Colocado em 2020-11-07 In José Kentenich

Com “objetividade científica” e um “interesse particular por Kentenich”

Entrevista com o Prof. Dr. Alejandro Blanco, moderador do Grupo Internacional de Investigação •

A Presidência Geral constituiu o Grupo Internacional de Investigação (IFG) e nomeou seus membros. No último dia 30 de outubro o grupo iniciou seu trabalho. Como editorial de schoenstatt.org redigimos perguntas para uma entrevista com o coordenador deste grupo, Prof. Dr. Alejandro Blanco, Secretário Geral da União Internacional dos Sacerdotes de Schoenstatt, membro da Presidência Internacional. As perguntas incluem questões recolhidas a partir de comentários – e também críticas – do Movimento quando da difusão da notícia da constituição deste grupo. — 

Agradecemos o Pe. Alejandro por sua grande e pronta disponibilidade para responder às perguntas.

 

Há algumas semanas soubemos do nomeamento dos membros do grupo de investigação internacional, o qual é liderado pelo senhor. Quais foram os critérios para a seleção dos membros? 

Não digamos que eu sou o líder, mas sim o moderador deste grupo a pedido da Presidência Geral (GP). O grupo depende diretamente da GP e trabalha para ela.

Eu tenho insistido na ideia de formar um grupo internacional de investigação que integre diversas nacionalidades. Obviamente, não se pode ignorar o fato de que grande parte do desenvolvimento do movimento de Schoenstatt se deu na América Latina: Chile, Argentina, Brasil e Paraguai em particular. Os números de pertencimento ao movimento nestes locais em relação ao pertencimento na Alemanha e na Europa são esmagadoramente maiores. Inclusive na Africa, na América Central, nos EUA e na Ásia a participação é muito importante. Esta realidade não pode ser negada. Por isso, um problema com o movimento de Schoenstatt não é um problema alemão. A Alemanha é a origem de Schoenstatt, mas boa parte de sua história, da história do Padre Kentenich e o desenvolvimento atual do movimento acontece totalmente fora da Alemanha.

Por isso o primeiro critério foi o fato de que justamente fossem pessoas procedentes de várias nações, nas quais Schoenstatt estivesse presente; por exemplo, em alguns casos desde 1936. É muita história para que seja ignorada. Na Argentina, o primeiro presbítero da união, claro que da primeira união – a que nasceu em Hörde – chegou ao país em 1937. É o primeiro presbítero schoenstattiano que desenvolveu Schoenstatt na Argentina (talvez na América) em coordenação com as Irmãs de Maria e com o próprio padre Kentenich. E foi o motivo pelo qual o padre Kentenich o visitou depois de sair de Dachau (ES), pregou uma famosa missão popular e um retiro espiritual para os vizinhos de sua paróquia e abençoou o santuário de Paso Mayor no meio da Pampa, definindo por escrito no missal da antiga capelinha o caráter de santuário que teria esse lugar a partir daquele momento e estampando sua assinatura. Tudo isso enquanto se desenvolvia na Alemanha o processo que desencadeou o exílio de Kentenich em Milwaukee.

Visita do Pe. Kentenich a Paso Mayor, 1952. Direito: Pe. Maibach

segundo critério de seleção foi o fato de que os candidatos deveriam representar as diversas comunidades internacionais e organizações de Schoenstatt. Quer dizer, que as uniões, os institutos, o JK-Institut como instituição decana em investigação, estivessem representados – todos – na medida do possível. Por isso, foi solicitado aos chefes e superiores gerais de cada comunidade e organização que apresentassem seus candidatos. Isto significa que nenhum membro do grupo foi eleito, mas sim indicados através de seus chefes de comunidade. Justamente para dar legitimidade à sua presença como voz de sua comunidade ou organização de pertencimento.

terceiro critério foi o fato de que tivessem vasta experiência em investigação e estrutura acadêmica universitária adequada. Não é importante que as disciplinas sejam muito variadas. Hoje em dia, em investigação trabalha-se normalmente com grupos transdisciplinares.

Há, é claro, o conhecimento suficiente da teoria e práxis do fundador de Schoenstatt, que no caso das pessoas escolhidas está completamente garantido.

Em uma primeira reação à notícia, recebemos em schoenstatt.org algumas perguntas ou comentários críticos, tais como: Surge-me a seguinte inquietação: Se a diocese de Tréveris já constituiu uma comissão para a investigação da situação do Pe. Kentenich: Por que surge uma comissão interna por parte do Movimento Internacional? 

