Colocado em 29. Setembro 2019 In Campanha

Até aos confins do mundo conTigo…

ARGENTINA, Marcela Obregón e Lionel Ruíz Díaz

Em Agosto, a Família de Schoenstatt de Resistência, Chaco, recebeu a visita de Ana Echevarría e Mercedes Bonorino, de Buenos Aires. As duas irmãs são as missionárias do início da internacionalização da Campanha quem, com os seus maridos – Guillermo Echevarría e Fernando Bonorino – e o Padre Esteban Uriburu levaram à Argentina as primeiras Imagens Peregrinas que alargariam, ao mundo, a Campanha da Mãe Peregrina de Schoenstatt de João Luis Pozzobon. —

Partilhámos os testemunhos e emoções vividos pela Ana e pela Mercedes. Na Família de Resistência percebemos como Deus nas Suas iniciativas, no amor pela Campanha de João Pozzobon, conseguiu expandi-la, com extraordinária fecundidade, graças à visão abençoada do Padre Esteban Uriburu e de corações fiéis como os destas mulheres, dos seus maridos e dos missionários da Argentina que se uniram, com entusiasmo e com empenho, desde 1984. Impulsionados pela força do Espírito Santo, levaram ao mundo a Campanha da Mãe Peregrina de Schoenstatt, internacionalizando-a  e, ao mesmo tempo, inculturando-a nas diferentes culturas. Um ano e meio depois, a Campanha tinha chegado aos cinco continentes.

Numa manhã muito agradável, a Ana e a Mercedes deram início à Jornada, agradecendo, com muita alegria à Família de Resistencia, o convite e o grande acolhimento e hospitalidade.

Mercedes Bonorino contou que pertencem ao Movimento de Schoenstatt desde 1976. Juntamente com os seus respectivos maridos, conduzidos pelo Padre Esteban, entraram para o Ramo das Famílias e, até hoje, continuam a reunir-se com o grupo de vida inicial.

 

Como é que conhecemos Seu João?

O nosso encontro com João Pozzobon foi fruto do trabalho da Divina Providência”, disse Ana Echevarría, “Tudo começou quando uma palestra do Padre Kentenich chegou às nossas mãos e marcou profundamente a nossa vida como família e, mais tarde, os destinos da Campanha.

Esta palestra tocou-nos muito profundamente porque Guillermo e eu, com os nossos filhos, nessa época, ainda pequenos , rezávamos o Terço procurando aplicá-lo à nossa vida e tínhamos experimentado que o Terço, assim rezado, nos tinha oferecido uma forte transformação.

Na sua palestra, o Padre Kentenich fala precisamente de introduzirmos nas nossas vidas o que contemplamos no Terço e ensina-nos que a Aliança de Amor, esse grande tesouro que a Mãe de Deus dá como presente nos Seus Santuários de Schoenstatt, pode tornar-se vida simplesmente rezando, vivendo e oferecendo os Mistérios do Terço como uma contribuição ao Capital de Graças. É uma forma – diz o Pai – de nos assemelharmos a Maria.

O Guillermo e eu sentimos que Deus nos chamava para uma missão. Aproximar muitos outros a esta forma simples e popular de Aliança. O Padre Esteban Uriburu deu-nos uma imagem da Mãe de Deus para nos guiar. Ele disse-nos que Lhe tinha sido dada por um homem chamado João Pozzobon no Brasil, que estava a fazer uma Campanha da Mãe Peregrina de Schoenstatt. Não demos importância a este comentário e – sem saber que era uma Imagem Peregrina – levámos a Imagem para a nossa casa e coroámo-l’A  Rainha do Terço no nosso Santuário-Lar, para que Ela desse, a muitos, a graça de rezar e viver o Terço em Aliança com Ela.

Os frutos foram tão grandes e extraordinários que decidimos escrever a este “Sr. Pozzobon” para lhe pedir “mais imagens como esta” para As coroarmos com o Terço e As enviar a toda a América como portadoras do Terço vivido em Aliança.

O Padre Esteban levou a nossa carta e leu-a a Seu João Pozzobon, que disse: “Isto é divino, inspirado pelo Espírito Santo.  E disse-lhe que tinha preparado uma oração que ia rezar no dia 8 de Dezembro, onde ia pedir à Mãe de Deus que a Campanha se estendesse ao mundo. E terminou dizendo: “Nossa Senhora responde-me antes que eu lhe pergunte. Diga a este casal que podem vir buscar as imagens”.

