Colocado em 26. Outubro 2016 In Santuário Original

Misericórdia em saída

P. Juan Pablo Catoggio •

Publicamos a homilia do P. Juan Pablo Catoggio, Presidente da Presidência Geral de Schoenstatt, na Missa de 18 de outubro no Santuário Original, de 18 de outubro no Ano Santo da Misericórdia.

Introdução

Querida Família de Schoenstatt,

Celebramos o 18 de outubro, dia de aliança. Coincide com a festa do Evangelista São Lucas. São Lucas é considerado o evangelista da misericórdia. Apenas em seu evangelho se encontram textos como a parábola do filho pródigo, do bom samaritano, a história de Zaqueu ou do ladrão bom. Como evangelista encarna também o dever missionário da Igreja, disso nos fala o evangelho de hoje. Misericórdia e missão, estes são os sinais que marcam a renovação da aliança este ano.

Homilia

O acontecimento de nossa fundação

Celebramos em 18 de outubro, o acontecimento da Aliança, acontecimento de nossa origem e fundação. No começo de nossa história não há uma ideia, uma ideologia ou um plano de escritório. No começo está Deus, está Maria. Há um acontecimento, um encontro. Nosso Padre não se cansou de repeti-lo: irrupção de Deus, irrupção do divino.

São três os aspectos particulares deste acontecimento: primeiro, Deus tomou a iniciativa por meio de Maria, segundo, esta irrupção está inseparavelmente unida a este lugar, ao pequeno Santuário, e por último esta irrupção de Deus é um oferecimento que reclama nossa resposta, nossa colaboração, por isso trata-se de Aliança e sabemos de nossas contribuições ao Capital de Graças.

Podemos nos perguntar: como vivo minha aliança? Posso dizer com convicção que minha aliança é também uma irrupção de Deus em minha vida, em minha história? Posso dizer, como o Padre dizia, que a Aliança é um ponto de inflexão em meu caminho e é cada vez mais o centro de minha vida? Sou consciente desta iniciativa de Deus em mim e através de mim?

Um Schoenstatt em saída, um Schoenstatt missionário

O jubileu 2014 tornou palpável a magnitude e amplitude deste acontecimento, desta aliança. 100 anos de Aliança de Amor nos dão a certeza de que a Aliança faz história, e mais ainda, que faz futuro. A juventude tomou a tocha em suas mãos, eles levam o fogo de Schoenstatt ao futuro. O futuro de Schoenstatt está em boas mãos. Os muitos representantes de todo o mundo mostraram e demonstraram que Schoenstatt pertence a toda a Igreja e a todo o mundo, que a Aliança vai além de todas as fronteiras e que abrange todos os povos, todas as culturas, todas as gerações. Experimentamos a universalidade da Aliança e aprendemos novamente que a Aliança é missão.

Estamos comprometidos com um Schoenstatt em saída, um Schoenstatt missionário, um Schoenstatt que deve sair de sua comodidade e ir ao encontro dos demais, a todos os homens, e principalmente ao encontro daqueles que estão marginados, nas periferias da vida, e estão mais necessitados. Mas este Schoenstatt, queridos irmãos e irmãs, somos nós, ninguém mais, que você e eu.

Um encontro me tocou especialmente este ano. Em Burundi conheci a Irmã Bernita, hoje com 87 anos. Em 1952, com apenas 23 anos, e sendo uma jovem noviça, foi enviada para a África do Sul como missionária. 10 anos depois partiu com outras duas irmãs como pioneira a Burundi. Perguntei-lhe: quando voltou pela primeira vez a Alemanha? 1971, 19 anos depois. E pensa voltar outra vez? Não, já sou muito velha, morrerei em Burundi. Isto já era “Schoenstatt em saída”!

Tempo da Misericórdia

O Santo Padre nos deu um sinal neste Ano Santo, que capta o núcleo do Evangelho e igualmente é o centro de nossa mensagem da Aliança de Amor: a misericórdia. Nenhuma outra coisa, e nada mais importante o mundo de hoje, necessita e espera de Deus, e por isso da Igreja e de nós cristãos. É o “tempo da misericórdia: a Igreja mostra seu rosto materno, seu rosto de mãe, para a humanidade ferida. Não espera que os feridos chamem a sua porta, senão que os vai buscar nas ruas, os recolhe, os abraça, os cura, faz que se sintam amados”. (Francisco, O nome de Deus é misericórdia, p.26)

Este ano haveremos de renovar nossa aliança de amor nestes dois sentidos: como aliança de misericórdia e como aliança de missão. Por um Schoenstatt misericordioso e missionário.

“A Santíssima Virgem é misericordiosa em todas partes, mas em seus lugares, em seus santuários, Ela quer derramar de maneira especial a riqueza de sua misericórdia sobre a humanidade sofredora… Se queremos despertar, desafiar a misericórdia de Deus, a misericórdia da Santíssima Virgem, o que temos que dar para a Santíssima Virgem em virtude da aliança de amor? Primeiro, nossa miséria; segundo, nossa confiança heroica; e terceiro, nossa entrega total… Schoenstatt é uma união perfeita entre a infinita misericórdia de Deus e a ilimitada miséria humana. A história de Schoenstatt não é mais que uma constante competição entre a misericórdia divina e a miséria humana. E, quem triunfa nesta competição? A misericórdia divina triunfa sobre a miséria humana. Segundo: a misericórdia divina triunfa apesar da miséria humana; e terceiro: a misericórdia divina triunfa a causa da miséria humana”. (P. Kentenich, Às Segundas-feiras ao anoitecer 5, 18 de fevereiro 1957).

Misericórdia e missão

O Padre nos diz uma vez mais: Filho, filha, não se esqueça de suas misérias! Não se esqueça da misericórdia de Deus! Não se esqueça de sua mãe!

Fiquemos com estas duas palavras: misericórdia e missão. Só um Schoenstatt misericordioso poderá ser plenamente um Schoenstatt missionário. Como o expressam jovens estudantes no Chile: misericórdia em saída!

 

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Santuario Original, 18.10.2016

Original: Espanhol – Tradução: Lena Ortiz, Ciudad del Este, Paraguay

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