A pergunta é particularmente importante e eu a agradeço porque me ajuda a especificar o objetivo específico da IFG (Internationale Forschungsgruppe / Grupo Internacional de Investigação).

Nosso objetivo é completamente diferente ao da comissão de historiadores que foi estabelecida por Tréveris. Esta comissão diocesana tem como objetivo responder às novas objeções que apareceram sobre a pessoa do fundador de Schoenstatt, a partir da documentação que foi desclassificada do antigo Santo Ofício. Estes elementos dever ser integrados à Causa-Kentenich, que é a causa de canonização que foi aberta por Tréveris em 1975. Ultimamente surgiram mais questionamentos partindo de documentações que já constavam na causa e que foram divulgadas e tornadas públicas. A objeção, segundo o que posso compreender, pode ser resumida desta forma: se tais ou quais elementos constavam na Causa-Kentenich, em virtude da seriedade das denúncias, como é possível que tenham sido ignoradas tais denúncias e que a causa de canonização tenha continuado até terminar a fase diocesana?

Esta resposta não pode ser dada por ninguém, a não ser por uma nova comissão diocesana de historiadores que argumente porque foi feito isso e não outra coisa, que ratifique ou retifique o que foi feito. A comissão anterior de historiadores terminou sua tarefa. Por isso, é necessária a constituição de uma nova.

Quando se trata de um fato que ocorreu há 70 anos e se os supostos agressores e vítimas estão hoje todos falecidos, o juízo do que aconteceu é da história. Não pertence nem à justiça penal, nem à civil. Se aconteceram fatos passíveis de denúncia, os mesmos já estariam prescritos para a justiça.

O problema que está diante do caso Kentenich é que temos aqui uma causa de canonização aberta, que é regida pelo Direito Canônico e que depende em última instância da Congregação dos Santos em Roma. Por isso é que ainda há um julgamento em curso: é o julgamento que define se uma pessoa é ou não santa para ser venerada no altar.

Por isso o fato de que a importância da comissão de historiadores seja maior do que a de uma discussão normal no campo da historiografia, na qual são apresentados argumentos científicos para poder reconstruir o que aconteceu ou não no passado. O veredito da historiografia sempre está aberto a novas discussões e hipóteses. Como em toda ciência, nada é definitivo. Por outro lado, um julgamento canônico para a beatificação de uma pessoa, em algum momento é definitivo (às vezes demora séculos) e a Igreja opta por outorgar ou não a dignidade dos altares a tal pessoa.

Você pode se perguntar: por que me detenho tanto em explicar o objetivo da comissão de historiadores e não o da IFG (Internationale Forschungsgruppe / Grupo Internacional de Investigação)? Por que você não deixa que eles, ou o bispo, defina tal objetivo? Simplesmente porque uma comissão formada em uma causa de canonização não pode ter outro objetivo que não esse. Não pode escolher se dedicar a outra coisa.

Para mim pessoalmente o esclarecimento destes procedimentos vinculados à canonização do padre Kentenich ajuda na compreensão da completa diferença que existe entre o nosso grupo de investigação transdisciplinar e a comissão diocesana de historiadores.  

 

Então qual é o objetivo do seu grupo?

Queremos aprofundar-nos no estudo da teoria e da práxis de Kentenich, dissociando-nos da discussão sobre fatos específicos que têm estado em questão ultimamente. Isto significa que nós não discutiremos  diretamente com ninguém sobre tais fatos. Em todo caso, se pudéssemos discutir com alguém, naturalmente além de nós mesmos, seria com o padre Kentenich.

A tarefa de investigar os fatos que são atribuídos ao padre Kentenich é do postulador da causa e da diocese de Tréveris, cujo bispo, que naquele momento era o próprio Bernhard Stein, foi quem iniciou o conflito pelo qual Kentenich seria separado da Obra durante 14 anos e abriu a causa de canonização de Kentenich em 1975. O trabalho da comissão diocesana de historiadores será árduo, pois há pessoas que, com elementos probatórios para serem examinados, sustentam que neste caso, o suposto agressor é na realidade a vítima, coisa que também acontece com frequência. De qualquer maneira, não é terreno de minha incumbência.