Foi assim que, no dia 28 de Março de 1984, acompanhados pelo Padre Esteban, viajámos até Santa Maria numa camioneta, com jovens e casais, para irmos buscar as Imagens.

Foi, deste modo, que conhecemos Seu João Pozzobon e ficámos fascinados pela sua pessoa e pela sua missão. Ele era um apóstolo popular, pai de família e homem de trabalho exemplar. E descobrimos nele um modelo a seguir que encarnou plenamente o caminho da Aliança vivida no Terço, que o Guillermo e eu desejávamos levar ao mundo.

 

Tudo aconteceu na maior simplicidade

Mercedes conta-nos: “Antes de conhecer Seu João Pozzobon, eu só tinha ouvido que ele rezava muito e, por ignorância sobre a vida de oração, eu imaginava-o, egocêntrico, distante do mundo. Quando chegámos a Santa Maria, fiquei surpreendido ao ver um homem muito sorridente, de pé, junto do Santuário. João Pozzobon estava lá com um fato esverdeado que tinha mandado fazer, especialmente, para aquela ocasião, por causa da grande esperança que significava esta peregrinação de envio das 25 Imagens Peregrinas para levar a Campanha ao mundo.Durante aqueles dias de encontro, compreendi que, neste diálogo constante com Maria, através dos 15 Terços diários, Seu João recebia, a cada passo, a força do Espírito Santo. Ele contou-nos a história da sua vida e da sua Campanha com total naturalidade, através de factos concretos, com tal mestria para transmitir que sentimos que tudo era inspirado. Foi incrível. Em tão pouco tempo tudo o que precisávamos saber para formar os missionários ficou muito claro. Seu João Pozzobon contou-nos que tudo tinha acontecido com a maior simplicidade, que se tinha oferecido, como um pequeno instrumento, como uma criança, para que a Mãe de Deus pudesse guiá-lo onde Ela lhe indicasse: visitava famílias, escolas, etc… “Ouvir para perceber, disse-nos, “Todo o tempo em oração, então a Mãe dá sempre uma nova indicação”.

 

Santa Maria 1984

O heroísmo é entregar um pouco mais do que o dever.

João Pozzobon consagrou-se a Nossa Senhora livremente, sem imposição nem obrigação, mas por amor. Ele podia deixar a Campanha a qualquer momento, mas a sua fé e o seu compromisso eram mais fortes. Nem um único dia, nem mesmo doente, deixou de levar a Imagem.

Explicou que começou a ir à Missa, primeiro um dia e depois, pouco a pouco, começou a ir todos os dias. O heroísmo – disse-nos – está sempre em dar, por amor, um pouco mais para além do dever, e ele, nesse pouco mais, tentou manter-se firme. À medida que a Campanha crescia, sentia a necessidade de se enriquecer, de se alimentar com a oração e, pouco a pouco, chegou a rezar 15 Terços por dia.

Em todas as coisas ia subindo um pouco mais por amor, com heroísmo. No dia em que nos deu as Imagens no Santuário, parou diante de nós, que íamos partir como missionários, e com emoção aconselhou-nos: “Acção e contemplação”. E acrescentou: “Herói hoje, não amanhã. Por amor à Campanha, para ser um herói hoje.” Desse modo, ele se despediu de nós e nos enviou ao mundo. Foi assim que as Imagens Peregrinas partiram em peregrinação à Família, para salvar as famílias.

Como missionários, queríamos que a Campanha chegasse a todas as famílias da Argentina e do mundo. Ao coroar a Mãe, renovámos a nossa consagração para rezarmos e vivermos o Terço em Aliança com João Pozzobon. Todos os dias queríamos oferecer a nossa oração e a nossa vida a Maria para manter viva a Sua coroa como Rainha do Rosário em todo o mundo.

Seu João Pozzobon disse-nos que, em tempos, tinha tido problemas com um Bispo que se opôs à Campanha. Mesmo assim, João manteve a sua Aliança de Amor fervorosa e continuou a sua missão. Ao fim de alguns anos, o Bispo adoeceu e, pouco antes de morrer, João conseguiu levar-lhe a Imagem da Mãe Peregrina. O Bispo olhou para Ela e com emoção disse: “Esta Campanha salva o mundo! “Foram estas, praticamente, as suas últimas palavras.

A Campanha salva o mundo, salvando as famílias. Cabe a cada um de nós entregar-se completamente, manter viva a Aliança de Amor e alimentá-la através do Terço, como João Pozzobon. Nossa Senhora preparou João Pozzobon para ser um instrumento para transformar os corações no mundo. Cada missionário é chamado a levar a Mãe Peregrina de Schoenstatt “porta-a-porta”, a deixar-se guiar por Ela, entregando a sua oração e os seus sacrifícios, para transformar a vida das famílias.

