Colocado em 2020-04-01 In A Aliança de Amor Solidaria em tempos de coronavírus

Uma obra de Misericórdia, na Quaresma, em tempos de grande sofrimento – Covid 19

PORTUGAL, Lena Castro Valente •

Eu vi um Bispo vestido de branco subir, com dificuldade, um troço de uma Praça de S. Pedro vazia, cujo chão brilhante pela chuva se eternizou até ele chegar ao palanque improvisado… —

Quem, face àquela solidão, ficou indiferente ao homem que, ao andar, cambaleando da esquerda para a direita, carregava a cruz, invisível aos nossos olhos, do sofrimento dos seus irmãos atingidos por tanto sofrimento…

Este Bispo tem o cheiro das suas ovelhas, conhece-as pelo nome, alegra-se e sofre com elas, é um pastor de verdade…

A Mãe e Cristo esperavam-no

Eu olhava para aquela imagem na televisão, insólita imagem do Papa Francisco, tão só quando, o hábito me reportava a um Papa próximo das pessoas, feliz por estar no meio delas. E, fiquei expectante: Que palavras de esperança, de consolo ouviremos dele?

Depois da Leitura do Evangelho de Marcos (Mc 4,35) com as palavras maravilhosas: “Não tenhais medo, tende fé…”, O Papa fez uma reflexão  sobre elas, e voltou a caminhar, sempre com a mesma dificuldade, para se dirigir à Mãe – Salus Popoli Romani – a Quem apresentou as “suas ovelhas” e Lhe terá dito com todas as fibras do seu coração: “Eles não têm vinho”.

Ao Cristo pregado na Cruz que, no século XVI salvou Roma da peste, ao erguer os olhos para Ele, ter-lhe-ão sobrado as palavras…e, terá preferido fundir o seu coração no d’Ele, pois quem mais que o Nosso Redentor sabe de sofrimento? O sofrimento do coração do Papa encontrou “colo” no Coração trespassado pela lança do soldado, onde todas as dores e sofrimentos se podem aninhar em busca de consolo.

O sofrimento e a solidão que a todas as horas nos entram pela casa dentro através de todos os meios de comunicação e das redes sociais

Esta solidão do Papa uniu-se, no meu coração, à solidão de todos os agonizantes e falecidos e, à das suas famílias que, desde há tempo me tem interpelado com muita força.

As notícias dão-nos, permanentemente, a visão dos caixões amontoados, os que têm mais sorte em igrejas, outros em pavilhões ou em locais destinados, anteriormente, à diversão – como o Palácio de Gelo em Madrid – servem de depósito àqueles que, não tiveram na agonia um abraço de consolo, não puderam despedir-se dos seus familiares e estes deles, que não terão Velório, nem Missas de Corpo presente –Corpore insepulto – só solidão e dor.

Esta realidade tem aturdido de dor o meu coração. E a solidão do Papa na Praça de S. Pedro foi, para mim, a visão da outra solidão que acontece para lá das paredes dos hospitais ou dos lares de idosos.

O que posso fazer?

Por acaso – ou por Deus – chegou-me via WhatsApp uma sugestão de oração (destas mensagens que circulam constantemente nos nossos grupos de amigos ou de família) sugerindo que, com uma oração em especial, há uma maneira de minorar o sofrimento dos doentes e o das famílias atingidos por este “tsunami” de dor, quando não se pode fazer mais nada.

Isto veio dar resposta à minha vontade e anseio de acção – visto que, não posso estar na linha da frente – posso actuar na retaguarda tentando aliviar a dor moral.

Durante a Quaresma, passei a rezar a oração sugerida,  o Terço da Misericórdia  por todos estes irmãos, para que, de alguma maneira, pudessem sentir-se – e, aqui entram os caminhos misteriosos do nosso Deus – abraçados pela Misericórdia de Deus e pelo Amor da Mãe, através da oração de um Seu instrumento, eu. Tal como foi prometido por Jesus a Santa Faustina.

Já o rezei, também, ligada pela webcam ao Santuário Original diante do Santíssimo Sacramento.E, sinto que estou a ser útil ajudando quem sofre e está sozinho.

É uma obra de Misericórdia, tão ao gosto do nosso querido Bispo vestido de branco que, numa cidade “em ruínas” saiu à rua, sob a chuva, e invocou sobre as suas ovelhas a bênção do Altíssimo Todo Poderoso neste tempo de tanto sofrimento.

 

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