Colocado em 19. Dezembro 2019 In Campanha, Projetos

Peregrinar limpando? Maravilhosamente insólito

PARAGUAI, Martín Pereira Ortiz •

O que fazem eles com os seus sacos de plástico verdes a caminho de Caácupé, enquanto todos os outros estão em peregrinação à Virgem dos Milagres de Caácupé, Padroeira do Paraguai, rezando, cantando…? Exactamente isso. Estes schoenstatteanos também estão em peregrinação, rezam, cantam… E enquanto o fazem, recolhem o lixo que os outros peregrinos deitam nas bermas.

8 de Dezembro, data especial para todos os paraguaios, um povo eminentemente mariano. É feriado nacional, lembramos o dia da Virgem dos Milagres de Caácupé, Mãe e Padroeira de todos os paraguaios. O Santuário da Virgem está localizado na cidade que tem o nome da Mãe, Caácupé, situada numa colina. Por tradição popular, na sua véspera vamos caminhar, milhares de peregrinos de todos os pontos do país, cumprindo promessas, agradecendo ou levando petições à Virgem dos Milagres.

Como teria feito João Pozzobon

Há dez anos, propusemos que um grupo de Missionários da Campanha da Mãe Peregrina de Schoenstatt fosse do Santuário de Tupãrenda, Santuário Nacional de Schoenstatt, em procissão, levando a imagem Auxiliar da Campanha da Mãe Peregrina para Caácupé, assim como acreditaríamos que o iniciador da Campanha João Pozzobon faria se ele vivesse no Paraguai. São 20 quilómetros subindo a colina, sob o intenso sol do verão paraguaio. Quatro horas e meia de sacrifícios, com o objectivo de chegar pontualmente às 19 horas, hora de início da Missa concelebrada pelo Movimento de Schoenstatt.

A ideia da peregrinar limpando à nossa passagem

Durante a peregrinação de 2018, um facto chamou a minha atenção, observei uma das nossas companheiras de peregrinação que trazia nas mãos uma garrafa de água vazia e outro lixo de algo que tinha comido, à procura de um caixote de lixo para o deitar fora, como o faria qualquer pessoa. Passou mais de um quilómetro e continuava sem encontrar o caixote do lixo, vejo no chão centenas de garrafas e lixo atirados por outros peregrinos que não têm a mesma consciência, todo o caminho é um verdadeiro caixote do lixo e pergunto-me: Como pode haver pessoas tão inconscientes? Depois de um bom tempo, ela encontra o contentor do lixo e livra-se do seu lixo irritante. Nesse momento, caminhando entre tanta contaminação, as palavras do Padre Kentenich ecoam aos meus ouvidos. Ele convida-nos a sermos um oásis no meio do mundo. Aproximo-me dela e digo-lhe: “Como pode ser tão difícil encontrar um caixote de lixo? E as pessoas que atiram o lixo para todo o lado? Alguém tem que limpar tudo isto e, juntos, meditámos sobre a ideia de irmos em peregrinação limpando à nossa passagem.

Demorámos muito mais tempo, mas valeu a pena.

Motivados por esta conversa, na peregrinação deste ano a Caácupé, convidámos todos a caminharem limpando à nossa passagem, fizemos isso em ritmo lento, usando paus com pontas para recolher o lixo, e sacos para o guardar, uma carrinha acompanhou-nos para podermos transportar o acumulado.

Passámos sete horas a percorrer os vinte quilómetros, a limpar o que podíamos, a meditar e a rezar o terço e, claro, a nossa Imagem Auxiliar Santuário Auxiliar ia presidindo à peregrinação.

Chegámos à Basílica de Caácupé mesmo a tempo, muito cansados, mas felizes com o facto de limparmos a nossa consciência e limparmos algo tão poluído que, nós, os devotos deixamos. Juntámos três carrinhas cheias de lixo, ficou ainda muito por limpar, mas de alguma forma, sentimo-nos um oásis no meio deste mundo.

 

 

 

Original: espanhol (14/12/2019). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

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