 

A Sala João Pozzobon em Roma

Há alguns anos, em 2016, no Santuário de Belmonte, em Roma, uma das salas de reuniões foi dedicada a João Pozzobon – as salas vizinhas são dedicadas a Gertrud von Bullion, e ao Padre Franz Reinisch – e pediram-nos para decorar a sala. Era importante que se expressasse, de alguma forma, o que João Pozzobon vivenciou e, também, a sua personalidade. Encomendámos um quadro a uma pintora que, muito gentilmente, o pintou.

Nele se reflecte tudo o que nos transmitiu: a sua vida, as visitas às famílias, às escolas, o espírito da sua Aliança, que ele alimentou com o Terço. Esta Aliança deve impregnar todo o mundo. Ir à periferia. Como João Pozzobon costumava dizer: “para salvar as famílias”. O quadro resume toda a história da Campanha de João Pozzobon, o impulso que a Mãe de Deus dá a cada missionário.

O quadro ainda está na casa de Ana Echevarría em Buenos Aires, e também existe em formato digital para ser divulgado.

 

Na segunda parte, foram feitas perguntas à Ana e à Mercedes.

Como eram as Peregrinas na altura?

As imagens actuais são iguais às que fomos buscar a Santa Maria, a Imagem está patenteada, o Padre Esteban patenteou-A para que não possa ser copiada e só possa ser utilizada para a Campanha. As primeiras Imagens da Argentina foram feitas aqui e entregues ao Santuário Nacional em Novembro de 1984.

Qual foi a preparação quando foram buscar as imagens?

Fomos guiados pela Mãe de Deus em todos os momentos, Ela inspirou os passos a dar: coroá-l’A como a Rainha do Rosário para que desse a graça de o viver na Aliança; consagrando-nos a viver e a levar esse apelo do Padre Kentenich até os confins do mundo; colocando as 1000 Ave Marias em Adoração antes de cada passo importante que demos nesta missão, para que tudo fosse sustentado sobre uma base sólida de Adoração, de Capital de Graças.

Rezámos mil Avé Marias antes de viajarmos para Santa Maria e na camioneta. Desde então, fazêmo-lo, e continuamos a fazê-lo, cada vez que há um acontecimento importante: como quando a Imagem Peregrina parte para um novo destino, para que, esteja sempre unida à fonte original do Santuário, levando a Campanha da Mãe Peregrina de Schoenstatt como foi inspirada por João Pozzobon e dê frutos abundantes.

Especialmente a oração das mil Avé Marias, os Terços luminosos, impeliram-nos, fortemente, a ver o caminho. Foi espantoso como, só em mencioná-los, os líderes da Campanha que surgiram na Argentina sentiram o mesmo chamamento para rezar as mil Ave Marias, que corriam como “um fogo selvagem que acende tudo no seu caminho”. Tudo surgiu como obra e graça da Mãe de Deus e o acompanhamento e conselho constante e firme do Padre Esteban Uriburu.

 

Como fizeram para entregar as Imagens trazidas de Santa Maria?

João Pozzobon entregou cada uma das 25 imagens a cada uma das 25 famílias que tinham viajado, para se responsabilizarem em levar cada uma delas para o seu Santuário-Lar e fazer Capital de Graças até aparecer alguém do país a que estava destinada essa Imagem e A quisesse levar e só A entregasse a alguém que estivesse disposto a começar ali a Campanha.

Ao regressarmos à Argentina, o Pe. Esteban propôs sortear a que país da América iria cada Imagem. A Imagem Peregrina destinada a Cuba – onde parecia mais difícil chegar – foi a primeira a partir.

Como é que as Peregrinas chegaram aos diferentes países?

Rezámos para que Nossa Senhora nos mostrasse o caminho para cada país. Uma semana depois do sorteio, soubemos que um médico ia a Cuba. Contactámo-lo para ver se queria levá-la.  Escutou-nos atentamente e respondeu: “Como posso não querer levá-la em peregrinação! Rezo o Terço todos os dias”. 

E tira um Terço da algibeira. Explicámos-lhe a Campanha e pedimos-lhe que A desse apenas se encontrasse alguém disposto a consagrar-se a esta missão e a coroá-l’A Rainha do Rosário em Aliança para Cuba. E se não fosse assim, ele trá-la-ia de volta. Uma vez em Cuba, o médico entregou-a a um Diácono que assumiu a Campanha. Pela obra e graça de Maria, esta foi a primeira destas Imagens Peregrinas a peregrinar pelo mundo.

