Colocado em 2020-04-15 In A Aliança de Amor Solidaria em tempos de coronavírus

Estranha Páscoa

PÁSCOA EM TEMPOS DE CORONAVÍRUS, Juan Eduardo Villarazas, Argentina •

Estranha Páscoa… Claro que gostaria de ter participado ao vivo e pessoalmente na mais bela de todas as celebrações, a Vigília Pascal, mas tive de me contentar em vê-la no YouTube na Basílica de São Pedro, que estava quase vazia…—

E no entanto, ao reviver o momento que conduziu ao maior de todos os acontecimentos históricos, considero que esta celebração de Jesus foi também atípica.

Não foi propriamente uma Ceia de celebração e muita alegria…

Para começar, a festa judaica celebrava-se em família e Jesus só tem a sua Mãe como sua parente directa. Fá-lo com os Seus discípulos e seguidores, mas… vigiado. As autoridades consideram-no um perigo e estão à procura da maneira de o eliminar. Para o conseguirem,  manipulam a multidão. Ao mesmo que tinha sido recebido pela multidão com ramos de flores, vivas e uma popularidade de 3500 nas sondagens, conseguiram em menos de 5 dias transformá-lo no pior e mais perigoso dos criminosos.

Além disso, a Ceia poderia ter sufocado qualquer um. Lava os pés e não o compreendem, há um que tem uma espada e está disposto a matar ou a ser morto. Outro que finge estar ofendido, mesmo quando já o traiu, é aquele que quer bisbilhotar e saber quem vai ser o traidor, mas não para o evitar, mas para comentar e contar a outra pessoa. Não foi propriamente uma Ceia de festa e muita alegria, já para não falar do anúncio que o Senhor faz ali mesmo.

Mas há mais, a tristeza, a agonia, o saber que se está perto da morte não é exactamente um leito de rosas. Ele sente uma dor indescritível, transpira sangue, está mesmo à beira de querer prescindir deste sacrifício…

 

A vida não se extingue

As cenas que se seguem já são conhecidas: julgamento forjado, injusto, denotando o Seu nome e o abandono dos Seus discípulos, escárnio, flagelação e zombaria por parte das autoridades religiosas, da multidão, de um dos condenados e, finalmente, uma morte assustadoramente dolorosa e humilhante.

E, no entanto, a vida não se extingue. A Palavra volta a falar como no início e tudo é recriado. O Novo Adão volta a colocar o amor de Deus no centro, o senhorio sobre toda a criação, e eleva-o a um novo estado que nunca passará.

O Senhor ressuscitou e por isso a Esperança não é uma ilusão alienante.

Portanto, sim, gostaria de ter tido à Missa, sim, gostaria de não ter estado em quarentena, sim, gostaria de poder estar com a minha família nuclear e celebrar com os meus irmãos de Aliança, mas sei que mesmo com todo o sofrimento, com a tristeza e a morte – para não falar do custo material, com a perda de dinheiro e de postos de trabalho – o Senhor ressuscitou e, por isso, a Esperança não é uma ilusão alienante, nem o pior de todos os infortúnios, como disse Nietzsche, e muito menos uma perda de tempo com algo que nada muda.Pelo contrário, é uma verdade, é uma certeza profunda e inabalável que compromete toda a nossa vida e nos impele a não nos deixarmos cair.

Pelo contrário, insta-nos a fazer os outros felizes também, porque, longe de negar a realidade da dor, sabemos que esta não é a realidade última e que a morte não é a dona do mundo, mas que é algo que já não tem qualquer poder e que é apenas temporário.

É por isso que, apesar de ser estranha, apesar de não estar com a minha família carnal e com a minha família de Schoenstatt, apesar de não poder participar ao vivo e directamente na Eucaristia, mesmo assim …

Aleluia, o Senhor ressuscitou! Feliz Páscoa!

 

Santuario de Schoenstatt de Madrid

Original: espanhol (12/4/2020). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

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