Colocado em 28. Abril 2017 In Missões

Missão em Vico Equense 2017 : para uma Páscoa fora das normas

ITÁLIA, Federico Bauml •

Como é da tradição do Movimento de Schoenstatt, também este ano em Itália se levou a cabo a Missão Familiar por ocasião da Semana Santa

Fora das normas

“Era uma vez 28 italianos, um argentino, uma brasileira, um boliviano, uma francesa, cinco paraguaios e um cão…” O que poderia parecer o início de uma divertida anedota é, na realidade, a lista dos componentes do grupo da Missão italiana por ocasião da Semana Santa 2017: um grupo heterogéneo, composto por adolescentes, famílias, universitários, recém- licenciados e jovens trabalhadores.

A emoldurar a Missão 2017 – estatisticamente, a oitava da Juventude italiana, a quarta durante a Semana Santa – o sol, o mar de Vico Equense, uma joia no coração da Campânia.

A partida está prevista para a Quinta-feira Santa: despertar de madrugada na tentativa de evitar o trânsito romano e chegar a Vico o mais cedo possível. Nos olhos ainda mal abertos pelo sono, as emoções são diferentes: alegria, curiosidade e entusiasmo.

Em Vico está à nossa espera a Liturgia de Quinta-feira Santa, com a sugestiva cerimónia do Lava-pés e a Missa in Coena Domini (a Última Ceia do Senhor), na qual é renovado o milagre da Eucaristia. Apenas o tempo para uma pizza e já estamos de novo na Paróquia de S. Ciro para orientar a meditação, diante do Sepulcro já fechado.

Sexta-feira e Sábado

Depois de se ter dedicado a manhã à visita de algumas casas de repouso, na Sexta-feira à tarde chega o momento do silêncio, da meditação, da Liturgia dedicada à Paixão e Morte de Cristo, cujo centro é a Via Sacra pelas estradas de Pacognano, pequeníssima terra às portas de Vico. O Sábado de manhã é, por sua vez, dedicado à missão “toc toc”, a visita das casas de Vico, para levar às pessoas da região as saudações do Pároco e desejar Santa Páscoa. De tarde, temos a oportunidade de encontrar o Bispo da Diocese de Vico, pronto a acolher-nos com o afecto típico do sul italiano. Um gelado rápido (continuamos na Campânia), uma olhada ao mar e, depois, prontos para a preparação da Vigília noturna, o momento mais importante do Ano Litúrgico, com a honra e o encargo de participar na tradição local inserindo-lhe o nosso carisma.

O Sepulcro está vazio, a escuridão dá lugar à luz, a morte cede o lugar à Vida, a Glória e a Aleluia ressoam jubilosas e voltam ao lugar que as espera. Christos anesti! Alithos anesti!

 

Toc toc

Missão vem do latim “mitto”. Folheando o dicionário, o primeiro significado em que esbarramos é o mais comum, “enviar”, mas basta descer uma linha que se encontram outros também: “dar”, “dedicar”, “deixar partir”, “abandonar” e assim por diante. Afinal, partir para a Missão é também e, sobretudo, isto: dar-se, deixar-se ir. Parte-se de uma maneira e volta-se sempre um pouco diferentes. E não importa quantas Missões tenhas feito, ou qual seja a tua idade, porque, de cada vez, é uma “primeira Missão.

Jesus disse-nos “batei e abrir-se-vos-á” e o nosso “toc toc” está ali precisamente a recordar-nos isso. Porque é verdade que a Missão nos leva a fazer alguma coisa para os outros e que, de cada vez, que alguém nos abre a porta e com ela a sua casa e uma parte da sua vida é uma emoção incrível e a esperança é sempre a de levar um pouco de alegria e uma linda recordação às pessoas que encontraremos.

Mas, é, entretanto, verdade que, os primeiros destinatários da Missão somos exactamente nós, porque aquela emoção que chega logo depois de termos batido à porta já nos mudou mesmo antes de descobrir se, se abrirá ou não.

Porque é bonito saber que se tem um Anjo da Guarda e de poder ser um anjo da guarda. Porque aquele ambiente de visita de estudo criado pelos jovens, contagia todos. Porque andar contra a corrente é menos cansativo se é feito em conjunto e até os “tubarões” fazem um bocadinho menos de medo. Porque ver os frutos do que se semeou é um privilégio concedido apenas a alguns. Porque cantando se reza duas vezes e, quem sabe também três ou quatro e uma guitarra e um sorriso podem fazer a diferença. Porque se dás um recebes em troca dez.

O Pe. Tonino Bello, numa meditação sobre o Sábado Santo, dirige a Maria estas palavras maravilhosas: “ Desperta-nos da impaciência do Seu regresso Dominical. Adorna-nos com vestes nupciais. Para enganar o tempo vem para junto de nós e experimentemos cantar porque as horas não passam mais”. Sem Ela a guiar-nos e a permitir-nos ser as Suas pernas, estes dias não teriam sido tão especiais.

A verdadeira Missão começa agora. MHC

Original: italiano (24/4/2017). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

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