Colocado em 3. Junho 2018 In Projetos

Projecto FIDES GROUP: management, vidas de santos e encíclicas para uma empresa diferente

Entrevista de Carlos Barrio y Lipperheide, CIEES Argentina •

“Há 4 anos pus a mim próprio a questão de, como poder conciliar a minha vida espiritual com a minha actividade empresarial”. Management, vidas de santos, negócios e serviços, pedagogia orgânica e encíclicas conjugam-se para uma empresa diferente… Assim, surgiu o Projecto FIDES GROUP que, está a desenvolver Gervasio Videla Dorna.—

Em 27 de Abril passado, tive o prazer de me reunir, em San Isidro, com Gervasio Videla Dorna. Gervasio é um jovem argentino, executivo e empresário schoenstatteano, engenheiro industrial, licenciado pelo Instituto Tecnológico de Buenos Aires (ITBA). Tem um MBA do IAE (Instituto de Altos Estudos Empresariais) e uma pós-graduação em Estratégia e Inovação do MIT (Massachussets Institute of Technology) nos Estados Unidos da América. Está casado com Victoria Maschwitz, têm 3 filhos e trabalha actualmente como Director Comercial na empresa Zoetis, sendo o responsável pela Argentina, Paraguai e Bolívia.

Concomitantemente ao seu trabalho como Director Comercial de Zoetis, o Gervasio está a desenvolver o apaixonante projecto de construir um empreendimento baseado na sua cosmovisão Kentenichiana.

O seu entusiasmo é contagioso e vale a pena conhecer por dentro o seu projecto FIDES GROUP que já apresenta aspectos muito concretos de realização e uma enorme projeção, cuja dimensão total é difícil de imaginar.

– Como nasce o projecto FIDES GROUP?

– Este projecto nasceu há 4 anos e tem vindo a evoluir muito bem. Já se comprometeram 87 pessoas desde Setembro de 2014.

Após alguns anos de inquietação espiritual e de variadas leituras, trabalhando há mais de 15 anos em empresas multinacionais, pensei quão interessante seria, para qualquer empresário, poder conciliar a sua vida espiritual com a actividade empresarial, à qual dedica tantas horas e energia. Tinha em mente alguns conceitos de management, experiências de vidas de santos e encíclicas papais que, me pareceu que, podiam unir-se para desenvolver um tipo de empresa diferente. Uma noite, em Junho de 2014, escrevi um documento no qual verti estes conceitos e, com isto, fui falar com o meu director espiritual para saber a sua opinião. Falei-lhe sobre um tipo de empresa nova, cujo objecto fosse baseado na Encíclica “Caritas in Veritate” de Bento XVI, na Exortação “Evangelii Gaudium” do Papa Francisco e em certos aspectos da pedagogia Kentenichiana. Concordámos que o melhor caminho talvez fosse procurar uma empresa assim que, já estivesse em marcha para trabalhar nela mas, após vários meses de procura, não a encontrei. Então, restava-me o caminho mais longo: construí-la. E comecei.

– Que desafio!

Sem dúvida. A primeira coisa que fiz foi reflectir, bem a fundo, sobre o modelo de empresa que rondava na minha cabeça e, cheguei a uma primeira definição: uma empresa é uma instituição que, mediante a produção rentável e sustentável de bens e serviços, deve estar orientada para o bem comum e deve promover o desenvolvimento integral da pessoa e, se o desenvolvimento é integral, Deus tem que estar incluído. Se não, é um desenvolvimento parcial e, definitivamente, não evoluímos, em plenitude, como pessoas.

Acho que é aí que está um pouco a origem dessa “não alegria no trabalho” da qual você fala: quando trabalhas, Deus não tem lugar, muitos pensam que “negócios são negócios”. A minha humilde percepção é que, hoje, Deus não tem lugar na tomada de decisões, no processo operativo de uma empresa e, na realidade deveria ter, quase como um pilar estratégico, porque Deus está em todos os lados. Lembro-me de uma reunião com um sacerdote amigo que me disse: “Estás louco. És um idealista. Vais dar um trambolhão!” Saí bastante desmotivado mas, decidi redobrar a aposta e, ir ver o dono de um fundo de investimento, o qual eu não conhecia, esperando uma negativa quanto à exequibilidade e interesse em desenvolver uma coisa assim. Ele disse-me “parece-me espectacular, não temos a mais pequena ideia de como fazer mas, vamos para a frente”. O mais interessante é que, nesse momento, só tínhamos um conceito de empresa mas, não o produto ou o serviço a oferecer. Então, decidimos fazer o óbvio (?) rezar à procura de inspiração.