Nossa contribuição está na linha da compreensão profunda da contribuição doutrinal de Kentenich à psicologia e à pedagogia religiosas, baseada em uma nova visão antropológica própria, que assume muitos aspectos da tradição eclesial e está em sintonia com ela, mas que se apresenta em uma nova síntese muito criativa. Esta síntese responde à demanda do perfil sociocultural das pessoas do nosso tempo, o que pode ser chamado de Modernidade Tardia e que Kentenich define, em metáfora, como “a nova margem do tempo”.

Claro, isto é uma hipótese de trabalho. Devemos perceber que estamos lidando com uma contribuição teórico-prática original. Este é o assunto de nossa argumentação.

Faremos isso estudando textos escolhidos de Kentenich, especialmente aqueles não publicados, em alemão e em espanhol. Trata-se de desdobrar certos conceitos técnicos originais de Kentenich que abrem um universo de novo significado e que devem ser explicados e aprofundados cientificamente.

Este caminho foi percorrido por muitos estudiosos de Kentenich que trabalharam cientificamente durante muitíssimos anos (Hug, King, Vautier, Strada, Sosa Carbó, Amrheim, Schlosser, Alliende Luco, Alessandri, Unkel… citando alguns e sabendo que deixo injustamente de fora muitas pessoas) que nos precederam e cujas investigações teremos muito presente para a hermenêutica dos conceitos kentenichianos e a doutrina implícita neles.

Lamentavelmente os resultados destas investigações não foram suficientemente divulgados no mundo científico acadêmico, nem foram reconhecidos e estudados pela maioria dos schoenstattianos. Também não foram levados ao território da transferência, quer dizer, levados aos meios didáticos que coloquem à disposição estes resultados, que não são facilmente explicáveis, se não através de uma ferramenta deste tipo.

A razão? Uma concentração unilateral na práxis pastoral, repetindo pela tradição oral o praticado, uma e outra vez com maior ou menor sucesso, segundo os inumeráveis casos, mas sem trabalhar suficientemente na sistematização científica dos princípios que sustentam esta práxis. Talvez se esta tarefa tivesse sido realizada com melhor resultado, algumas perguntas que surgem hoje – mais uma vez – sobre a práxis de Kentenich, poderiam ser respondidas de forma mais robusta.

A omissão de princípios e fundamentações claras sempre dá espaço para interpretações ambivalentes. Isto dito estritamente a partir da tentativa de dar razão a uma hipótese científica.

 

Qual a credibilidade para os schoenstattianos que querem se aproximar de uma verdade ‘objetiva’, uma comissão constituída por… schoenstattianos?

Bom, eu defini qual é o raio de atuação e o objetivo. Em um grupo de investigação como o que propomos, que parte da hipótese de uma contribuição original à teoria e à prática religiosa pastoral por parte de Kentenich, os membros têm que ter necessariamente um interesse particular por Kentenich e devem partir do pressuposto de que isto pode ser uma realidade explicável cientificamente. Na realidade, o decisivo não é que seja ou não schoenstattiano, mas que sim que conheça Kentenich – no sentido integral da palavra conhecer – com a maior profundidade que seja possível alcançar e que tenha interesse por seu sistema e sua práxis. Ao mesmo tempo, que suponha que Kentenich, tal sistema e tal práxis seja uma contribuição original.

É muito difícil pedir a uma pessoa que não tem interesse nem conhecimento sobre Kentenich que o investigue. Muito mais difícil ainda é pedir-lhe que parta da hipótese de que Kentenich fez uma contribuição original ao saber.

O que deve ser pedido a um grupo de investigação como o nosso é “objetividade científica”. O que isso significa? Que parte-se de uma hipótese de trabalho, que é uma suposição, uma afirmação a priori, e que no desenvolvimento da investigação pode ou não comprovar-se. Em nosso caso isso significaria que Kentenich efetivamente não tem nada de novo a dizer no teórico-prático e, neste caso, não seriam de maior valia suas afirmações e práticas.

Isso quer dizer que devemos estar preparados para chegar a uma conclusão diferente da hipótese de ponto de partida.

Certamente pode acontecer de um investigador que se aprofunda em um autor para refutá-lo. Neste caso, a hipótese de ponto de partida é contrária à nossa. Ainda que o interesse pelo autor a ser investigado também esteja presente neste caso.

