Colocado em 25. Março 2016 In Vida em Aliança

Giuseppe Marramarco: Um fiel missionário de Maria

BRASIL, Ir. M. Rosequiel Fávero, via tabormta.org •

A Semana Santa começou, para a Família de Schoenstatt do regional Sul e do Brasil, com uma triste notícia: o falecimento de Giuseppe Marramarco, conhecido pelo seu incansável apostolado com a Imagem Peregrina Auxiliar entre os presidiários do Rio Grande do Sul.

Sua vida foi transformada por um encontro com o Servo de Deus João Pozzobon, em 1985

Nascido na cidade de Corleto Perticara, Província de Potenza na Itália, Giuseppe Antonio Marramarco imigrou para o Brasil em 24 de março de 1951, aos 23 anos. Ao chegar a Porto Alegre/RS, foi morar num quarto de pensão do bairro Floresta. Foi frentista num posto de gasolina e depois de um ano de sacrifícios conseguiu reembolsar ao pai e ao padrinho a quantia do empréstimo que lhe permitira viajar de navio até o Brasil. Trabalhou de graça num açougue para aprender um ofício e quatro anos mais tarde teve condições de abrir o seu próprio açougue, entretanto, já casado com uma moça de Garibaldi/RS, Clarita Lorenzi.

Sua vida foi transformada por um encontro com o Servo de Deus João Pozzobon, em 1985, poucos dias antes da morte deste último. Numa das muitas entrevistas que deu em 2002, quando a empresa jornalística RBS lhe conferiu o título de ‘Gaúcho honorário’, ou em 2010, quando a Câmara de Vereadores de Porto Alegre lhe concedeu o título de ‘Cidadão de Porto Alegre’, Sr. Marramarco contou: “Ele (João Pozzobon) transformou minha vida. Percebi que aquele homem velho, quase cego, havia feito tanta coisa, enquanto eu só queria saber de ter dinheiro e prazer. Por três anos, estive numa luta interior entre viver para o dinheiro ou trabalhar para Deus. A força de Deus foi maior. Parei de trabalhar para ser missionário”.

Assumindo a Imagem Peregrina Auxiliar do Santuário de Porto Alegre, Sr. Marramarco começou a dedicar-se, como João Pozzobon, a levar a Mãe Peregrina a hospitais e escolas, mas foi nos presídios que encontrou seu campo privilegiado de apostolado.

Coordenador estadual da Pastoral Carcerária e um dos criadores da Fundação de Apoio ao Egresso do Sistema Penitenciário

Dedicou-se incansavelmente aos encarcerados e seus familiares, sendo sua atuação reconhecida muito além do Movimento de Schoenstatt. Foi coordenador estadual da Pastoral Carcerária e um dos criadores da Fundação de Apoio ao Egresso do Sistema Penitenciário (Faesp). Com sua ‘Peregrina’ entrava nos setores mais perigosos dos mais temidos presídios do Rio Grande do Sul, como o de Charqueadas/RS, de segurança máxima, e o Presídio Central de Porto Alegre. Incontáveis vezes testemunhou ter visto homens desfigurados pela situação que viviam caírem de joelhos por detrás das grades, diante da Mãe Peregrina. Na sua caminhada missionária ajudou certamente muitos a encontrarem o caminho para a conversão.

O seu grande zelo apostólico era alimentado pela oração e a vinculação ao Santuário. Um sacerdote da Diocese de Porto Alegre deu, em 2015, o seguinte testemunho sobre ele: “Como seminarista, muitas vezes acompanhei o Sr. Marramarco no seu apostolado. Muito me impressionava a sua atuação apostólica, mas mais impressionante ainda era vê-lo rezar silenciosamente, diante do Santíssimo”. Presença marcante na vida da Família de Schoenstatt, foi justamente a renovação da coroação da ‘sua’ Imagem Peregrina o ato central das celebrações do Centenário da Aliança, em outubro de 2014, junto ao Santuário Maria Cor Ecclesiae, em Porto Alegre.

A ‘Mãe seguiu o caminho’ e o Sr. Marramarco também

No ano passado, consciente da diminuição de suas forças e de que a Mãe Peregrina ‘precisava seguir seu caminho’, Sr. Marramarco entregou-a aos cuidados das Irmãs de Maria de Schoenstatt, em Porto Alegre. A Divina Providência teceu os fios de tal forma que uma semana antes da sua partida para a eternidade, no encerramento da Jornada Regional de Coordenadores da Campanha da Mãe Peregrina, os representantes da Arquidiocese de Porto Alegre assumissem a responsabilidade pela Peregrina Auxiliar que fora a fiel companheira do Sr. Marramarco, numa singela celebração de ‘reenvio’, no Santuário Tabor, em Santa Maria/RS.

A ‘Mãe seguiu o caminho’ e o Sr. Marramarco também. Agora, na eternidade, ele há de ser fiel intercessor junto de Deus por aqueles que deram o seu sim para continuarem o apostolado que ele desempenhou com tanto amor.

