Colocado em 2015-05-24 In Campanha

O 10° encontro regional da família de Schoenstatt na Sicília

ITÁLIA, Sicília, Patrícia Carollo, jornalista •

A família não é sempre e apenas a nossa de origem. Jesus dizia por outro lado: “Deixa tudo e segue-me. Tua família será centuplicada”. E bem, existe também a “Família de Schoenstatt”, querida e pensada por seu Fundador, o Padre José Kentenich, que em 1914 na Alemanha, com um grupo de seminaristas se consagrou a Virgem, numa capela, que depois se transformou no Santuário da Virgem de Schoenstatt. Tal consagração foi chamada “Aliança de Amor” e se converteu no núcleo de todo o Movimento que com o tempo se difundiu por todo o mundo, com cerca de 200 réplicas do Santuário Original. De um destes Santuários Filiais, no sul do Brasil, no ano 1950, o Servo de Deus João Pozzobon, começou a levar a Imagem da Virgem de Schoenstatt para as famílias, as prisões, os hospitais, as escolas, até que isso chegou a ser a missão de sua vida, com a finalidade de ajudar Maria a levar Jesus a todas as “periferias”. Tal missão chegou à Itália em 1997, y seus responsáveis hoje são o Padre Juan José Riba e a Irmã M. Ivonne Zenovello. Cada vez são mais numerosas as paróquias e as dioceses comprometidas, com milhares de famílias que mensalmente recebem a Imagem da “Mãe Três vezes Admirável”. Perguntarão, por que três vezes? Porque é filha de Deus Pai, Mãe de Jesus e esposa do Espírito Santo.

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Eram ao menos 1.500 as pessoas presentes, vindas de muitas dioceses

Em 19 de abril, no Hotel Saracen, a “Família de Schoenstatt” reuniu-se na Sicília para o habitual encontro regional (este ano foi o 10°) para que os que compartilham o ideal pudessem estar juntos por um dia. Eram ao menos 1.500 pessoas presentes, vindas de muitas dioceses, com a finalidade de rezar e compartilhar a missão que o Papa Francisco em outubro de 2014, durante o Jubileu dos 100 anos da fundação do Movimento, confiou para 2015 e os anos seguintes, com estas palavras:

“Ao repartir a benção, os envio como missionários para os próximos anos. Envio-lhes não em meu nome senão em nome de Jesus. Não os envio sozinhos, senão pela mão de nossa Mãe, Maria, no seio de nossa Mãe, a Santa Igreja. Envio-lhes em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”

Quem se dedique a evangelização com a Virgem Peregrina não o faz, nem pela devoção, nem por uma estratégia exclusivamente pastoral, senão porque sentiu que recebeu uma graça (“Recebestes de graça, de graça dai!”, Mt 10,8) e deseja “corresponder” colocando-se a serviço da transformação das consciências e das famílias. Como lembrou também Frei Benigno de Jesus Pobre dos Frades Menores Renovados, no encontro: “A Virgem Maria, sempre foi uma mãe educadora. Jesus aprendeu com Ela a comer, a falar, a rezar. E desde o céu, a Virgem segue sendo uma mãe educadora. O lema de Schoenstatt diz: “Nada sem Ti, nada sem nós”. O que isso nos quer dizer? Que sejamos seus ouvidos, seus olhos, suas mãos. Temos o dever de levar os homens a crer na vida que virá, a crer em Jesus. Portanto o convite é claro, diz Frei Benigno: “É necessário reanimar a própria fé e converter-se, para nos tornar como João Pozzobon que levou Maria de família em família. Mas, para realizar isso, é necessário compreender primeiro o que é a Fé”. Nosso franciscano, exorcista da Diocese de Palermo, nos dá conselhos: “A fé transforma a vida, porque tomamos consciência que temos um Deus Pai que nos ama, da mesma maneira que ama a seu próprio Filho. Esta realidade, nós não a compreendemos sozinhos, mas sempre através de Jesus. A “conquista de salvação” é, portanto, a luz de Jesus morto e ressuscitado. E continua, dizendo-nos o que não é fé: “Fé não é o simples conhecimento da verdade de fé, saber de memória os textos sagrados. Não é apenas ir a Missa aos domingos, ou casar-se, ou batizar o filho na igreja. Fé não é nem sequer diversão ou folclore, nem fanatismo ou magia. Conclui: Fé é confiar em Deus, em sua Palavra, apesar do que possa ocorrer em nossa vida. Crer que Deus te ama mesmo que um filho morra. Porque se Deus não intervém, não é porque não nos ama, mas porque tem um projeto de amor para nós. Senão como pôde deixar morrer seu Filho?

