Colocado em 2020-04-05 In A Aliança de Amor Solidaria em tempos de coronavírus, Santuário Original

Carta do Reitor do Santuário Original para a Semana Santa

SANTUÁRIO ORIGINAL, Pe. Pablo Pol•

É possível que nunca tenhamos vivido – nem iremos viver – uma Quaresma e uma Semana Santa tão especial e significativa como esta que estamos a viver. —

Normalmente, enviaríamos esta carta para a Páscoa. Uma fonte de alegria e felicidade para todos os cristãos, que nos transbordava ao reconhecermos o amor de Deus na Ressurreição de Jesus, para que todos pudéssemos ter a vida eterna.

Este ano, trocaram-nos os planos. Parece que tudo está tingido de cinza e cheio de angústia, que o abandono, a tristeza e a angústia do Getsémani tomaram conta do mundo inteiro e vão ficar connosco por muito tempo. Cada um de nós, vive esta pandemia de acordo com a sua própria experiência e receptividade pessoal. No entanto, as sombras, por vezes, parecem envolver-nos a todos. Procuramos formas que nos dêem encorajamento e esperança. Graças a Deus, a tecnologia ajuda-nos e o isolamento físico não nos impede de manter, ou mesmo aumentar, a nossa proximidade afectiva.

Oração, conversão e confiança

Este tempo também levou muitos a voltarem os seus olhos para o céu. Rezamos pelo “milagre” e esperamos que ele aconteça em breve.

Quando, em Fevereiro, começámos a Quaresma na Quarta-feira de Cinzas, rezámos “convertei-vos e crede no Evangelho” e o sacerdote colocou as cinzas na nossa testa. Tudo o que estamos a viver hoje está a levar-nos a um aprofundamento desta oração.

Como cristãos, queremos viver esta pandemia com um coração que se converte, que regressa a Deus. Parece que o próprio Deus nos quis fazer a pregação durante esta Semana Santa. Agora, isto não significa que, recorrer a Deus seja para nos resolver o problema e pronto. Converter-se e viver com o rosto impregnado com o perfume da alegria interior e saber que, aconteça o que acontecer, estamos com Ele.

Confiamos, não em soluções mágicas (mesmo aquelas atribuídas a Deus), mas confiamos que Deus está connosco, que a Encarnação e a presença de Jesus no mundo é mais real do que nunca e que Ele nos prometeu que estaria connosco “todos os dias até ao fim dos tempos ” (Mt 28).

Por esta razão, o coração convertido é um coração que confia, serenamente, neste caminho difícil que estamos a fazer, para Jesus. Ele vem para nos dar força, para nos libertar da angústia, para nos dar paz interior em momentos de angústia pessoal ou social. Pedimos também o dom da ciência para aqueles que, com um coração generoso e altruísta, colocam todo o seu conhecimento ao serviço dos outros, na busca de soluções médicas para todos.

Passar pela Semana Santa pela mão de Maria

A Santíssima Virgem viveu este caminho do Getsémani acompanhando Jesus. A sua dor maternal, intensa e profunda, não foi poupada. Não houve, para Ela, nenhum milagre que A fizesse saltar toda a Paixão. Ela viveu-a com o Filho com uma “espada trespassará o seu coração“. (cf. Lc 2, 35) mas com uma força que vem do Alto e uma certeza de fé: a Ressurreição, a vida nova, prometida por Jesus, “…mas ao terceiro dia ressuscitará…”. (Mt 20,19).

No Santuário de Nossa Senhora, todos os dias desta pandemia, rezamos e acompanhamos todos os que pedem este dom. Percorrer a Semana Santa juntamente com Jesus, sem se acobardar, sem deixar que a angústia turve tudo, porque estamos absolutamente certos de que a força da Ressurreição, esta “esperança que não decepciona” (Rm 5,5ss), nos sustentará.

Com Maria, façamos o caminho de uma Semana Santa que nos ajude a converter, a acreditar profundamente no Evangelho, na Boa Nova: Jesus ressuscitou e está sempre connosco.

Feliz Páscoa da Ressureição.

 

 

Original: alemão(2/4/2020). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

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