Colocado em 30. Agosto 2016 In Vida em Aliança

Um encontro entre gerações e regiões nas serras de Córdoba

ARGENTINA, María Teresa Martino •

Por onde começar? Dizem que as mulheres têm a tendência de ler as revistas de trás para a frente, e eu gostaria de seguir esse método, saboreando o fruto final, gozar “a foto” e anunciar a todos que na luz dos olhares e no calor dos abraços, era percetível o eco de corações transformados.

Chegámos de vários lugares, mas despedimo-nos todos de um mesmo lugar-lar comum: a certeza da missão partilhada, a convicção unânime de termos sido eleitos para esta missão e de estarmos a percorrer a senda de Deus e imbuídos na sua resposta ao tempo: ser, viver e oferecer família.

Huerta Grande foi a nossa pousada

A comunidade territorial da União das Famílias, com os seus variados e marcados matizes regionais, trouxe nestes três dias – de 13 a 15 de agosto de 2016 – a sua experiência de unidade. Participaram 108 casais com os seus filhos de todas as idades: mais de 350 pessoas no total. O vigoroso anseio pela missão comum e a inclusão vital nos abraço dos irmãos, permitiu-nos nutrir para continuar o caminho.

De quatro em quatro anos realizamos estes encontros territoriais para elevar a temperatura vincular e a consciência de missão da nossa comunidade, reunindo sobretudo as várias gerações, cursos e regiões. O lugar: as serras de Córdoba, um lugar privilegiado no centro do país. Província que alberga o terreno do Cura Brochero, que será canonizado em 16 de outubro como o santo da misericórdia, primeiro santo argentino.

Em Santiago de Compostela aprende-se que o caminho do peregrino está repleto de pousadas. Ali, generosos estalajadeiros alimentam, acolhem, curam feridas, entregam o coração e animam a continuar a travessia. A pousada não é para ficar, mas para fazer uma pausa e continuar. Não há pousada sem irmãos generosos, não há pousada sem alimento preparado, sem partilhar o que se tem, sem a confiança de que é o Senhor quem guia, espera e redime, durante e no final do caminho.

Huerta Grande foi a nossa pousada. Agradecemos a todos os que, com alma de estalajadeiro, nos acolheram e cuidaram, para que se cumprisse esta pausa criadora no nosso caminho de vida e de missão.

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Como foi esta pausa?

O relato para todos os que não puderam estar e para revivermos este percurso cheio de surpresas e bênçãos.

O principal ingrediente: os participantes. Daí intuir a riqueza da convivência. Muitos filhos, bebés, crianças, adolescentes e jovens. Uma festa de espontaneidade e alegria. Não havia fronteiras para os diálogos e para a participação (menos na hora de dormir). Juntaram-se com a mesma fraternidade os nossos convidados do exterior: Rosa María e Josef Wieland, atuais chefes internacionais da União que vieram da Alemanha para viver a família connosco.

Não de menos importância, a legião de organizadores cinco estrelas. Atentos, serviçais e presentes em todo o evento e tendo previsto com ampla experiência, todas as situações. A esta legião pertencem também todos os federados que assumiram tarefas de construção de áreas específicas do encontro: liturgia, música, ateliers, dinâmicas, atividades com os filhos, espaços de oração.

Um marco: o painel de testemunhos

Resumo as notas essenciais com as palavras de Rosa María e Josef Wieland, que nos impulsionaram a exportar a experiência porque lhes pareceu inédita (uuuuuyyyy!)

Ficaram sem palavras com a profunda identidade schoenstattiana: a missão de Schoenstatt, o carisma do Padre Kentenich é o essencial e respira-se em todo o momento. O ambiente religioso familiar, que é sempre um anseio de conquista para todas as uniões. Códigos de comunicação jovem. Os jovens que ingressaram em cada região são os que renovam os códigos de comunicação e tornam o ambiente dinâmico e jovial do encontro. Protagonismo das regiões.