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Minha filha voou ao céu em setembro de 2014, aos sete anos

Antonela Vernengo, de Misilmeri, ao escutar estas palavras no encontro nos diz que tem a impressão que Frei Benigno está falando dela. Perguntamos se ela nos poderia dar seu testemunho escrito (considerando a situação, um retiro espiritual) e sua resposta foi positiva. Portanto, aqui está: “Chamo-me Antonela, esposa de Tony, mãe de Gaia e de Jorgelina, meu anjo, através do qual conheci a Virgem de Schoenstatt. Minha filha uma menina esplêndida, inteligentíssima, adoeceu de leucemia aos seis anos (setembro de 2013). Iniciou um tratamento, mas em março de 2014 já não surtia efeito. Os médicos decidiram começar uma nova quimioterapia, que se não houvera respondido ao tratamento, a houvera perdido. Estamos em abril quando em minha paróquia chega a Virgem de Schoenstatt: ofereceram levar a Mãezinha a casa, mas a rechacei. Em 25 de abril compreendo que a enfermidade de Jorgelina não responde a nova quimioterapia. Evitamos mirá-la para não interromper seu fluxo de idéias. A senhora Antonela, de maneira insuspeitável talvez também para ela mesmo, está realizando o ideal da Virgem de Schoenstatt: “Gratuitamente hão recebido, gratuitamente dão”. Efetivamente, leremos: “Destruída pela dor de perder minha filha, aferro-me a tudo, começo a rezar a Deus e a Virgem: espero um milagre. Por segunda vez me perguntam se quero receber a Virgem Peregrina em minha casa e aceito.

Está comigo agora, entre minhas coisas domésticas, a observo, passo a seu lado, mas igualmente não logro recorrer a ela. Cheia de sofrimento por ver também minha filha sofrer penso que se Jesus e a Virgem existissem deveriam, de qualquer maneira, ajudá-la.” Detém-se, lhe correm algumas lágrimas e conclui: “Minha filha voou ao céu em setembro de 2014, aos sete anos. De ateia que me havia tornado, em Jorgelina vi Jesus na cruz. Foi ela quem me fez aproximar de Deus e da Virgem. Por terceira vez chega a Virgem Peregrina em minha casa, depois de um mês da partida de minha filha ao céu. Agora, depois de sete meses de sua morte, formo parte da “Família da Virgem Peregrina”. Quando chega a casa a coloco junto à foto de minha filha e desde o fundo de meu coração a confio a Ela, mãe de todos nós”. Antonela está tentando, com todas suas forças, seguir adiante, apesar de sentir o maior luto que possa existir, o de um filho. E como a Virgem Maria, como deseja a mesma Mãezinha de Schoenstatt, está tornando-se mamãe educadora de outras mães. E voltou inclusive a rezar para ter fé, mudando sua mentalidade. Se soubessem que linda estava enquanto batia palmas ao ritmo dos cantos na igreja.


 

Em Sicília a Campanha chegou em 2003, pelo Padre Ludovico Tedeschi, em Marineo (Diocese de Palermo), em Marsala (Diocese de Ma zara del Vallo), sucessivamente em Carini (Diocese de Monreale), em 2009 em Barcellona Pozzo di Gotto (Diocese de Mesina), em 2011 em Esparchia di Piana degli Albanesi e nas Dioceses de Agrigento e Piazza Armerina, e em 2014 na Diocese de Ragusa.

Sendo Sicília uma terra fortemente ligada a Virgem, a Campanha está tendo uma grande difusão. Já são 65 as Imagens em 57 paróquias e mais de 7.000 famílias que mensalmente recebem a Imagem da Mãe Três vezes Admirável de Schoenstatt.

Fotos

Original: italiano: Tradução: Lena Ortiz, Ciudad del Este, Paraguay

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