Colocado em 2015-04-07 In Igreja - Francisco - movimentos, Vida em Aliança

Encarnación tem sido terra de missão: hoje está chamada a ser terra de missionários

Por Maria Fischer, desde Encarnación•

Toda a cidade de Encarnación, a “pérola do sul”, está de festa. Em todas partes se veem cartazes, faixas com as cores pátria e da Igreja, a catedral iluminada, uma serenata com artistas conhecidos. É a véspera do grande acontecimento: a celebração dos 400 anos da fundação de Encarnación, cidade que leva o nome do grande acontecimento que a Igreja universal celebra em 25 de março: a encarnação do Verbo divino no seio de Maria. “A Encarnação que celebramos tem muito mais de 400 anos. O momento da anunciação marca o início de uma nova etapa na história da humanidade. Há mais de dos mil anos inauguramos o novo tempo de Cristo com a alegria do anúncio, a eleição da mais abençoada, seu sim ao desejo divino e a concepção do Verbo, que se faz carne, se faz humano, por nós e por nossa salvação. Em Jesus, nascido da Virgem, o mistério de Deus feito homem, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, irrompe na história da humanidade necessitada de redenção. O redentor assume nossa humanidade e a conduz em si mesmo a vitória sobre a morte e o pecado em sua paixão, sua morte e sua ressurreição”, disse Mons. Francisco Javier Pistilli na Missa solene celebrada na catedral de Encarnación.

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O coração de São Roque e um momento de aliança solidária com Francisco

Este 25 de março, a catedral já estava repleta mais de uma hora antes do começo da Sta. Missa. Crianças e jovens com bandeiras de associações e colégios tomam a rua, o coro entoa canção após canção, os amigos se cumprimentam, e muitos aproveitam a espera para aproximar-se do nicho de vidro que guarda o coração de São Roque González de Santa Cruz – o santo jesuíta paraguaio fundador desta cidade – e para rezar um momento diante da imagem de Nossa Senhora da Encarnação. A catedral está envolta numa atmosfera de fé, de amor, de alegria.

Não tenho credencial de imprensa para este evento, mas com minha carteira de jornalista me permitem passar bem a frente. Toco o vidro do nicho, e neste momento lembro que há umas semanas o Santo Padre Francisco pediu a alguém que saudasse em seu nome ao coração de São Roque. Não pediu a mim, óbvio, mas aqui estou e cumpro, em aliança solidária, seu pedido…

Os santos encarnam o testemunho de Cristo para cada tempo e cada lugar

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A Santa Missa foi presidida por Mons. Francisco Javier Pistilli Scorzara, bispo da diocese de Encarnación, Padre de Schoenstatt, e concelebrada pelos bispos eméritos Ignacio Gogorza Izaguirre e Claudio Silvero Acosta, acompanhados por todos os párocos do decanato de Encarnación. Participaram na cerimônia o presidente do Paraguay, autoridades nacionais e regionais, como também diplomáticos estrangeiros, autoridades civis e militares, convidados especiais e a cidadania ”encarnacena”, “e inclusive a imprensa internacional”, comentava Sonia Zaracho, da Obra Familiar de Schoenstatt, referindo-se a schoenstatt.org. Sim, Schoenstatt.org esteve presente nesta Missa solene na cidade que recebeu o olhar do Padre, com um de seus filhos espirituais e grande colaborador de Schoenstatt.org presidindo a Eucaristia.

Depois de saudar especialmente a monsenhor Ignacio Gogorza e a monsenhor Claudio Silvero, “meus irmãos no episcopado e a todos meus irmãos sacerdotes”, Mons., Pistilli deu uma bem-vinda fraternal “aos irmãos da Igreja Ucraniana Greco católica, e aos irmãos cristãos de outras Igrejas aqui presentes”.