“A vida nasce da vida”: no meio do encontro houve um acontecimento que alguns já lhe atribuíram o caráter de marco vivencial para a nossa comunidade de famílias: o painel de testemunhos de vida de três irmãos nossos do curso 1, do curso 17 e do curso 31, cujas vidas foram tocadas fortemente pela dor e pela imensa misericórdia de Deus.

jefes territoriles Arg.

María Inés de Masi e José Epele

Deixar-se inundar pela misericórdia e sair para misericordiar

Quero resumir o impacto num pedido que fez o nosso Pai e Fundador à Mater em 1952 na nossa pátria, quando abençoou o Símbolo do Pai para o interior do Santuário nacional (Florencio Varela): “Queremos suplicar a Deus que nos dê homens e mulheres que não só saibam falar bem, mas que compreendam toda a força e todo o peso desta imensa missão que nos foi dada por Deus para a época de hoje, e que estejam dispostos a entregar a sua vida por ela”. Este pedido era uma expressão do seu anseio concreto para a Argentina, e podemos dizer que a promessa se cumpre hoje nas nossas fileiras… Deus deu-nos essas pessoas e hoje todos somos testemunhas. A nossa comunidade territorial foi abençoada com grandes exemplos, alguns que nesta oportunidade pudemos conhecer e celebrar. No silêncio comovido de todos crescia o anseio de identificar-se com este modelo de santidade: deixar-se inundar pela misericórdia e sair a misericordiar.

Vemos com alegria que este encontro reativou a nossa mística federativa. Neste sentido teve um lugar de especial atenção a projeção apostólica, abundante, concreta, ampla e fecunda, nos âmbitos de influência de todas as regiões. A exaltação da vida interior resultou evidente ao tornar presentes os nossos federados do céu, rezar em família a Jesus sacramentado, inaugurar a Sta. Missa de crianças, e pela especial presença do primeiro santo argentino que será canonizado em outubro: o cura Brochero. A referência profunda e esclarecedora do Pe. Ludovico à exortação papal “Amoris laetitia” ressaltou especialmente a dimensão da nossa missão, dentro do espírito da Igreja. Todos os ateliers colaboraram em acrescentar novas perspetivas para a conquista da santidade quotidiana e o estilo de vida matrimonial e familiar.

Com o casal Wieland

A mensagem do casal Wieland

Finalmente recebemos do casal Wieland:

Proposta e pedido: no próximo encontro convidar casais de outros países para viver connosco a experiência.

Especial oferta: o Estatuto da União Apostólica das Famílias Internacional (ad experimentum) que depois de dez aos de trabalho viu a luz no recente Capítulo 2015. A edição apresenta-se em cinco idiomas, e está destinada a cada federado de todo o mundo. Uma noticia comprometedora para todos: somos a comunidade pars motrix maior de Schoenstatt, e também a maior na Argentina. Em termos de responsabilidade fundadora, coloca-nos num lugar de grande projeção.

Uma convocatória fundamental: a celebrar os cem anos de Hoerde, fundamentalmente no território, mas juntando e aderindo a celebração internacional em Schoenstatt na semana de 20 de agosto, em Schoenstatt original y en Hoerde, com toda a Obra de Schoenstatt.

Ser, viver e oferecer família

No encerramento do encontro, recebemos dos nossos chefes María Inés e José Eduardo, as palavras de envio, priorizando a gratidão, a renovada decisão pela missão e o convite a tornar nosso o impulso do encontro em cada região e em cada curso: ser, viver e oferecer família.

Conscientes do ano jubilar que se aproxima e da transcendência para a refundação no coração, nos Santuários e na pátria, da União Apostólica de Schoenstatt, abrimo-nos às propostas e projetos que possam surgir de toda a comunidade para juntar ao espírito genuíno desta celebração.

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Original: espanhol. Tradução: Maria de Lurdes Dias, Lisboa, Portugal

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