Colocado em 2009-09-18 In Vida em Aliança

As missões são possíveis! De uma idéia louca a uma loucura de amor

Missões 2009 Theresia Rutzmoser. Imagine que tocam a campainha de sua casa. Abre-se a porta e diante dela, dois jovens com uma imagem da Virgem Maria nos braços. Se apresentam como um grupo de jovens católicos que querem falar sobre a fé e que além disso, convidam-o a participar em várias atividades na paróquia. Loucos? Corajosos? Fora do normal?

Esta cena não foi inventada: se faz realidade centenas de vezes. Sucedeu-se durante as Missões 2009 “Viver a fé”, que se realizou pela primeira vez em solo alemão desde o dia 30 de agosto até 6 de setembro de 2009 em Ginsheim, um bairro do município de Ginsheim-Gustavsburg, na diocese de Magúncia.

 

Missionários pelas ruas de GinsheimAs Missões são uma iniciativa de jovens cristãos que não somente sonham com uma Igreja viva, mas, que querem dar um testemunho concreto disso. Há anos as Missões, tanto na América do Sul como América Central e México, na Espanha, Portugal e Itália, são uma experiência de fé e de evangelização de uma eficácia indescritível, experimentada nestes países por jovens da Alemanha e que agora também se faz presente em seu próprio país, assim também como na Suiça, uma semana depois das missões na Alemanha. Para o grupo de missionários, composto por 17 jovens, 3 Irmãs de Maria, 1 Padre de Schoenstatt e 1 Diácono, essa experiência de fé se deu durante uma semana no Centro Paroquial da Paróquia Santa Maria em Ginsheim, visitando os vizinhos e conversando com eles, rezando por suas intenções e organizando atividades para jovens e adultos. Por que eles sacrificaram 10 dias de suas férias anuais ou semestrais? Isso se expressa no lema: “Incendiaremos a fé como Apóstolos da tua alegria!”, foi a motivação dos jovens e lema que dia-a-dia os impulsionavam à conquista.

Enviados com a Cruz da Missão, a Virgem Peregrina e uma camiseta de cor amarela chamativa

Para empreender esse ousado projeto era imprescindível o envio, a benção, que teve lugar nada mais nada menos que no Santuário Original. Conscientes de que a responsabilidade das coisas que iam acontecer durante as Missões tinham como chefe – Deus e a Mater – se colocaram a sua disposição como instrumentos. Como sinal disto, receberam solenemente a Cruz da Missão – presente da Espanha – a imagem peregrina e uma camiseta de cor amarela chamativa com o logotipo das missões.

Com essa camiseta não era nada discreta a presença dos missionários quando eles se apresentaram na paróquia, na missa de abertura (chamam-se missionários na Alemanha também, para destacar a experiência profunda que eles tiveram em missões na Espanha e América Latina). A reação dos paroquianos na missa foi de surpresa, observação e de uma grande expectativa, mas, sempre amistosa e receptiva. Assim, não ficou difícil os primeiros contatos. No domingo pela tarde, os portadores da alegria de cor amarela saíram com o povo na festa do Corpo de Bombeiros.

De dois em dois, casa por casa

MissionandoQuando se concretizou as Missões, quando os jovens foram de dois em dois, casa por casa, pessoa a pessoa, as experiências não podiam ser as mais diversas: muitas portas não se abriram, ou obtiveram respostas pelo interfone que não tinham o interesse em recebê-los. Foram raras as vezes que receberam algum insulto ou que foram confundidos com Testemunhas de Jeová, porém, tiveram conversas surpreendentes e amáveis por cima da cerca do jardim, e de vez em quando, surgiram diálogos profundos, onde as pessoas missionadas confiavam aos jovens seus anseios e necessidades, quando compartiram com eles a alegria de ter fé o quando tiveram a benção de rezar juntos.

Um casal de missionários contou seu encontro com uma senhora de idade avançada: ao princípio ela não queria recebê-los, mas, logo se dispôs a conversar com eles. Contou que fazia pouco tempo que seu esposo havia falecido e que justamente aquele era o dia do seu aniversário de casamento. Finalmente, os convidou para entrar em sua casa e conversaram por bastante tempo. Ao final da conversa, rezaram juntos um Pai Nosso. Quando a senhora se despediu, disse a eles que aquela visita era como uma saudação do seu marido, que também era Schwaben (região da Alemanha entre os estados de Baden-Wurttemberg e Bavária onde se fala o dialeto alemão Schwäbisch) assim como um dos jovens missionários, devido ao sotaque inconfundível…

Este es uno de los muchos grandes y pequeños encuentros que hacen de las misiones algo único y especial, y con los que se podría escribir todo un libro.

Permaneciam depois da oração vespertina

Terço iluminado na ParóquiaNas visitas as casas, os jovens convidavam aos missionados para atividades que eles mesmos organizavam na paróquia. Ofereciam uma variada programação para crianças, uma noite para os jovens em torno à fogueira com uma oficina com temas da juventude, um jantar à luz de velas para casais, onde além da boa comida, ofereceu-se motivações sobre a vida matrimonial. Fora isso, os jovens prepararam diariamente uma oração vespertina na Paróquia, com cantos, velas e danças. Julia, uma das missionárias nos relata: “Depois do último canto as pessoas permaneciam simplesmente sentadas ali. Falávamos que a oração havia terminado e que podiam ir para suas casas, mas, seguiam ali sentadas. Então, os convidamos a continuar cantando e assim continuamos sentados na igreja e cantando as canções que eles queriam. Não queriam ir embora!