Uma empresa que vive da oração

Gervasio continua a explicar: – Neste conceito de empresa que vamos construindo é fundamental a oração e a renúncia à vontade própria, para ouvir a vontade do verdadeiro dono. Nós somos simples administradores dos bens de Deus. Pouco a pouco, comecei a perceber que, se quero ser um bom administrador tenho que ouvir o dono. Por isso, aqui, tem um grande papel o tema da oração, do silêncio, da direção espiritual para conseguirmos um bom discernimento.

Eu rezava e perguntava-me: “E, agora o que é que faço?”. Um dia quando ia rezar o Terço da manhã com pais da escola dos meus filhos, dei de caras com um quadro do Papa Francisco e uma frase que me inspirou muito. Esta foi pronunciada durante a Jornada da Juventude em 2013 no Rio de Janeiro, onde Francisco disse “Façam barulho…cuidem dos extremos da vida que são os jovens e os idosos. E não liquefaçam a fé em Jesus Cristo”. Então, ficou muito claro para mim que estávamos chamados a cuidar dos idosos e dos jovens e da saúde deles. E, foi aí que, arrancaram as áreas de negócios. Como empresa. Já tendo definido as áreas de negócio, queríamos também conseguir 4 objectivos equidistantes:

  • Que os projectos fossem sustentáveis e, logo, rentáveis. A rentabilidade permite sustentá-lo no tempo e permite a escalabilidade.
  • Em segundo lugar, que fossem âmbitos de desenvolvimento espiritual, sempre propondo, nunca impondo nada, inclusivamente, independentemente do credo, ainda que, no nosso caso a empresa tenha um ideário católico.
  • O terceiro elemento a ajuda ao próximo, ou seja, que todos os projectos permitissem também ajudar o próximo.
  • E, o quarto elemento, que seja um âmbito educativo.

Desta forma, promove-se o desenvolvimento económico, o desenvolvimento espiritual, o desenvolvimento social e o desenvolvimento intelectual; isto é, é levado a cabo um desenvolvimento integral.

– O mesmo é dizer, desenvolveste um olhar orgânico da empresa?

– Assim é, Carlos. Isto é chave e estou certo que é possível, não é uma utopia!

Há um pequeno exemplo que hoje existe, que pertence a Schoenstatt e que é o Sanatório Mater Dei de Buenos Aires. É uma instituição superavitária, com o qual, gera progresso e bem-estar; é um âmbito de desenvolvimento e de promoção espiritual, onde estão as Irmãs de Maria que, são as donas; é uma empresa de ideário católico, ainda que, os doadores, os médicos, os pacientes sejam de qualquer credo. Por outro lado, a ajuda ao próximo dá-se através de iniciativas sociais e pastorais do Movimento de Schoenstatt e, o âmbito educativo é inerente a uma instituição deste tipo, onde fazem workshops, cursos, etc. Então descobri que é possível desenvolver empresas deste tipo hoje em dia.

Na minha fragilidade, vou à oração, aos Sacramentos e a esperança volta

– O que me está a acontecer é que, tudo isto que estamos a tratar há 4 anos, é um caminho desconhecido para mim, porque não se sabe qual o próximo passo a dar. É um caminho que está muito agarrado ao tema da fé, porque quando fui tratando do projecto surgiu-me a pergunta, por onde começo, onde darei o próximo passo, como se vai para a frente com isto? E, quando o olho do ponto de vista humano, duvido se vou poder fazê-lo. É aí que entra a fé, onde Deus tudo pode e onde o teu melhor sócio é Jesus. São momentos difíceis, mas ao mesmo tempo, fundamentais porque me mostram a minha fragilidade e me ajudam a pedir auxílio e a trabalhar a minha humildade. Por isso, requer muita oração que, é vital para atravessar os nossos altibaixos na fé. Quando tenho os “níveis” da fé em baixo, digo-me “isto não vai chegar a lado nenhum” e afrouxo mas, consciente disto, vou com mais insistência aos Sacramentos e à oração e, a esperança volta. Imagino que é assim o caminho espiritual de qualquer pessoa na vida.

E, também acontece que, quando se lidera este tipo de projecto, perguntamo-nos se temos forças ou capacidades para o fazer. Sente-se a solidão do capitão. E, nesse ponto, é quando tenho que recorrer novamente à força da oração e à humildade em reconhecer que sou apenas um instrumento. É, na realidade, um Combate Espiritual, como dizia um santo.

Gervasio emociona-se e, nota-se que vive o projecto FIDES GROUP com muita intensidade, passando, em poucos instantes, de um estado de alegria e euforia a outro de certa incerteza e preocupação, como se estivesse numa montanha russa.