“Cada tempo e cada cultura ao longo da história da Igreja volta a submergir no mistério de Cristo. Cada cristão e cada comunidade cristã revive em seu momento o desafio de abrir-se à graça, a gratidão do amor de Deus, para conduzir e elevar rumo a Cristo nossa natureza eleita mas ao mesmo tempo ferida. Nas alegrias e tristezas de nossa história, nas vitórias e nas derrotas de nossas lutas se manifesta Cristo, que, com sua graça, vai tecendo sua presença na memória do cristão para conduzi-lo a plenitude de sua santidade, como o fez na vida de São Roque González de Santa Cruz. Os santos “encarnam” o testemunho de Cristo para cada tempo e cada lugar”, disse Mons. Pistilli em sua homilia, destacando o motivo e a razão para celebrar jubileus: celebrar é relembrar com gratidão, celebrar é renovar a graça e a entrega, celebrar é renovar o envio e a força para construir o Reino no novo tempo, celebrar é renovar a fé e o seguimento de Cristo, como Maria e como São Roque.

A alegria do evangelho “encarnada”

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Com referência a “Evangelii Gaudium”, destacou que “a alegria do Evangelho, da boa notícia, é um convite a encarnar uma pastoral próxima aos homens e a as mulheres de hoje nas novas situações, sendo cristãos que irradiem por seu modo de viver, livres de temores e de queixas, livres de desconfianças, livres de complexos de inferioridade ou de superioridade muitas vezes disfarçados de rígidas convenções. Uma pastoral próxima cuida, sana, alegra, sustenta, com testemunhos de vidas plenas, não com vidas desarticuladas da realidade que Cristo veio a redimir.

A alegria do Evangelho se encarna em obras e ações que sustentam uma ação social orientada ao bem comum, que chega aos que estão mais afastados, que sai em busca e não espera com indiferença, que busca compartilhar e se enriquece no dar. A alegria do Evangelho não se vive em solidão, senão em comunidade, na comunhão dos que são fortes juntos e privilegiam ao que está longe da luz, da ternura, do lar.

A alegria do Evangelho se encarna numa educação nova, que forma homens e mulheres que não se fecham em formalismos nem em costumes rígidos, mas que se abrem a dinâmica da caridade desde a conversão pessoal e desde a misericórdia. Esta alegria nasce da verdadeira conversão que reconhece que apenas Deus é quem nos faz santos, se sustenta nesse Cristo vivo que não se fecha em si mesmo e não se deixa fechar em ideias estranhas ou ideologias que afastam o cristão de Cristo. Esta alegria nos torna fortes sem nos fechar, para que sejamos fermento em todas partes.”

Alegramo-nos porque podemos escutar a saudação de Deus em muitas vozes deste tempo, com mudanças e desafios, com testemunhos criveis do Evangelho como o Papa Francisco.

Ao final da Missa, a imagem da Virgem de Encarnación e o Coração de São Roque saíram em procissão desde a catedral pelas ruas de Encarnación. Igreja em saída, tal como o Santo Padre Francisco o diz como um programa para toda a igreja, para cada Movimento, cada pessoa. A tarde, a família de Schoenstatt de Encarnación reflexionava sobre o desafio de ser, desde o Santuário, santuários vivos “em saída”, na alegria do evangelho, tal como disse Mons. Pistilli ao terminar a homilia:

“Alegramo-nos porque podemos escutar a saudação de Deus em muitas vozes deste tempo, com mudanças e desafios, com testemunhos criveis do Evangelho como o Papa Francisco. Alegramo-nos porque hoje somos nós os protagonistas de uma nova etapa de anúncio do Evangelho que quer chegar mais longe e mais profundo que em outras épocas. Alegramo-nos porque fomos eleitos para participar e ser a comunidade dos novos missionários que encarnam o Evangelho para novas gerações.”

Original: espanhol. Trad.: Lena Ortiz, Ciudad del Este, Paraguay

 

Mons. Javier Pistilli, predica 25 marzo

29 de marzo de 2015 – Encarnación

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