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Colocado em 2022-04-29 In Missões, obras de misericórdia, pastoral prisional

“Tenho que continuar a lutar e ter fé em Deus”

PARAGUAI, Maria Fischer •

“Tenho de continuar a lutar e ter fé em Deus”, lê-se na carta que Juancito, um jovem de Villarrica, escreveu em 13 de Abril de 2022, enquanto os jovens das Missões Universitárias Católicas do Paraguai estavam em missão no Centro Educativo de Itauguá (CEI) e no Centro Educativo La Esperanza (CELE), ambos centros para jovens delinquentes, privados da sua liberdade. Uma carta chegou-lhes depois das missões e fez-lhes decidir regressar à missão nos Centros Educativos de Itauguá (penitenciárias para menores).

Falámos sobre esta carta no sábado, 23 de Abril, com Edgar Duarte e dois outros missionários, enquanto viajávamos do Santuário Jóven em Asunción para Itauguá, mais de duas horas para apenas 35 km, devido ao tráfego intenso, e falámos sobre esta carta na viagem de regresso….

“Ser preso é a pior coisa que nos pode acontecer”, escreve Juancito, que vimos novamente este sábado quando visitámos a nova ala para aqueles que fizeram 18 anos, enquanto estavam a cumprir a sua pena de prisão.

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Porque é que vamos em missão aos Centros Educativos?

As missões nas aldeias do interior durante a Semana Santa são um desafio. Agora estão a ser alargadas aos Centros Educativos. Um desafio ainda maior. Porque o fazem?

Um dos convites do Papa Francisco é viver a misericórdia de Deus com o nosso próximo, seguindo os ensinamentos de Jesus: “Vinde, benditos do meu Pai, recebei a herança do Reino preparado para vós desde a criação do mundo […] porque eu estava na prisão, e viestes ver-me” (Mt 25,34-36), e foi assim que surgiu esta bela missão.

Os requisitos para a participação são claros: ter mais de 22 anos (de preferência) até aos 33 anos de idade, ter experiência missionária e/ou apostolados prisionais, participar na reunião anterior no Centro Educativo de Itauguá. “Os líderes da missão devem mesmo ir várias vezes nos sábados anteriores com o grupo de voluntários da Pastoral Prisional, para que os jovens nos conheçam muito bem – estas visitas à prisão são um desafio em termos de tempo, calor e emoção….

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Porque é que continuamos a fazer trabalho missionário no Reformatório

“Hoje acordei feliz apesar de estar neste lugar”, lê-se na carta, bem escrita numa folha de papel de um caderno recebido nas Missões. “Tenho de continuar a lutar e ter fé em Deus para que um dia tudo isto acabe. Só tenho de suspirar e olhar para cima e agradecer ao Senhor…”. É chocante ler que este jovem pensou em querer morrer em vez de viver esta vida dentro de quatro paredes, trancado, sem esperança.

“Sei que cometi um erro na minha vida e agora estou a pagar as consequências. Mas às vezes não suporto levantar-me, dormir, sonhar, acordar e aperceber-me de que estou neste lugar. Acordo de manhã cedo a olhar para as estrelas e penso muitas coisas sobre o que eu era antes e o que sou agora…”.

Ele não se deixa vencer pelo desespero: “Só Deus é que, nestes tempos difíceis, é quem o ajuda e não o abandona”.

“Por vezes uma porta fecha-se e todo um universo se abre para nós”.

Ao receber e ler a carta de Juancito, a decisão de continuar as missões no Reformatório no próximo ano foi unânime.

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As missões fazem a diferença

A carta é um reflexo simples e profundo do que é partilhado nas missões. “Sabemos agora que as missões estão a fazer a diferença”, diz Edgar.

Juancito, talvez sem o saber, nos tenhas missionado com a tua fé, com a tua esperança, com a tua confiança, com a tua ressurreição.

Juancito, um grande missionário dentro de quatro paredes. “Acordo ao amanhecer a olhar para as estrelas…”.

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Original: espanhol (28/4/2022). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

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