Colocado em 20. Abril 2016 In obras de misericórdia

Sem roupas e me vestiram…

PARAGUAI, por Ani Souberlich e Maria Fischer •

Uma tarde na vida de quem vive em aliança solidária com os mais pobres: “agora cheguei em casa vindo do trabalho. Tomei um banho e mãos à obra: passar as roupas que lavei ontem, para fazer pacotinhos para as famílias de nossas ‘100 casas’ e as que encontro no caminho…”.

Quando Ani Souberlich se reúne com seus ex companheiros do colégio, com amigos ou com schoenstattianos, eles já sabem o que vai acontecer: ele pede roupas que não usam mais, jogos e tudo aquilo que seus filhos usaram ano passado no colégio. Também aceitamos panelas, utensílios de cozinha… simplesmente tudo o que alguém que não tem nada possa necessitar e usar.

Tudo que chega na sua casa é separado: a roupa é lavada e passada; às vezes tem que arrumar uma bicicleta que doaram ou outra ferramenta. Tudo é separado em sacolas e pacotes para serem levados às famílias no momento que parar a chuva e os caminhos voltarem a estar transitáveis.

“Bom se fosse possível ter os meios e o tempo para ajudar a todos por igual… mas não dá para fazer tudo. Acho que o Bom Deus se alegra com nossa constância e esmero! ”, comenta Ani.

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Escutam as conversas e vêm outros mais para ver as roupas

O domingo do dia 3 de abril estava ensolarado e quente. “Estou repartindo jogos, comenta Ani, e a cara das crianças já paga tudo. Tão pouca coisa e mesmo assim os olhos brilham”.

As mães e alguns pais se aproximam para ver as roupas e as provam para ver se ficam boas…. Escutam as conversas e vêm outros mais para ver as roupas…”

É tão pouco, mas ao mesmo tempo, muito. As roupas, os jogos… por acaso não são os cinco pães e os dois peixes? “Então, disse-lhe um de seus discípulos, André, irmão de Simão Pedro: Um menino está aqui que tem cinco pães de cevada e dois peixinhos, mas o que é isto para tanta gente? ” (Jo 6, 8-9). Umas 30, 40, 50 sacolas de roupas e jogos, umas 160 casas solidárias, o que seria isto para tanta gente? Mas… o que é isso nas mãos de Jesus? Frente ao pedido de que contasse sua vida como vítima da ditadura comunista, o Cardeal François Xavier Nguyen Van Thuan, do Vietnam, respondia: “Eu faço como dizia a passagem do Evangelho em que Jesus dá cinco pães e dois peixes: isso não é nada frente a uma multidão de milhares de pessoas, mas é tudo seu e Jesus faz tudo, é dom e mistério. Como o menino do Evangelho, resumo minha experiência em sete pontos: cinco pães e dois peixes. É pouco, mas é tudo o que tenho. Jesus fará o resto…

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