Colocado em 6. Abril 2019 In Projetos

“Não se esqueçam de visitar as pessoas do bairro”

ARGENTINA, Carlos Daniel Barbagallo •

“Não se esqueça de visitar as pessoas do bairro.” Quase como um legado, sua voz tênue, fraca, mas com a firmeza e convicção daqueles que recebem o chamado de Jesus, ressoou nos ouvidos daqueles que a acompanhavam. Ana Gamboa, com seus apenas 30 anos, terminou seus dias na terra como resultado de um linfoma de Hopkins. Era o ano de 1978.

Ana pertenceu à Juventude Feminina do Movimento de Schoenstatt de La Plata. Ela se definiu como a ovelha negra do Pai, porque estava muito relutante em aceitar as imposições educacionais, típicas da época. Estudou arquitetura e, nesses anos, freqüentou a casa Isabel La Católica para jovens em conflito com a lei. Sempre muito próxima das necessidades dos outros, agregava àquela proximidade o canto e a música com a alegria daqueles que têm Jesus em seus corações.

Frequentou também o bairro de San Nicolás em Florencio Varela, onde desempenhou a sua tarefa de catequista.

Em 30 de março de 1977, durante a ditadura militar, o ano jubilar do Santuário de Florencio Varela, Ana foi sequestrada e levada para um dos muitos centros de detenção que os militares tinham. Foi uma época de escuridão, uma das mais difíceis da história da Argentina. Ana era uma luz naquela hora triste e sombria.

“Eu acredito que a Virgem me protegeu. Eles nos tinham encapuzado e naqueles momentos eu rezava o rosário forte, muito forte. Eu tentei cantar e levantar os espíritos dos outros para que aqueles momentos de tortura e dor fizessem sentido”, disse mais tarde. Ela foi libertada na estrada para Punta Lara, perto da cidade de La Plata. Logo depois, ela contraiu a doença que levaria à sua morte. Ele morreu em 22 de outubro de 1978.

Uma luz para os tempos atuais

Quarenta anos depois, nós recebemos sua luz. Hoje é outro contexto, mas a escuridão continua. A escuridão da distribuição de renda, marginalização, falta de trabalho e moradia, pobreza extrema, a violação e falta de acesso a muitos direitos coagidos, especialmente para as mulheres. Hoje Ana continua conversando e nos questionando.

Graças ao espaço que nos foi dado pelo arcebispo de La Plata, Víctor Manuel Fernández, no âmbito das ações da Pastoral Social Diocesana, junto com pessoas de outros movimentos e pessoas de boa vontade que vieram dar uma mão, fizemos a bênção do espaço. Exposição cultural Ana Gamboa sobre o Dia da Memória da Verdade e da Justiça que comemora o golpe cívico-militar de 24 de março de 1976. Este espaço é especialmente projetado para o acompanhamento de mulheres em risco. Mariel, irmã de Ana, nos disse “Eu acho que Ana teria adorado trabalhar neste lugar”.

Com a força do ideal pessoal

Nosso pastor, no momento da bênção do lugar, nos disse que o ideal pessoal de Ana tem uma dimensão enorme porque ela queria ficar perto de seus companheiros que estão longe da fé, ajudar pessoas carentes em um bairro periférico da cidade e despertar a consciência de que o mundo religioso não se afasta, mas compromete, embora possa doer não poucas vezes.

Acreditamos que seu ideal tem grande relevância para a Argentina hoje. Ele nos desafia e nos compromete a abrir este espaço onde oficinas, abrigo, aconselhamento jurídico serão oferecidos, mas acima de tudo, as mulheres serão acompanhadas em seus direitos, enquanto tentam desnaturalizar o machismo, tão arraigado em nossa sociedade.

Nesta jovem vemos uma mensagem, uma chave para milhares de mulheres que têm o rosto de Jesus sofrendo.

Ana, filha do padre José Kentenich, tem muito a dizer. O espaço está aberto.

 

 

 

 

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Foto acima: Catedral de Plata, Diego Coppola, iStockGettyImages 688502504, licensed for schoenstatt.org

Original: Espanhol, 28.03.2019. Tradução: João Pozzobon, Santa Maria, Brasil

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