Além do Servo de Deus João Pozzobon e muitos outros que dedicaram sua vida à Mãe à Mãe e Rainha de Schoenstatt, a Família de Schoenstatt tem mais um exemplo em que se espelhar.

Fonte: www.tabormta.org

“Italiano leva luz ao cárcere”

No ano de 2002 Schoenstatt.org publicou um artigo sobre Giuseppe Marrarco, por ocasião desta homenagem:

“Ao completar 45 anos de história, a RBS, maior rede multimídia do sul do Brasil, homenageou com o troféu Gaúcho Honorário 2002 nesta segunda, dia 2, em Porto Alegre, 10 personalidades que adotaram o Rio Grande do Sul para viver e trabalhar. O técnico pentacampeão Luiz Felipe Scolari, o Felipão, comandou a entrega das premiações, em cerimônia realizada no Teatro do Sesi. Entre estes homenageados estava um homem simples, de origem italiana, que encontrou João Luiz Pozzobon poucos dias antes de sua morte em 1985 e desde então leva a Mãe Peregrina aos prisioneiros.

No dia 25 de agosto de 2002, o jornal “Zero Hora” publicou o seguinte artigo sobre Giuseppe Antonio Marramarco.

Não é padre, nem José…

Entre os 1,1 mil imigrantes espanhóis, italianos e portugueses que desembarcam no porto Santos em 24 de março de 1951, há um jovem de poucos estudos e ainda menos recursos que vencerá na vida, dará educação superior aos quatro filhos e, ao final, abdicará do dinheiro e do lazer para dedicar-se aos desfavorecidos.

Nos presídios gaúchos, que percorre carregando uma imagem de Nossa Senhora, esse homem é conhecido pelos apenados como Padre José. Não é padre, nem José. Seu nome é Giuseppe Antonio Marramarco.

A legenda do “Padre José” nasceu de um encontro com o diácono João Luiz Pozzobon, o candidato a santo gaúcho que percorreu 140 mil quilômetros a pé levando uma imagem da Mãe Peregrina de Schoenstatt. Marramarco esteve com ele uma única vez, em 1985, poucos dias antes de sua morte. Foi o bastante.

– Ele transformou minha vida. Percebi que aquele homem velho, quase cego, havia feito tanta coisa, enquanto eu só queria saber de ter dinheiro e prazer. Por três anos, estive numa luta interior entre viver para o dinheiro ou trabalhar para Deus. A força de Deus foi maior. Parei de trabalhar para ser missionário – resume Marramarco, hoje com 74 anos.

Integrado ao movimento apostólico de Schoenstatt e continuando Pozzobon no hábito de carregar para todo o lado a imagem da Mãe Peregrina, decidiu colocar-se ao serviço daqueles que considerava os mais esquecidos e abandonados dos pecadores: os presidiários. Hoje coordenador da Pastoral Carcerária da Arquidiciose de Porto Alegre, tem no currículo 14 anos de visitas a presídios para levar conforto espiritual e material aos presos e a suas famílias.

– Vou de prisão em prisão, rezando e dando aconselhamento aos presos. São pessoas desesperadas, para quem tento levar alguma luz. Nesse tempo todo, nunca um presidiário disse uma palavra ofensiva para mim.

“Hoje não tenho nem meia hora livre…”

Cinco anos atrás, Marramarco ampliou essa ação para fora dos presídios, ajudando a criar a Fundação de Apoio ao Egresso do Sistema Penitenciário (Faesp), da qual é vice-presidente. A instituição auxilia ex-apenados a se reintegrarem, empregando-os ou cooperativizando-os.

– Quando sai da cadeia, o ex-presidiário não tem para onde ir e volta ao crime por falta do que comer. Dos 200 que já atendemos, nem que tenha sido com uma cesta básica, só conhecemos um que reincidiu – observa.

Ocupado da manhã à noite com presidiários e egressos das cadeias, o missionário também encontra tempo para presidir o Instituto de Assistência Social aos Italianos, que fundou e por meio do qual ajuda 120 imigrantes nascidos na Itália que se encontram em situação de pobreza e abandono no Estado. Vai ao encontro de cada um uma vez por ano.

– Hoje não tenho nem meia hora livre. Minha jornada começa às 6h e termina à meia-noite. Nunca trabalhei tanto – revela.

Agora ele tem tempo…

O apóstolo da Pastoral Presidiária continuará sua missão no céu, disto estamos certos. Em Tuparendá, no Paraguai, está sendo construída nestas semanas a Casa Mãe de Tuparendá destinada a jovens presidiários que acabam de cumprir suas penas, onde receberão formação e acompanhamento em sua nova fase de vida.

01. Aquí construimos la Casa Madre de TR

Fotos: tabormta.org, tvcamara-poars.blogspot.com

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