto é, que vendo ao mesmo preço, tanto para o supermercado como, para o pequeno armazém. Posso fazê-lo porque tenho um produto único, como é o chá.

Crescimento orgânico já desde a ética do comportamento

– Tenho a minha palavra e cumpro-a. Desta maneira vou construindo uma ética de comportamento. Eu chamo-lhe crescimento orgânico. Vou devagar mas, de maneira coerente.

Agora, por exemplo, apesar do aumento do dólar na Argentina, decidimos, como empresa, que vamos “bancar” o momento da Argentina e não vamos aumentar os preços. É a nossa contribuição, como empresários, para o governo, ainda tendo em conta que 70% dos nossos custos são em dólares.

Os nossos clientes perguntam-nos se vamos aguentar este momento. Se a cotização do dólar na Argentina sobe mais, vamos ter que ajustar, porque estaremos a vendar com prejuízo. É preciso apoiar este momento da Argentina e apoiar os nossos clientes.

Muitos perguntam-nos se vamos subir o preço e, quando dizemos que não, nem querem acreditar. Pensam que estamos doidos! Sabemos que o momento é complicado para a algibeira de todos. Mas tanto dá, como empresa apostamos nisto.

– Pensas que venderás mais desta maneira?

– Não sabemos se vamos vender mais. Agora, está-nos a correr melhor que no ano passado.

– As circunstâncias mudaram. Até agora correu-te bem, mas…

– Sou consciente que temos que, nos ajustar todos. Mas, ajustemo-nos, seriamente, todos, como empresários, como clientes, como consumidores, etc. O país está a viver uma situação difícil. Então, pergunto-me: Que podemos fazer para ajudar a melhorar a situação?

Nesta consciencialização, o europeu é mais solidário. Tem uma visão mais a médio e a longo prazo. O argentino é mais “salve-se quem puder”. Apostemos numa Argentina a médio e longo prazo. Os presidentes vão e vêm. Apoiemos o país, as pessoas, a comunidade.

– Como é a relação entre as empresas B e INTI ZEN?

– Eu já era B antes de ser B. Nasci com os princípios de uma empresa B desde a sua fundação em 2003. Depois, foi criado o Sistema B. Certifiquei e tudo continuou bem. Com o Sistema B tenho as minhas diferenças, e falamos sobre elas, como o pagamento da certificação, o uso da mesma e outras coisas. É um negócio? Sistema B está bem conceptualmente mas, ainda há um caminho a percorrer para criar uma verdadeira comunidade de empreendimentos conscientes.

-Continuas a certificar?

– Sim, todos os anos. No ano passado fizeram-me uma auditoria completa. Investi um montão de dias para lhes dar todos os papéis e a informação que queriam mas, não me deram feedback. Conceptualmente, o Sistema B parece-me brilhante. É muito poderoso associar o crescimento económico ao bem-estar social e ambiental.

– Que outros passos vais dar no futuro?

– Nós seguimos uma linha própria. Somos autodidatas. Ouvimos o que nos dizem: o mercado, o Sistema B, Endeavor e outros âmbitos mas, acreditamos na importância de cuidarmos dos próprios crescimentos que, não têm que coincidir, necessariamente, com os passos que dão outras organizações, visto que, em cada empresa existem tempos e espaços próprios que, é preciso ir descobrindo. No nosso caso, não temos objectivos para alcançar, nem que correr atrás deles. Sim, temos planos para unificar os pontos de vista da equipa e projectos para trabalhar em conjunto.

INTI ZEN é o somatório de muitos pormenores que, juntos, fazem que, quem os recebe, se sinta bem. Faz parte da nossa filosofia: ligar e ligar-se. É o que nos move, o que partilhamos através do chá.

– Que gostarias que se dissesse de ti e da tua empresa como legado?

– Quando o Sistema B me pergunta qual é o meu propósito, digo-lhes é o “não propósito”. Isso torna-me mais flexível, como o junco, para aguentar as tempestades e imprevistos. Durante muito tempo fui escravo das palavras e actualmente prefiro as acções, por isso, o meu propósito vai-se construindo e adaptando ao tempo/espaço. Assim, fluo melhor. Vivo mais o momento. Sem desejos, nem amarras. Não quero nem me interessa perpetuar como Guillermo Casarotti. Guillermo Casarotti está e não está. O mundo continua a girar da mesma maneira.

É, por isso, que o único legado com que eu gostaria de contribuir é, simplesmente, para que, as pessoas se sintam bem. Cada um como é. Ficaria muito feliz se a história da humanidade fosse mais uma história de conjunto que de indivíduos ou heróis.

– De tudo o que me contaste, noto que para ti há alguma coisa muito importante para que isto funcione. É assim?

Sim, a minha ligação com a Anne-Sophie a minha companheira de caminho. Temos uma boa mecânica. Aprendemos muito. Ela é muito diferente de mim e complementamo-nos bem.

Um dos melhores presentes que tivemos, foi de uma tia muito velhinha que nos disse: “Este segredo, ofereceram-mo a mim no meu casamento e, agora, partilho-o com vocês: nunca se vão deitar sem se beijarem, por mais zangados que estejam”. Fazemo-lo e funciona! É mágico!

 

 

Ao sair da empresa, levo a impressão de que a visão empresarial de Guillermo Casarotti é integral e orgânica. A sua cosmovisão impregna tudo o que realiza, estendendo-se tanto à sua maneira de elaborar o chá como, ao trato com os seus empregados e à sua ética com os fornecedores e clientes. Guillermo faz ressoar em mim a Encíclica Laudato Si’, que nos diz que: “…hoje a análise dos problemas ambientais é inseparável da análise dos contextos humanos, familiares, laborais, urbanos e da relação de cada pessoa consigo própria que cria um modo determinado de nos relacionarmos com os outros e com o ambiente.” (4) Vejo refletido este conceito no INTI ZEN.

Parto com a sensação que empresários como Guillermo são os que estão a construir um novo conceito de empresa, uma nova maneira de os Homens se relacionarem entre si e com as coisas. E que “…não pode ser real um sentimento de íntima união com os outros seres da natureza, se ao mesmo tempo não há ternura no coração, compaixão e preocupação pelos outros seres humanos.” (5)

(1) José Kentenich. “Em liberdade ser plenamente Homens” (Herbert King), pág. 151. Editorial Patris (2003).
(2) Horacio Sosa Carbó. O desafio dos valores”. Editorial EDUCA (2000), pág.105
(3) Enrique Shaw. “… E dominai a terra”. Editorial ACDE (2010), pág. 83.
(4)  Papa Francisco. “Laudato Si”, 141
(5) Papa Francisco. “Laudato Si”, 91.

Original: espanhol (26/7/2018). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

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