A sua atitude faz-me reflectir e intuir que uma coisa nova está em gestação no mundo empresarial. Vejo nele uma forma nova de liderar, na qual, à empresa, é integrada a sua vida de fé, uma fé que se percebe muito viva no íntimo do seu coração.

Concretamente, como se estão a evoluir os Projectos de FIDES GROUP?

Este novo conceito de empresa sobre o qual te falava, o que traçámos para o FIDES GROUP, arranca hoje com um projecto muito concreto na área de Adultos Idosos. O projecto chama-se Comunidade Mãe Admirável (CMA), não é por acaso que se chama assim! A Mater tem estado connosco desde o início.

E tem a ver com uma rede de residências para adultos idosos, baseada no modelo europeu, que não é um casarão adaptado para 30 adultos idosos. Estamos a falar de lugares muito maiores para, pelo menos, 120 adultos idosos e o qual é uma mescla de hotel de 5 estrelas com serviço de saúde e, claro, um trabalho sobre a promoção do desenvolvimento espiritual dos residentes, independentemente do seu credo. Na Argentina, hoje em dia, isto não existe, ainda que o mais parecido seja o lar Ledor Vador da comunidade judia que é exclusivo para a dita comunidade, tem mais de 300 idosos e trabalham excepcionalmente bem. Porque arrancamos com adultos idosos? Além de querermos levar Deus à empresa, a muitos daqueles que hoje formam FIDES GROUP também lhes foi despertada uma vocação: cuidar dos débeis e, neste caso, dos adultos idosos. A fragilidade, que vivem estas pessoas, não é só física, mas também emocional. Vivem um tipo de pobreza que transcende qualquer estrato social: a solidão.

É por isto que arrancamos com os mais marginalizados dentro dos adultos idosos, isto é, os que têm uma situação de dependência. Uma situação de dependência é quando um idoso não pode fazer alguma das actividades da sua vida diária: não pode comer sózinho, ou movimentar-se sózinho, ou fazer a sua higiene sózinho. É uma situação muito dura, não somente para o residente, mas também, para a sua família. Estamos a falar, por exemplo, de pessoas com Alzheimer avançado ou pessoas acamadas e, inclusivamente, pessoas numa etapa terminal de alguma doença.

Começaremos oferecendo-lhes um serviço. É o que se chama um “assisted living”. O que existe em alguns sítios é uma etapa prévia que, se chama um “independent living” que é um idoso auto- suficiente que quer ir viver para algum lugar que tenha algumas adequações arquitectónicas para que, por exemplo, não caia no banho ou tenha uma porta um pouco mais larga para que passe uma cadeira de rodas ou tenha uma enfermaria muito básica. Na Argentina ainda não há uma cultura do “independent living”. Experiências locais e internacionais mostram que o “assisted living”  é o que, a seguir, puxa a procura do “independente living” e não o contrário. Para nós o “assisted living” é por onde se deve começar, principalmente, por uma questão vocacional já que se trata das pessoas mais esquecidas e mais dependentes, mas também, por uma questão estratégica de negócio. Na Argentina, 94% dos geriátricos são do tipo AC que são para debilidades físicas e algum tipo de debilidade psíquica leve. Quer dizer, que se, se está num geriátrico deste tipo e se adoece de Alzheimer tem que se ir embora, provocando um impacto psíco-emocional tremendo que acelera o deterioro da pessoa.

Nós queremos avançar, não com um espirito de lucro mas, vocacional, não podemos dizer que não a ninguém. Vamos cuidar de todo o tipo de debilidades dos idosos, quer seja, uma debilidade leve ou até ao que está a chegar a um estádio terminal, porque, desde um ponto de vista moral e católico não posso aceitar um segmento porque é mais lucrativo para mim e deixar de lado o segmento mais necessitado de todos. Teremos que encontrar maneira para o tornar sustentável. Esse é o desafio. E, encontramos a maneira com muita oração e com muito trabalho!

No que diz respeito ao projecto, estamos a avaliar várias alternativas na zona norte da grande Buenos Aires e na cidade de Buenos Aires. O projecto mais avançado é para pessoas com maior debilidade que, provavelmente, desenvolveremos na Zona Norte. Já estão feitos os planos, a arquitectura desenhada por um estúdio espanhol especializado e que trabalha com as principais cadeias na Europa e, estamos no processo de aprovações municipais e provinciais.

