pincel

Colocado em 2020-12-05 In Artigos de Opinião, José Kentenich

O “pincel contra o afresco de nossa orgulhosa civilização…” mariana e missionária

Daniel Martino, Argentina •

Três semanas já se passaram desde a Carta de Paz Leiva, tão afiada e tão direta. Em seguida li as seguintes. E tudo parecia importante para mim. —

Lembro-me que na Sexta-feira Santa deste ano, na celebração da Paixão de Jesus presidida por Francisco em São Pedro, alguns de nós escutamos o padre Ramiro Cantalamessa, quem era o encarregado pelo sermão. Destaco o que ele disse para que fosse aplicado à pandemia e ao momento em que vive a humanidade. Não deixei de aplicar o que disse todos os dias durante os últimos cinco meses, em relação à situação do Pe. Kentenich e de Schoenstatt como família.

A história que contou foi assim. Se ainda não leu ou ouviu, por favor, preste atenção: “Enquanto pintava o afresco da catedral de São Paulo em Londres, o pintor James Thornhill, em determinado momento ficou tão entusiasmado com seu afresco que, afastando-se para vê-lo melhor, não percebeu que iria cair do andaime. Um assistente, horrorizado, percebeu que um grito para chamá-lo só teria acelerado o desastre. Sem pensar duas vezes, molhou um pincel na tinta e o arremessou contra o afresco. O mestre, pasmo, deu um passo adiante. Sua obra estava comprometida, mas ele estava salvo.

Assim Deus às vezes faz conosco: confunde os nossos projetos e a nossa tranquilidade, para nos salvar do abismo que não vemos.

Mas cuidado para não nos enganarmos. Não foi Deus que arremessou o pincel contra o afresco de nossa orgulhosa civilização tecnológica. Deus é nosso aliado, não do vírus! “Eu tenho um desígnio de paz, não de sofrimento”, ele mesmo nos diz na Bíblia (Jr 29,11).”

Manchou de cor o que nos parecia ser uma obra terminada

Como schoenstattiano há 52 anos, não posso deixar de afirmar que o mundo estava avançando muito mais rápido do que Schoenstatt. E quando Francisco foi eleito Papa, em alguns aspectos ficamos mais tranquilos e também mais lentos. E a essa velocidade que um Papa que fala nossa língua, que nos entende, nos deu, começamos a nos olhar demais no espelho. Para tranquilizar a missão. Para desacelerar o ritmo. Para apaixonar-nos pelo que estava feito, por nossa história (mal contada, mas linda), pelas obras e pelo crescimento que estávamos tendo. Mas “olhando-nos no espelho” estávamos prestes a cair no precipício… e apareceu o “pincel contra o afresco de nossa orgulhosa civilização…” mariana e missionária. E manchou de cor o que nos parecia ser uma obra terminada. E horrorizados, percebemos que nem sequer sabemos qual era a história do padre Kentenich.

E esta mulher nos disse que era um desastre. E começamos a perceber que nos faltavam muitos dados, que haviam nos omitido informação, que os Reis Magos não existem…

Como homens e mulheres livres

Bom, devemos entender o que foi escrito por Paz Leiva e atendê-lo. Nós nos preocupamos com o tema de Alexandra von Teuffenbach da mesma forma. Deus a usou para nos impedir de cair no abismo. Ela sujou os afrescos… mas não despencamos ao penhasco de cima do andaime alto.

Estamos felizes e esperançosos de saber a verdade. A “história” tão pós-moderna que vivemos como um infortúnio deste tempo, chegou bem perto de nós. Isso nos contagiou e caímos na armadilha barata dos tempos de transição de época.

Alexandra von Teuffenbach foi e continuará sendo a revista de fofocas que gostamos de ler porque é simples, e nos traz coisas ditas há muitos anos, mas que nunca nos comentaram…. E talvez haja coisas muito verdadeiras que realmente aconteceram; nós não sabemos. É necessário investigar e estudar com seriedade. Temos as melhores – e talvez as únicas – possibilidades de fazê-lo como homens e mulheres livres.

Um salto de consciência

Todos estávamos apaixonados por nossa visão das coisas, pela conexão com a renovação que Francisco propôs e gerencia para a Igreja do presente. E, de repente, o sussurro da Mãe a esta assistente do artista, incita-a a mergulhar o pincel na tinta, a jogá-lo no afresco, a sujá-lo e a danificar a obra, mas salva a vida de nossa Família, pois ao invés de cairmos como tontos, demos um salto de consciência e recomeçamos com o básico: a verdade completa, o esforço para saber a verdade, para estudar e colocar os princípios em prática, acreditar em nós mesmos e aumentar nossa necessária vida de Família.

Nada te perturbe

Até onde chegarão as comissões de estudo e análise, não sabemos. Agora, vamos ler e investigar, procurar material e, esperemos, ter um encontro com toda a verdade. Se o Pe. Kentenich for seriamente investigado, saberemos tudo. E a “verdade nos tornará livres”. E agora leio e entendo porque o Pe. Kentenich nos pediu tanto que estudássemos suas ideias. Não apenas para conhecê-las, mas também para criticá-las e para ver o valor de todo esse esforço que nos deixou.

Se a Mãe de Deus está por trás de tudo isso, sabemos bem como Santa Teresa que diz muito tranquila: “Eleva o pensamento, ao céu sobe, por nada te angusties… Nada te perturbe… A Jesus Cristo segue, com grande entrega e venha o que vier, nada te espante.”

Schoenstatt

Foto: Pedro M. Dillinger

Original: Espanhol (3/12/2020). Tradução: Luciana Rosas, Curitiba, Paraná

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