Mas tal investigador deve cumprir o mesmo requisito: pode acontecer de não refutá-lo. Pode chegar a conclusões contrárias ao ponto de partida. Seus argumentos podem ser débeis, sem solidez suficiente. A honestidade intelectual do investigador deve assumir tais resultados para que o seu trabalho seja ciência e não ideologia, a qual trata de se impor a qualquer custo.

Geralmente, quase todas as investigações partem da pergunta sobre a a contribuição inovadora do investigado e não a partir de um interesse para refutá-lo, mas essa perspectiva também é válida.

 

 Como o trabalho vai acontecer concretamente? Será de forma presencial, virtual, em pequenos grupos…? 

Neste momento não há nenhuma possibilidade de trabalhar de forma presencial. Já começamos a trabalhar através de uma plataforma virtual e assim será – acredito – por muito tempo. Em nosso tipo de trabalho, isso não afeta de forma essencial o trabalho, ainda que, claro, sentimos falta do calor do encontro pessoal. O grupo será distribuído em diferentes equipes de trabalho.

 

O fato de ser feito um trabalho de uma edição crítica das obras do padre Kentenich em alemão e em espanhol, de forma simultânea, impressionou muitas pessoas. Como o senhor vê este fato: como um desafio, como um presente, como uma resposta à internacionalidade…?

A verdade é que é um desafio. Baixamos um pouco as expectativas, pelo menos sobre o material a ser abrangido no tempo projetado. Escutei que Paul Vautier, o qual conheci muito bem porque foi acompanhante de um ano intensivo do meu curso, dizia que se quisesse fazer uma edição crítica de tudo, teria que trabalhar sobre 100.000 páginas.

Falemos nestes três anos da edição crítica de alguns textos que giram em torno a Milwaukee. Aqui recortamos o campo de investigação. O importante disto é o aparato crítico, o que se expressa nas introduções e notas. No Projeto Alpha está tudo explicado e traduzido em cronograma. Pode ser divulgado.

Cronograma

A) Análise hermenêutica histórica crítica. 1. Discussão e seleção de textos (consultar toda a IFG) 2. Distribuição de tarefas ~1. Equipe de detecção (comparação) de fonte textual (arquivo) discussão e fixação do texto alemão: notas de crítica textual. 2. Equipe de tradução ao espanhol (afirmações em doutrina kentenichiana, teologia, filosofia, psicopedagogia religiosa) 3. Fixação do texto alemão (padrão) 4. Tradução ao espanhol. 5. Leitura crítica em dimensão tripla sinalizada.. 6. Elaboração do aparato crítico em espanhol e alemão. 1. Rascunhos 2. Comparação, discussão 3. Definição de introduções e notas de aparato crítico. 4. Relatório final para a GP 5. Começo dos trabalhos de publicação digital e em papel (contatos com editoras, impressão…)

Coronograma Fase 2

B) Análise de casos 1. Distribuição de tarefas Abordagem responsável psicopedagógico Abordagem responsável psicoterapêutico 2. Seleção de casos (proposta aberta para todo o IFG) por parte dos responsáveis APP / APT3. Validação da fonte textual (equipe de detecção de fonte textual) 4. Leitura crítica a partir de uma perspectiva psicoterapêutica e psicopedagógica. 5. Validação crítica científica do modo de abordagem da relação interpessoal, pressupostos, método, resultados, acertos, erros. 6. Relatório final para a GP 7. Ajustes 8. Início dos trabalhos de publicação digital e em papel (contatos com editoras, impressão…)

 

Além disso, em nosso caso, queremos dar conta dos textos completos, respondendo a uma situação problemática inicial muito simples: a maioria das publicações sempre foram fracionadas para efeito de análise temática. Isto é excelente do ponto de vista dos estudos realizados, mas falta a publicação completa das fontes destes estudos, por mais que nem todos os textos tenham um valor científico equivalente.

Esperamos a ajuda da Mãe de Deus, por isso também será um presente. E a internacionalidade deve ser necessariamente expressada pelas razões que mencionei antes.

 

Qual é o tempo a ser dedicado pelos membros do grupo (os quais estão em suas profissões e com suas famílias e projetos)? Pode-se esperar que façam isso no seu tempo livre, ou seja, durante a noite ou em suas férias?

A princípio trabalhamos “ad honorem”, o que significa um esforço enorme para as pessoas que foram convocadas. Sou consciente disso. É possível que no desenvolvimento da investigação possa se dar a possibilidade de vinculá-la a uma universidade, o que ajudaria na hora de conseguir algum subsídio. Pelo menos para a publicação dos resultados ou dos materiais de investigação.