Investimento de 12.000.000 USD e valores partilhados

Este projecto requer um investimento de, à volta de, 12.000.000 USD, dos quais quase 3.000.000 USD é para financiar o equipamento, mobiliário e o capital circulante. Estamos, neste momento, a iniciar a segunda parte do fund raising (angariação de fundos) que são à volta de 9.000.000 USD para a compra do terreno e para a construção do edifício com capacidade para 137 camas. A média na Europa é de 120 camas. Estes são os modelos rentáveis. Na Argentina a unidade média é de 37 camas. Encontrámos muito mais interesse em investidores que comungam dos valores que queremos transmitir e partilhar neste projecto.

– Gervasio, há uma coisa que gostaria que explanasses. Dizes que têm que arranjar 9 milhões de USD para o FIDES GROUP. Como vais cativar os investidores? Que rentabilidade e sustentabilidade lhes ofereces neste projecto?

– Tem que ficar claro que, como toda a start up, tem os seus riscos. Em primeiro lugar, o que dizemos aos possíveis investidores é que olhem para a procura que existe hoje: é, segundo os nossos cálculos, 6 vezes a oferta. Isto determina a possibilidade da geração de receitas. Desde o ponto de vista do preço, a nossa escala e algumas iniciativas que estamos a projectar, desde a parte arquitectónica, vão-nos permitir cobrar tarifas da ordem de 20% menos que outras alternativas similares que, são muito poucas. Desde o ponto de vista da escala, achamos que, a escala óptima se situa entre 100 e 140 camas, similar à média europeia. Temos um acordo com os dois maiores grupos espanhóis; um administra 107 centros e 144.000 assistidos, isto é, 144.000 camas. Com estes 2 grupos acordámos em intercâmbio técnico fluido.

Estas companhias que faturam 400 milhões de euros e, já se expandiram na Europa, pensam: Como continuo a crescer, tendo que atravessar o oceano? Começam a ver outros mercados: os mercados emergentes. O primeiro destes grupos entrou no México em 2016 ou princípios de 2017. Então, será questão de tempo a sua chegada à Argentina e, isto, também é atractivo para alguns investidores que pensam como seria a sua saída. Nós pensamos que estamos no momento certo para desenvolver este negócio na Argentina.

Estrutura societária

Este projecto é levado a cabo com uma sociedade gestora e uma sociedade de real estate. Tal como existe na hotelaria, onde há empresas que administram um imóvel que, por vezes se sub-arrenda a uma empresa que se encarrega do real estate. Então, no nosso projecto temos:

  • CMA Care Service, e
  • CMA Real Estate.

Quem investe nesta start up vai poder investir em qualquer das duas sociedades. O investidor de CMA Real Estate vai comprar o terreno e construir. CMA Care Services vai pagar à CMA Real Estate uma renda e no final do 4º ano vai comprar o terreno e o construído ao preço original mais um prémio de 30%. Na prática, CMA Care Service é quem arrendará o imóvel a uma taxa bastante atractiva e o vai recomprar à CMA Real Estate com um mecanismo similar ao que se realiza quando se compra um quarto no hotel para ter uma renda, isto é, venderemos “camas” com renda e possibilidade de as trespassar a um herdeiro. Fomos por este esquema porque, para este tipo de start ups , a Argentina não oferece financiamento bancário, pelo que não há alavancagem financeira (é um termo genérico que designa qualquer técnica utilizada para multiplicar a rentabilidade através de endividamento) possível até 3 anos da operação.

O atrativo do esquema de financiamento é que damos, ao investidor, uma saída potencial ao fim de 4 anos. Mas, pode acontecer, e estamos neste momento a falar com um grupo, que um investidor diga “eu quero ficar e cobrar esse aluguer das camas”. Isto costuma acontecer na Europa e nos Estados Unidos, onde existem fundos de investimento dedicados exclusivamente à compra deste tipo de imóveis para residências de idosos.

– Excelente explicação do projecto, Gervasio. Parece muito atrativo mas, onde está a ajuda ao próximo?

Gervasio entusiasma-se e brilham-lhe os olhos antes de responder a esta pergunta. Noto que, é um aspecto que lhe interessa muito.

– Nós, Carlos, somos pontes entre os que têm e os que não têm. Parte da rentabilidade gerada destinar-se-á à ajuda ao próximo. Como sempre dizemos, isto não é para qualquer investidor nem qualquer manager. Aqui existe uma seleção pessoal de uma firme intenção de ajudar o próximo.

Temos várias iniciativas.

