Colocado em 29. Abril 2019 In Aliança solidária

Uma Páscoa de morte, não da ressurreição

ALIANÇA SOLIDÁRIA, Sarah-Leah Pimentel •

Enquanto a maioria de nós estava vivendo as celebrações da Páscoa, deliciando-se com a beleza e alegria da liturgia da vigília pascal ou a surpresa e maravilha dos discípulos nas leituras do Domingo de Páscoa, para os cristãos do Sri Lanka a Sexta-feira Santa nunca terminou. A morte ofuscou a promessa de uma vida nova e renovada. —

A vela pascal salpicada de sangue dos mártires recorda-nos que, embora Jesus ressuscite para a vida eterna, o seu corpo e o corpo da sua Igreja permanecem na cruz do sofrimento.

Os ataques terroristas no Sri Lanka não discriminaram entre cristãos e não-cristãos. Os atacantes visaram três igrejas e quatro hotéis. As autoridades conseguiram evitar mais carnificina ao desativar outra bomba perto do aeroporto. Cerca de 300 pessoas estão mortas e 500 estão feridas. Uma nação está de luto.

Mesmo as crianças, que deveriam estar cheias de vida e dar-nos a esperança no futuro, não foram poupadas. Na Nigéria, no domingo de Páscoa, um polícia – chateado com o bloqueio da estrada – dirigiu o seu carro diretamente para um grupo de crianças que fazia parte da procissão. Matou 10 pessoas e outras 30 estão no hospital. Os fiéis, na sua ira, atacaram o polícia e mataram-no, todos os pensamentos de ressurreição foram destruídos.

Na segunda-feira, um forte terramoto atingiu Luzon, nas Filipinas, destruindo vidas e edifícios. 11 pessoas foram confirmadas mortas e as operações de resgate continuam. Para eles também, a alegria da Páscoa durou pouco.

Como podemos verdadeiramente celebrar a Páscoa perante tantas misérias humanas?

A Semana Santa começou com o incêndio devastador em Notre Dame e parece que a destruição, o sofrimento e a morte não terminaram. Como podemos verdadeiramente celebrar a Páscoa perante tantas misérias humanas?

Por outro lado, toda essa má notícia é exaustiva. Somos tentados a afastar-nos, recusando deixar que isso nos afete. Afinal, estes não são o meu povo, este não é o meu país. Nós protegemo-nos, ignorando o que está acontecendo. Fechando-nos em nós mesmos, tornamo-nos indiferentes.

Na sua mensagem de Páscoa “Urbi et Orbi”, o Papa Francisco instou o povo de Deus contra esse tipo de atitude: “Que o Senhor da vida não nos encontre frios e indiferentes diante dos muitos sofrimentos do nosso tempo. Que ele nos torne construtores de pontes, não de muros.

É mais fácil construir paredes do que pontes humanas. Em menos de 24 horas após o incêndio de Notre Dame, milhões de euros foram doados para reconstruir as pedras físicas da igreja histórica. O povo de Paris reuniu-se do lado de fora da catedral e rezou, um milagre na Europa cada vez mais secular.

O sangue da nossa indiferença

Qual é a nossa resposta quando as “pedras vivas” da Igreja de Cristo são derrubadas?

Talvez a imagem da Páscoa de 2019 seja que a vela pascal escorra o sangue da nossa indiferença, o sangue do nosso egocentrismo, o sangue da destruição que trouxemos para o nosso planeta.

Jesus já redimiu tudo, vencendo a morte de uma vez por todas. Ele agora chama-nos para fazermos o mesmo. Só então poderemos realmente viver na Luz da Ressurreição.

 

 Original: Inglês, 23. Abril 2019. Tradução: José Carlos A. Cravo, Lisboa, Portugal

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