Em Julho desse ano, o Padre Esteban foi convidado a ir à África do Sul e levou a Imagem Peregrina a uma mina onde, 30.000 mineiros trabalhavam, em Joanesburgo. Escrevemos explicando como fazer a Campanha e, numa Missa a dois mil metros de profundidade, o Padre deu a Imagem a um missionário. Ao mesmo tempo, escreveu um casal sul-africano dizendo-nos que se tinham consagrado como apóstolos do Terço no Santuário. É verdadeiramente emocionante ser testemunhas de como a Mãe de Deus penetrou profundamente em cada país.

Quando Seu João veio à Argentina, como foi nesse tempo?

John Pozzobon visitou a Argentina em Junho de 1985. Houve dois encontros com ele. Em Buenos Aires e em Florencio Varela. Um médico ofereceu-se para o operar às cataratas. Junto do Santuário, diante de 400 pessoas, Seu João disse com emoção que podia perceber os corações ardentes dos jovens, como “chamas ardentes, bastiões da Mãe e Rainha, determinados a lutar e a ser fiéis pela missão”, como “santuários vivos que caminham” para levar Maria e a Sua mensagem.  E acrescentou com ênfase: “As palavras que disse no Santuário de Santa Maria, aos peregrinos da Argentina, repito novamente: “Eu acompanho e dou a minha vida para que esta Campanha, com este forte princípio aqui, se torne mundial. E eu não retiro esta palavra. Estou convosco”.

Em Dezembro de 1984, em Santa Maria, o Padre Esteban consagrou-se à Campanha da Mãe Peregrina de Schoenstatt e ofereceu a sua vida por ela, Campanha, na qual, tinha encontrado a sua missão. Hoje queremos recordar este dom de si mesmo e os muitos missionários que também deram as suas vidas pela Campanha.

Têm consciência da missão que Nossa Senhora escolheu para vós?

João Pozzobon estava plenamente consciente da sua pequenez. “Ser um instrumento de Maria é a nossa maior grandeza”, disse ele. Este é o espírito desta missão. O caminho simples que João abriu nas pegadas do Pai. É uma imensa alegria, para nós, que a Mãe nos tenha escolhido como Seus instrumentos para transmitirmos esta graça. Com a nossa pequenez, simplesmente, pouco a pouco, a Mãe de Deus foi-nos traçando o caminho. Sermos os burrinhos da Mãe para levar Maria a todos os cantos do mundo.

Quando João Pozzobon esteve na Alemanha, percebeu que as Ermidas são uma coisa tão importante porque a Mãe Se estabelece nelas. Elas transmitem graças, reavivam a Aliança de Amor. É por isso que é importante convidar, convocar, dar assistência e passar tempo nas Ermidas. Ofereçamos o nosso amor naqueles pequenos recantos, consagremo-nos à Mãe Santíssima. Vivamos o chamamento do Padre Kentenich a oferecer a Maria o nosso Terço vivido em Aliança para A ajudar a transformar o mundo. Convidemos os outros a unirem-se para rezar e viver o Terço nas Ermidas.

A vivência das Ermidas na Alemanha impulsionou Seu João a construir Ermidas. Hoje, as ruas da Argentina e de muitos outros países estão semeadas de Ermidas da Mãe seguindo as suas pegadas…

Despedida em ambiente familiar

Terminada a Jornada, foi partilhado pela Ana e pela Mercedes com a família missionária, um belo arroz de frango. Num ambiente familiar, agradeceram, especialmente, à Família de Resistencia, esse fogo que se acende com fogo em cada missionário. Autografaram, com alegria, os livros que acabam de publicar as Irmãs de Maria na Argentina, com a palestra do Padre Kentenich em Villa Ballester, em 1949, sobre rezar e viver o Terço em Aliança. Nestes livros, para além, da palestra, há meditações com textos do Padre Kentenich para cada Mistério do Terço à luz da Campanha e do compromisso missionário.

O seu anseio é poderem continuar na missão, levando a Peregrina aos confins do mundo, sendo conscientes de serem instrumentos de Deus, levando Maria e o Seu Terço, para a salvação das famílias, seguindo as pégadas e missão de Seu João.

 

Texto corrigido e autorizado por Ana Echevarría e Mercedes Bonorino, Buenos Aires, Argentina

Original: espanhol (24/9/2019). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

 

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