Colocado em 2017-11-04 In Vida em Aliança

Os pequenos gestos da Mater com cada filho que a visita

PARAGUAI, Sandra Lezcano •

Hoje o meu despertador tocou três horas antes do habitual. Precisava de adiantar o trabalho no escritório para poder sair antes e ir a Tupãrenda. Desde cedo, o ecrã do telemóvel mostrava a quantidade de mensagens por abrir nas redes sociais. Sem dúvida alguma, começava um dia especial.

Saudei a Mater no meu Santuário Lar, contei-lhe os meus planos de ir cedo para o trabalho para poder visitá-la à tarde no Santuário de Tupãrenda. Pedi-lhe que se ocupasse das minhas coisas e encarreguei-a, de modo especial, que me ajudasse a aceder ao sacramento de reconciliação e assim poder comungar nessa tarde.

Pude terminar o mais urgente da agenda deste dia, e saí para ir buscar a minha mãe e uma amiga que iria comigo.

Chegámos a Tupãrenda com bastante tempo para participar da Santa Missa. A temperatura era de 40°C, assim que ao chegar à frente da Igreja Santa Maria da Trindade, fizemos o mesmo que outros peregrinos, procurámos uma árvore em cuja sombra nos refugiámos do sol que estava ainda no seu máximo esplendor.

As surpresas que a Mater oferece

Uma vez instaladas, deixei as minhas companheiras de viagem e comecei à procura do lugar destinado às confissões. Deparei-me com uma longa fila sob as árvores que se encontravam próximas do Santuário.

Entrei na fila e notei que se passava algo pouco usual, só estavam dois sacerdotes a confessar, geralmente são quatro ou cinco. Esta situação já me dava a entender que ia precisar de um pouco de paciência extra para conseguir confessar-me.

Num dado momento, apercebi-me que um dos sacerdotes se tinha retirado e ficou só um. Então olhei para o relógio, faltavam ainda trinta minutos para que se iniciasse a terceira missa do dia. Talvez consiga, pensei; depois de tudo, eu tinha pedido nessa manhã à Mater que me ajudasse a confessar e estava segura que o conseguiria.

Passou o tempo e olhei novamente para o relógio, faltavam só 15 minutos e comecei a contar quantas pessoas estavam à minha frente na fila, eram 47! Fiz os cálculos e percebi que teria de esperar 470 minutos!

Então pensei: É melhor desistir e durante a semana vou a um confessor. Era um 18 de outubro e não poderia comungar, contudo, no fundo do coração tinha a voz de uma menina que reclamava, mas como é possível, se eu pedi à Mater que me ajudasse! Suspirei e e ao voltar-me para sair da fila, chegou uma das voluntárias e disse: “Chegou um sacerdote que pode confessar, o problema é que só pode fazê-lo em inglês”. No meu país, os idiomas oficiais são o espanhol e o guarani, pelo que não é muito habitual que alguém esteja a confessar noutro idioma em Tupãrenda.

Olhei então os 47 que estavam à minha frente e nenhum levantou a mão. Esse era o meu momento! É a Mater, pensei, que está a tratar de tudo!

É sempre possível voltar a começar

 

Aproximei-me do sacerdote, o Padre Reginald, apresentou-se e comentou que vinha da Nigéria para ficar um tempo connosco no Paraguai.

Partilho convosco parte do que me disse de maneira muito paternal durante a minha confissão. Explicou-me que a fecundidade  na vida espiritual é muito parecida com exercitar o corpo, não acontece de um dia para o outro, é progressivo, mas para conseguir resultados há que ser constantes.

Os primeiros das custará mais, às vezes dói, mas cada dia nos iremos sentindo melhor, até que um dia isso que tanto custou se transformará num hábito, num estilo de vida.

Haverão dias que custará mais que outros, disse, mas a vida é assim, de voltar a começar as vezes que forem necessárias. Não existe uma maneira fácil de viver a vida, mas com a graça de Deus e em aliança com a Mater é sempre possível voltar a começar.

Terminei a confissão, agradeci e despedi-me do Padre e dirigi-me para a Igreja Santa Maria da Trindade. Ao sair, dei-me conta de que o sacerdote já lá não estava e continuava a fila dos mesmos 47 e mais alguns.  Então olhei para o Santuário e voltei o olhar para a Mater e disse-lhe: Obrigada! Já quase pensava que te tinhas esquecido do que te pedi esta manhã e na realidade o que devia perguntar-me era quando é que me faltaste? Nunca! Porque a Mater é sempre fiel à sua Aliança de Amor comigo.

Enquanto chegava à árvore onde nos tínhamos instalado, pensava em quantos pequenos milagres teria feito a Mater nesse dia a cada peregrino, a cada aliado seu.

Original: espanhol. 23.10.2017. Tradução: Maria de Lurdes Dias, Lisboa, Portugal

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