  • Assistência a residências de escassos recursos, as nossas Residenciais “Filiadas”, a quem CMA oferecerá financiamento, organizará actividades de fund raisinganuais, e ajudará a nível operacional a tornar eficazes processos e a conseguir poupanças.
  • Vamos criar um Centro de Formação que é uma escola de especialização para auxiliares de enfermagem. Este é o recurso escasso e, o objectivo é formar pessoal do ponto de vista técnico e detetar as vocações para as potenciar e desenvolver. A nossa rede CMA oferecerá possibilidades de saída laboral, assim como, a nossa rede de Residenciais Filiadas, facilitando o acesso ao trabalho e melhorando a qualidade dos profissionais.
  • E o terceiro ponto, é o financiamento de micro empreendimentos. O que iremos precisar, nós? Muita lavandaria, por exemplo, e, assim, no dia de amanhã estes micro empreendimentos que vamos financiar, poderão oferecer os seus serviços a outras empresas que precisem de lavandaria, como hotéis ou hospitais locais. Vamos co-ajudar o desenvolvimento destes empreendimentos.

– Muito interessante e um completo desafio! E como se processa o aspecto do desenvolvimento espiritual que vão levar a cabo?

– No desenvolvimento espiritual Schoenstatt tem um papel chave. Estamos a falar com os Padres e as Irmãs de Maria de Schoenstatt para que tenham presença nestes centros: para que a Mater tenha aceitação nestes lugares. Sempre propondo, convidando, nunca impondo. Temos (i) por um lado, uma rede de oração pessoal de quem está a trabalhar neste projecto, (ii) muito trabalho e (iii) também copiamos a Madre Teresa de Calcutá que tinha os “outros eu”. Ela tinha uma rede de pessoas que rezavam pelas Irmãs da Caridade. Bem, há um montão de pessoas que estão a rezar por este projecto que, se for da vontade de Deus que se concretize e chegue a bom termo, assim será.

Quanto ao desenvolvimento intelectual temos duas iniciativas para levar por diante:

  • Através do Centro de Formação que mencionámos anteriormente que, por si só, é também um centro de desenvolvimento intelectual.
  • E, com este grupo de pessoas que estaremos a cuidar 24 horas por dia queremos capitalizar todo este conhecimento e experiência através do que chamamos o CICE: Centro de Investigação de Ciências do Envelhecimento. O objectivo do CICE é desenvolver conhecimento a nível da investigação para ser fonte de informação orientado a: (i) sector público, para tratar de ajudar a criar políticas públicas orientadas ao bem-estar do idoso na Argentina e (ii) ao sector privado. Para este último ponto queremos trabalhar com o IAE para o programa Naves (programa de empreendedores) para desenvolver o que chamamos o Senior Entrepreneurship Program. O objectivo é despertar entre os participantes de Naves o interesse na área dos idosos de maneira a pegar numa necessidade detectada do idoso e constituir uma equipa de estudantes e um ou mais idosos de CMA para pensar e desenvolver um produto ou serviço economicamente viável, para depois entre nós, com o fund raising que possamos criar, o desenvolvermos.

Recordando a origem, Gervasio partilha: “Pensar que tudo isto arrancou há 4 anos de uma maneira muito simples, perguntando-nos. E se fizéssemos um geriátrico? E, hoje estamos em face de uma oportunidade e de um desafio enormes dos quais nos queremos tornar responsáveis. Graças a Deus, também vimos que há muita gente que quer ajudar e pôr os seus talentos, somos muitos!”

– Como se podem vincular as pessoas que queiram participar neste empreendimento?

– Há muito para fazer, todos podemos ser co-criadores deste ou de outro projecto. O mais importante é, que possamos direcionar-nos para um tipo de empresa diferente, com esses 4 objectivos equidistantes, promovendo o desenvolvimento integral do Homem.

Pessoalmente, tenho prazer em partilhar esta experiência e, sem dúvida, somar vontades. Assim, ponho à disposição o meu mail ([email protected]) e o meu telemóvel (­+54911 44452130). Não tenham problema em me contactar

A conversa com o Gervasio continuou por mais algum tempo e será vertida proximamente num outro artigo. Tocou-me o seu enorme e contagioso entusiasmo. A sua fé no projecto é tão grande que eu tinha vontade de ficar para colaborar e oferecer, nesse mesmo momento, as minhas forças e o meu tempo para tudo o que fosse necessário.

Ao terminar a reunião, saí cheio de alegria e optimismo. O sol brilhava e parecia-me mais sol que nunca.

Enquanto caminhava para ir para o carro, meditava no efeito expansivo e mobilizador que tinha tido a conversa de um sacerdote a um reduzido grupo de seminaristas num 18 de Outubro de 1914 numa capelinha, num localidade alemã chamada Schoenstatt, a mais de 12.000 quilómetros de distância de onde me encontrava, tendo transcorrido quase 104 anos.

Senti que a Mater está mais viva e presente que nunca.

 

Original: espanhol (27/5/2018). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

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