Colocado em 2016-01-28 In Missões

Três missionários em Roma

ITÁLIA, Federico Bauml •

Durante todo o ano de 2015, o Movimento de Schoenstatt em Itália, teve a sorte de receber três rapazes vindos de Assunción, Paraguai. Uma lindíssima experiência, tanto para os rapazes como para nós que, os acolhemos, e aos quais vale a pena dedicar algumas linhas.

“O que quer dizer fazer missões?”

Quando o Pe. Alfredo, depois do verão de 2014, nos disse que, em 2015, chegariam a Roma três rapazes missionários do Paraguai, entre os muitos sentimentos emergentes, um tomou a dianteira: a curiosidade.

Curiosidade dos mais velhos, que, já há nove anos tínhamos conhecido a experiência dos missionários e, que se perguntavam se aquela fantástica experiência seria, de novo, repetível. Curiosidade dos rapazes que, há menos tempo, frequentavam a Paróquia, divididos entre o fascínio da novidade e a dúvida de quem se vê confrontado com uma mudança.

Curiosidade, sim, mas também uma pergunta. Passam os anos, mudamos os pontos de referência, cresce-se, amadurece-se, mas perante esta experiência coloca-se sempre a mesma pergunta: o que leva três rapazes de vinte e três anos a deixarem casa, família, amigos e noivas e, partirem por um ano para Roma para “fazer missão”?

Mas então, “fazer missão”, em concreto que diabo significa?

A raposa do Pequeno Príncipe, a esta pergunta responderia que significa “domesticar”, “criar vínculos” e, depois, prosseguiria explicando que, também, para fazer missão se requer paciência e, que os ritos servem para tornarem “um dia diferente dos outros dias, uma hora das outras horas”.

Eu, que não tenho uma milésima parte do talento de Saint Exupery, poderei dizer que fazer missão significa “doar o seu tempo”.

Já, porque, usualmente o tempo se “perde”, se “mata” , se “procura”, “não se tem” e, se encontras alguém a cuja mente lhe vem a ideia de “o doar”, compreendes logo que tem algo de especial.

Missionari montagna

Os três Caballeros

Mas, descrevamo-los, os nossos três Caballeros vindos de Assunción.

Um é loiro com os olhos azuis e, mais do que da terra guarani parece ter sido arrancado dos fiordes noruegueses. Quer ser Presidente da República e, mesmo que não se lembre quem escreveu “I Promessi Sposi”, fala italiano como se vivesse aqui desde os quinze anos. O segundo é grande e espadaúdo, tem o coração largo como os seus ombros, uma risada contagiosa e uma predileção especial pela carbonara. Depois, vem o terceiro, mais pequenino – mas só em estatura – sempre disponível para todos; fala pouco, mas claro e, sobretudo, faz falar a sua inseparável guitarra.

Mas, em concreto, o que é que fazem quando vão “em missão”?

Em primeiro lugar, cantam, sempre, porque cantando se reza duas vezes. E, depois caminham, sem parar, mas sem correr, para não se perderem no percurso. Acolhem, porque Schoenstatt é, sobretudo, acolhimento, Partilham, o que são, o que têm, o que sonham, o que desejam. Ouvem e interessam-se. E, depois, estão sempre alegres, disponíveis, sorridentes – e, sempre atrasados, mas, na vida não se pode ser perfeito.

Numa única palavra, contagiam. Contagiam todos os que os rodeiam, desde as crianças da catequese às famílias da Paróquia e do Movimento, passando pelos idosos e, obviamente, pelo grupo dos jovens. Contagiam com um sorriso, uma oração, uma palavra, uma canção, um jogo de futebol, uma cerveja ou um barbecue.

Também porque, roubando as palavras a Mark Twain – desculpa Nico, tomo a citação por empréstimo – “a maneira melhor para sermos felizes é tornarmos felizes os outros”.

“Ganhamos a cor do trigo”

O momento das despedidas é sempre um pouco triste.

Tornando a pensar no Pequeno Príncipe, vem-me sempre à mente a pergunta que o protagonista dirige à raposa no momento em que tem que lhe dizer adeus: “e tu, ao teres-me domesticado, o que é que ganhamos?”. A raposa, aludindo à cor dos cabelos do seu amiguinho, responde: “ganhamos a cor do trigo”.

E, nós? Nós, o que é que ganhámos ao termos tido Nico, Jorge e Braulio durante um ano inteiro?

Pensemos um momento.

O que serão duas lágrimas de melancolia em relação a um ano de risadas, aos jogos no estádio, às missões da Páscoa, ao Caminho de Santiago e a todos os momentos que passámos juntos? O que será a tristeza dum adeus em relação ao tempo doado? E, o que representam estes dez mil quilómetros de distância se para nos sentirmos próximos basta uma canção ou um whatsapp em grupo?

Ganhámos uma capelinha com sessenta pessoas dentro, um Santuário cheio de jovens que tinha a magia do Santuário Original.

Ganhámos uma aposta ainda por vencer; porque há uma outra missão que começa agora, no conservar daquele fogo que foi aceso.

Ganhámos a certeza que as nossas estradas se cruzarão de novo, mais cedo ou mais tarde.

“A distância separa corpos, não corações”.

Missionari Santuario

Original: italiano. Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

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