 

Vocês contam com quais ferramentas, fontes e textos? Serão abertos os arquivos dos Institutos?

O Grupo de Investigação trabalha para a Presidência Geral e em dependência direta dela. Outorgou-se uma delegação por escrito aos membros, o que certifica este fato. Os arquivos, de acordo com as regras que regulam o seu uso, em concordância com as normas do episcopado alemão sobre o cuidado de arquivos históricos eclesiásticos, serão abertos para nossos membros. Há transcrições alemãs excelentes das fontes. Bastaria certificar seu código de referência ao Gründerarchiv, por exemplo, ou a outro arquivo.

 

O que o Pe. Alejandro Blanco espera deste trabalho? Onde estará Schoenstatt, ao terminar os 2 ou 3 anos de estudo, quando o resultado for entregue? 

Espero que o trabalho sirva para demonstrar a hipótese de partida. Se não for assim, aceitaremos os resultados como compete à honestidade intelectual de um cientista.

Espero um Schoenstatt mais desperto aos desafios do tempo, mais audaz na esteira da nova era, com menos medo de arriscar. Mais atualizado, à altura do papa Francisco; com maior capacidade de autocrítica e de readaptação às exigências da época, sem buscar desculpas em uma possível traição dos princípios do fundador. De qualquer maneira, para isso é necessário ter os princípios claros e diferenciá-los das formas procedimentais de aplicação, que devem ser revisadas. Caso contrário, corremos o risco de transformar formas em princípios, como já aconteceu tantas vezes na história da Igreja. Em uma comparação com a teologia: a Revelação é o começo, seja ela escrita em hebraico, grego ou em alemão, é a forma pela qual a Palavra de Deus foi historicamente moldada. Não se trata de mudar a Palavra de Deus, dizer mesma coisa em outra língua, não retira seu caráter de verdade revelada.

 

Quais são os três maiores desafios?

  1. Juntar critérios na interpretação da originalidade das contribuições de Kentenich, somando perspectivas, buscando consensos.
  1. Conseguir realizar um trabalho qualificado, com aparato crítico completo em seus textos e o desenvolvimento de forma muito precisa dos tópicos escolhidos a partir dos textos.
  1. Despertar interesse na Família de Schoenstatt, bastante adormecida na questão de valorizar as contribuições originais do fundador – inclusive no sentido de despertas a consciência de que a investigação deveria ser financiada, como é o caso de outros movimentos da Igreja (penso nos Focolares, por exemplo) – e voltada muito unilateralmente para um modelo mariano pietista; saudável, mas inofensivo, que favorece a piedade popular, mas negligencia o território dos fundamentos últimos; e por outro lado, que busca a qualquer custo o reconhecimento eclesiástico do fundador, esquecendo um princípio fundamental: é o Povo de Deus que faz os santos. Neste sentido, nosso desenvolvimento da piedade popular é a forma mais adequada para este fim. Mas não devemos esquecer o trabalho sobre a contribuição científica do Kentenich, pelo menos levando em consideração a hipótese a partir da qual eu parto. Posso estar errado? É claro que sim!

E os três resultados mais esperados? 

Eles ultrapassam um pouquinho o trabalho de investigação:

  1. Um Movimento que atue mais articuladamente, não verticalmente ditando ordens como um exército, mas sim em cooperação corresponsável. Isto é, elevar ao maior grau possível o modelo federativo, sinodal, de condução.
  2. Uma maior harmonia, uma cordialidade, uma franqueza humilde, uma “irmandade” (na linha da “Fratelli tutti”) entre nossas diversas comunidades, o que parece começar a nascer neste momento, como uma graça que está unida à cruz comum, em relação aos fatos que aconteceram ultimamente. Realmente gosto de me sentir muito irmão de todas as comunidades com suas características e acentuações e eu gostaria de ser um muro de proteção para as mais laceradas.
  3. “Hoc novus tempus ad Patrem” foi o que escrevi em minha vela de Aliança há 40 anos. Não é o meu ideal pessoal. Isso eu não revelaria, somente através da vida vivida. É um objetivo estratégico que me acompanha desde então. Espero cumpri-lo.

Muito obrigado, Pe. Alejandro.

Projeto Alpha (pdf)

Original: Espanhol (5/11/2020). Tradução: Luciana Rosas, Curitiba, Brasil

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