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Colocado em 2021-07-29 In Schoenstatt em saída

“Há 30 anos que consagro a minha vida ao cuidado de idosos”

CHILE, Equipa Editorial da Revista Vínculo •

O Lar de Idosos San Pablo Apóstol da Fundação Alfonso Pacheco Berrios é dirigido por Nancy de la Luz Farías Valenzuela. É uma fundação sem fins lucrativos e, em memória do seu marido, que faleceu há algum tempo, tem o seu nome. Pertencem ao segundo Curso do Instituto das Famílias de Schoenstatt, Victoria del Padre. Nancy juntou-se ao Movimento quando terminou os seus estudos secundários na Juventude Universitária de Bellavista. Como casal participaram na Família de Nuevo Belén, eram Chefes do Ramo dos Casais. Actualmente, vive em Concepción. —

Como surge este projecto, também envolve a família?

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– Quando o meu marido ficou desempregado, mudámo-nos para Concepción, foi muito difícil encontrar trabalho, o meu marido ficou doente, e eu rezei fervorosamente, quase desesperadamente, para que eu pudesse encontrar trabalho. Tive um belo sonho em que a Mãe me pediu para dedicar a minha vida a tomar conta da minha avó e Ela colocou-a nos meus braços. Passaram-se alguns dias e “providencialmente” fui chamado para administrar o Lar de Idosos São Vicente de Paulo… Compreendi o pedido da Mãe e desde esse momento durante estes últimos 30 anos dediquei a minha vida aos cuidados dos idosos . Trabalhei durante dois anos nesse estabelecimento e, porque não gostava de como os idosos eram tratados, demiti-me e criei o meu próprio estabelecimento, o que me custou muito por causa da falta de capital.

A minha família esteve sempre envolvida, quer dentro de casa, quer por causa das tarefas domésticas que tiveram de assumir.

 O que te motiva a “fazer um empreendimento” neste campo dos cuidados a idosos?

– A minha maior motivação foi descobrir a minha vocação, sinto que é uma das coisas mais belas que fiz na minha vida, amo o meu trabalho e os meus idosos – num sentido amoroso – chamo-lhes isso, eu não o mudaria por nada no mundo.

Qual é a realidade dos adultos idosos na tua casa? Há famílias por trás deles ou estão abandonados?

– Tenho a capacidade de cuidar de 20 pessoas, apenas uma é totalmente abandonada, as outras são sempre acompanhadas pelas suas famílias, tive filhos que vão todos os dias dar de comer aos seus pais.

A situação de vulnerabilidade e abandono dos adultos idosos é uma realidade bastante generalizada, porquê?

– Para mim, a deterioração cognitiva que afecta os adultos idosos é uma das causas do afastamento da família, vivemos num mundo onde tudo tem de ser ágil, bem sucedido, ninguém tem paciência ou leva o seu tempo a pensar no que a outra pessoa está a sentir, por isso estão isolados, onde são menos incómodos, as casas são pequenas, além de todos trabalharem e não haver ninguém para cuidar deles, há muitos que estão sozinhos e isso é um perigo. Infelizmente, há também muitos que são espancados pelas suas famílias.

Porque achas que as famílias acabam por se distanciar dos seus idosos?

– A minha casa é especializada no cuidado de pessoas idosas com Alzheimer, vítimas de AVC e acamadas. Sinto que eles precisam de nós, os saudáveis devem estar com as suas famílias, é um trabalho que requer muito esforço.

As famílias com este tipo de adultos sentem-se sobrecarregadas e não podem cuidar deles, mesmo que seja uma dor levá-los a um Estabelecimento de Longa Duração para Idosos (ELEAM).

Em que aspectos se concentram e trabalham para que os idosos na vossa casa se sintam tratados com dignidade?

– Sempre transmiti ao meu pessoal a importância de tratar os residentes com cuidado, dignidade e respeito, que deveríamos pensar sempre em como gostaríamos de ser tratados na velhice. À admissão dizemos-lhes que chegam à sua casa, que é realmente a sua casa, há quem leve isto muito a sério e dão-nos ordens com autoridade. Algo muito importante é quando alguém falece. Temos um protocolo que é um dos nossos aspectos essenciais, acompanhamo-los rezando, consagrando-os à Santíssima Virgem Maria; chamamos um padre e quando morrem são tratados com o maior respeito, colocamos flores do jardim e uma vela até serem levadas; nesse último momento despedimo-nos rezando em conjunto com todo o pessoal.

Que aspectos do nosso carisma schoenstatteano colaboram com esta missão?

– No dia em que inaugurámos a Casa tivemos uma Missa em que consagrámos a casa como um Santuário-Lar, temos a Mãe coroada, Ela sempre foi a dona da casa. Tentei também fazer de nós uma família, os idosos, o pessoal, as famílias, eu própria. No dia 24 de Dezembro e no Sábado da Glória temos uma Missa com uma celebração às 17 horas.

O que devemos fazer para melhorar a realidade dos nossos idosos?

– Temos de reconhecer que eles existem, que são extremamente valiosos, que nenhum de nós estaria neste mundo sem as suas vidas, os seus esforços e o seu amor, que temos de lhes proporcionar um lugar digno, com todas as suas necessidades satisfeitas, para que possam terminar a sua vida com amor.

Fonte: Revista Vínculo, Julho de 2021, com autorização dos editores

Original: espanhol (26/7/2021). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

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