Colocado em 26. Abril 2018 In 100-casas-de-solidaridade, obras de misericórdia

Uma pequena cidade solidária: 216 casas falam da Aliança Solidária

PARAGUAI, Maria Fischer •

“Do Santuário aos pobres”. Com esse lema, João Pozzobon, o iniciador da Campanha do Terço da Mãe Peregrina, construiu a “Vila Nobre da Caridade”, unindo o Santuário de Santa Maria com esta vila através de uma Via Crucis. —

“Do Santuário quis ajudar especialmente as famílias, em suas visitas aos lugares se preocupava pela sua situação familiar e procurava atender depois a suas necessidades. Assim mesmo, caracterizou-se com uma dedicação muito preferencial pelos pobres e mais necessitados, pelas crianças, pelos mais desamparados nas zonas rurais, pelos doentes. São incontáveis os exemplos. Basta nomear simbolicamente a Vila Nobre da Caridade da Mãe e Rainha, que ele iniciou já em 1952 e que cuidou até o final. Ali ergueu em 1980 uma ermida com o lema “Viver e ensinar a viver. Ermida do pequeno Povo”. Foi seu expresso desejo, reiterado pouco antes de morrer, que a Via Crucis que ele doou unisse o Santuário com a Vila Nobre, do Santuário aos pobres. Através da Campanha, Maria quer prolongar sua Visitação como a Mãe que serve, personaliza, cria família e se preocupa pelos mais necessitados. Esta dimensão social deve ser levada em consideração na Campanha para ser fiéis a Seu João, a uma missão evangelizadora global e para fazer-se eco das palavras do Magnificat”. (Documento de Consenso Santa Maria 1984).

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 João Pozzobon com o Pe. Esteban Uriburu na Vila Nobre da Caridade

A pequena cidade solidária construída desde os cinco continentes

Por que recorremos ao  modelo da Vila Nobre da Caridade, o “pequeno povoado”, a expressão simples da adesão da Campanha à opção pelos pobres, quando queremos fazer um artigo sobre aquela pequena cidade solidária que se construiu nas periferias de Assunção, Paraguai? A resposta é simples: ambas cidades solidarias nasceram da mesma atitude.

O projeto “100 casas solidárias” que se desenvolveu entre os anos 2013-2017, realizou a entrega de uma casa própria a 216 famílias de recursos escassos, que viviam em condições de miséria nas periferias da capital paraguaia. Embora as casas não estejam todas juntas em um prédio, mas dispersas por onde vivem as famílias elegidas e onde se pôde conquistar um terreno, esta é uma pequena cidade solidária e foi contribuição de Schoenstatt.org ao jubileu dos 100 anos da Aliança de Amor.

 

Agradecendo sua futura casa

Cada casa foi uma história, uma visita

Desde maio de 2013, este projeto denominado “100 casas solidárias” foi-se transformando em um sem-fim de histórias pessoais de solidariedade. Com cada casa doada e construída, surgiam nomes que logo se transformavam em rostos agradecidos e mas tarde em visitas e encontros pessoais. Com cada história detrás de uma casa, surgiam outras histórias, novos pedidos e mais doações. Assim se foi gerando uma cadeia de vínculos desde os cinco continentes com as 216 casas doadas, em aliança solidária com as famílias mais pobres da periferia de Assunção e como expressão da aliança solidária com o Papa Francisco.

Ao terminar o projeto no final de 2017, fica um grande “Muito Obrigado” a cada uma das 216 famílias que nos permitiram presenteá-las com uma casa. Sentimos a alegria que somente pode surgir de uma obra de misericórdia feita em plena sintonia com nosso Senhor Jesus.

Demorou muito tempo e esforço para levar adiante o projeto das 100 Casas. No final, os protagonistas eram Ani Souberlich (agora Diretora da Casa Madre de Tupãrenda) e sua pequena rede de colaboradores no Paraguai, e uns 10 membros do “Dreamteam” de Schoenstatt.org que pessoalmente fizeram seu o projeto e conquistaram quase 80% das casas em suas redes sociais. As outras casas vieram desde os artigos publicados em Schoenstatt.org que motivaram as pessoas de lugares muito longe do Paraguai, a colaborar com a doação de uma ou mais casas solidárias. Foi uma trabalho com correntes de vida e uma vivência incrível.

 

A casa “Santuario Original”

“Se não há um seguimento, convertemo-nos em assistencialistas e não educamos”

Voltamos ao tema da Vila Nobre da Caridade do Seu João, “que ele iniciava já em 1952 e cuidou até o final”. Por não poder seguir cuidando das famílias que iriam receber casas, tomamos a decisão de terminar com o projeto das 100 casas no final de 2017, com muita tristeza por deixar-lo e com muita gratificação pelo vivido ao longo destes quatros anos de vibração com cada uma das que iam a ser 100 e terminaram sendo 216 casas graças a enorme generosidade de tantos.

“Se me parte o coração ao deixar as casas…porem à luz da Divina Providencia creio firmemente que agora eles me pedem entregar alma, vida e coração a Casa Madre de Tupãrenda”, comentou-me Ani Souberlich em dezembro passado. “Do meu ponto de vista, o único que te posso dizer é que não é dar somente um teto, deve haver todo um seguimento humano, se não, convertemo-nos em assistencialista e não educamos”.

O que fica é essa gratidão, e todas estas famílias que agora vivem em uma casa, e o saber que a Aliança Solidária que o “Dreamteam” de Schoenstatt.org selava há 5 anos, o 31 de maio de 2013, encontrou para sempre uma expressão concreta: 216 casas solidárias para 216 famílias.

 

Original: Espanhol, 16.03.2018. Tradução: João Pozzobon, Santa Maria, Brasil

100 casas solidárias

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