Uma das Irmãs de Maria que os acompanhou conta que um dos homens que há décadas vivia próximo à igreja, nunca havia pisado na paróquia antes. “Quando perguntaram para ele se havia gostado da oração vespertina, começou a chorar”.

Na casa para anciãosNa casa para anciãos ou nas escolas

Entre as atividades dos jovens estava previsto também uma visita à casa para anciãos, onde levaram violões e cantaram um repertório de antigas canções populares. Os jovens ofereceram seu tempo e amabilidade a essas pessoas mais velhas e que merecem atenção e respeito.

Outro grupo visitou a escola integrada (que reune em um só edifício o ensino primário, médio e superior), onde prepararam várias horas de catequese, gerando um grande entusiasmo nos alunos. Nos pequenos grupos que se formaram em cada classe, os meninos discutiram com muito fervor sobre Deus, sobre sua fé e sobre o mundo.

na paróquiaDurante todo o apostolado nas visitas porta a porta, houve um lugar na paróquia onde o grupo se reunia sempre: a capela batismal. Foi como um centro espiritual, calorosamente preparado como Santuário das Missões. Aí se encontravam os jovens para a oração da manhã antes do café e no final do dia, depois da oração da noite. Deste lugar também partiam ao encontro com a gente da comunidade, equipados com um impulso para esse dia. Até a capela dirigiam seus passos quando regressavam das visitas domiciliais e apresentavam a Deus tudo o que foi vivido naquele dia, as pessoas visitadas e suas intenções. E saiam da capela batismal acompanhados sempre pela oração de alguém que ficava diante do Santíssimo pelos que iam de porta em porta, da mesma maneira que incontáveis pessoas, tanto na Alemanha como em todo o mundo, acompanharam com suas orações os primeiros passos das missões em solo alemão.

Oração dos missionáriosDaqui, enviamos um cordial “Deus lhe pague” a todos os que nos apoiaram com suas orações! Sabem que não podíamos realizar sozinhos essa experiência, nos deram muita força e confiança.

Onde dois ou três se reunem em meu Nome…

O que teria sido das Missões sem a força dos jovens!? Durante os almoços se ouvia a gritaria selvagem dos 22 jovens que trocavam suas experiências nas visitas às casas. O intercâmbio sobre as vivências com a comunidade, dava a eles todo o ânimo e força quando um casal de missionários voltava deprimido porque durante toda a manhã, todas as portas se fecharam para eles. Em todas as situações, o grupo compartilhou tanto o “sucesso” como o “fracasso”.

A diversão também fez parte na comunidade, porque a alegria é algo próprio do apóstolo. Não havia um programa estabelecido para as reuniões noturnas: cada um fazia um aporte criativo. Por exemplo, os jovens se divertiram como loucos quando a regra era jantar com uma mão atada à mão do vizinho ao lado da mesa. E os jogos simples em comum fizeram que as noites se extendessem muito além do planejado.

Esta semana encontrei-me muito mais próximo com a fé e com Deus

MissionáriosO desafio comunitário das Missões, ter um objetivo comum, incendiou novamente a fé, formou uma comunidade intensa de efeito contagioso. Um jovem de Ginsheim com quem conversaram os missionários em um parada de ônibus, que foi convidado a acompanhá-los, participou todos os dias do programa interno do grupo: missa, reunião da tarde e oração da noite. Apesar de todos seus questionamentos sobre a fé, sentiu-se como peixe na água junto com o grupo e no último dia, também foi missionar com eles de porta em porta e conversar com as pessoas. Quando se despediram disse: “Esta semana encontrei-me novamente perto da fé e de Deus. Espero que nos vejamos de novo!”

Jamais estive tão próximo de Deus como nestes dias

O que pode expressar em palavras esse jovem, também sentiu-se na Eucaristia de encerramento da semana: gratidão pelo compromisso e o exemplo dos jovens e pelo renovado entusiasmo que levaram à paróquia. Um dos paroquianos, que no domingo passado havia perguntado muito criticamente porque queriam missionar se eles já era católico, disse ao final das missões: “Tiro o chapéu para o que vocês fizeram aqui, Isso é algo bom, seguramente fizeram refletir há muitas pessoas, continuem sempre!”

É possível! Missões 2009 em Ginsheim - Fotos: Johanna BeckerRostos radiantes, abraços apertados e olhos cheios de lágrimas na despedida, foram sinais evidentes de que algo mudou nos corações do povo de Ginsheim. Mas, não somente para eles, também Deus operou no interior dos missionários. Assim expressou um jovem ao avaliar as Missões: “Jamais estive tão próximo de Deus como nestes dias”.

Tradução: Cássio Leal

Envio no Santuário Original

Álbum de fotos

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