Colocado em 2014-09-10 In Vida em Aliança

UNANIMITER – Auf Deinen Spuren (Nas tuas pegadas) – Viagem ao centro da Alemanha

ITÁLIA, Federico Bauml. Vinte rapazes, italianos, de origem e “adoptados”, à conquista de uma Alemanha, toda por descobrir. Passando, obviamente, por Schoenstatt.

 

Auf Deinen Spuren (Nas tuas pegadas)

Que coisa impulsiona vinte rapazes a passar a semana de meados, do mês de Agosto na Alemanha? (N.T. em Itália esta semana é uma semana de férias “sagrada” é o Ferragosto-Festa da Assunção de Nossa Senhora)

Talvez o clima? Cada um tem os seus gostos, mas acho que a chuva, o anorak e as temperaturas abaixo dos vinte graus são coisas, das quais, menos temos saudades. Terá sido a comida? Também , neste caso, tenho algumas dúvidas.

Resta, apenas, uma solução: a companhia. Sim, deve ser esta a resposta exacta.

Ou melhor, uma parte da resposta exacta. É a parte da resposta que vem de jacto, a que, no início da cada viagem, faz derreter a reserva sobre a própria participação fazendo pender o fiel da balança em direcção ao sim. Mas, é uma resposta ainda incompleta.

Frequentemente, a outra parte da resposta, não se compreende de imediato, um pouco como a língua, na qual, nesta ocasião estava escrito:”Auf Deinen Spuren”… E, que quer dizer? Pois bem, significa “nas tuas pegadas”.

E, então agora, a resposta torna-se completa.

Se, é verdade que, parafraseando Proust, “viajar não é só descobrir lugares novos, mas ter olhos novos”, é, exactamente, aquele Auf Deinem Spuren a fornecer-nos a chave de leitura que transforma uma semana em sítios lindíssimos, com a companhia perfeita, em qualquer coisa especial, mais do que uma simples viagem.

A Alemanha e Schoenstatt       

Durante este ano houve um fio condutor especial que ligou o nosso grupo à Alemanha e, conivente contributo claro do Espírito Santo (encontrar um grupo, no qual, seis pessoas em vinte e quatro, falam alemão, acho que se pode estabelecer um record), tudo apareceu naturalmente.

São tantas as coisas que trazemos detrás: as jornadas e os serões passados juntos, a beleza dos castelos e dos burgos medievais, o romantismo do Reno e do Danúbio, passando depois pela gótica religiosidade das Catedrais até chegar ao inferno de Dachau.

E, depois, estamos em 2014. Um ano especial, o ano no qual aquela “ideia maluca” de um pequeno grande homem completa cem anos.

Schoenstatt não é um lugar como os outros. Percebemo-lo ainda antes de se chegar (mais ou menos, à altura do cartaz que nos adverte da passagem das rãs), quando o Santuário Original é apenas um pontinho que, apenas, se entrevê atrás da curva. Há um ar diferente. Uma sensação de leveza, graças à qual o mundo, por um instante, é posto entre parênteses e apoiado num ângulo.

O orgulho em mostrar Schoenstatt aos amigos é, talvez, o presente mais belo que, alguns de nós recebemos. Também , ao fim e ao cabo, pouco importa se já se esteve lá, ou não, porque se é verdade que, a quem já esteve, afloram recordações e momentos lindíssimos, é incrível como cada viagem a Schoenstatt seja sempre como a primeira vez.

O churrasco; o serão no Santuário Original junto com os voluntários para 2014, a Missa no Santuário Original e na Casa dos Padres, em Sião, e tantas outras coisas ainda, são postaizinhos de viagem indeléveis de uma viagem, na qual, fomos acompanhados por um guia especial,o homem graças ao qual tudo começou. Ao Padre Kentenich e ao aprofundamento da sua vida, devemos muito, do bom êxito, da nossa peregrinação.

UNANIMITER

Pego no diccionário de latim, ao lado da palavra UNANIMITER lê-se: Advérbio. 1 – harmonicamente, unânimemente, de comun acordo. 2 – em harmonia, com concórdia”.

Bastará, talvez, esta definição para descrever o significado de unanimiter?

Provavelmente não e, talvez não chegasse um diccionário inteiro . Mas, ajuda.

Se, por um lado, de facto, a concórdia é a união de intuitos entre os membros de uma comunidade, pelo outro lado, a harmonia é o ramo da Teoria Musical que estuda a sobreposição dos sons e a sua concatenação recíproca.

Lá onde as palavras não chegam, então, podem ajudar-nos as imagens e o unanimiter pode ser visto como uma orquestra, na qual, cada instrumento é, ao mesmo tempo, diferente dos outros e indispensável, para que, todos possam tocar uma única melodia: pode tornar-se um arco-iris no qual cada cor se mistura com as outras; pode ser aquele poliedro tão querido ao Papa Francisco.

E, se pode tornar –se em todas estas coisas, pode ser, também, um grupo de rapazes que partilhou uma viagem-peregrinação, na qual cada um contribuiu com a sua parte, organizando (a propósito, obrigado), servindo, falando, brincando, sorrindo, chorando, guiando, pondo à disposição a sua casa. Em suma, sem nada fazer de diferente, mas fazendo as mesmas coisas, de um modo diferente.


Original italiano: Tradução, Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.