Colocado em 2020-06-29 In José Kentenich, Projetos

Os cinquenta anos do Instituto José Kentenich

Entrevista com o Dr. Peter Wolf, membro fundador do Instituto José Kentenich •

“Aproxima-se o 50º aniversário da fundação do Instituto José Kentenich (JKI – José Kentenich Institut). O grande encontro anual e o congresso planeado foram vítimas da pandemia do Coronavírus. Queremos celebrá-lo de 6 a 8 de Julho aqui em Oberkirch, em pequena escala, no mesmo local onde teve lugar a fundação. Interessa-me que esta iniciativa para o trabalho do nosso Pai não desapareça completamente com a pandemia”, escreve o Dr. Peter Wolf ao corpo editorial de schoenstatt.org. Quando se trata do Pe. Kentenich e da penetração mais profunda do seu pensamento, ficamos felizes em ajudar – e perguntamos ao membro fundador, Dr. Peter Wolf, sobre o Instituto José Kentenich, a sua origem, o seu trabalho e a sua relevância hoje em dia para Schoenstatt e não só. —

O Instituto José Kentenich (JKI) surgiu da iniciativa de alguns membros dos sacerdotes diocesanos do Instituto de Schoenstatt. O seu objectivo era levar as preocupações do Fundador do Movimento de Schoenstatt, Pe. José Kentenich (1885-1968), desde as experiências dos seus estudos teológicos até à discussão das ciências teológicas, pedagógicas, psicológicas e sociais e confrontá-las com os problemas actuais da Igreja e da sociedade. (História do JKI) O objectivo do JKI é, portanto, uma visão científica mais profunda da abordagem de José Kentenich e a introdução das suas preocupações na ciência de hoje, como podemos ver a partir do seu website maravilhosamente concebido (www.j-k-i.de, em alemão), que oferece uma série de verdadeiros tesouros, incluindo uma versão online do Schönstatt-Lexikon (Dicionário de Schoenstatt) e uma versão online do Kentenich-Reader em alemão e inglês.

Mons. Wolf, como foi o início do Instituto José Kentenich?

Dr. Peter Wolf

Dr. Peter Wolf

“A data da fundação foi 8 de Julho de 1970. Escolhemos o Centro Marienfried de Schoenstatt em Oberkirch, onde o Fundador tinha visitado o Movimento de Schoenstatt da Arquidiocese de Freiburg três anos antes. Encontrámo-nos na sala de conferências da então nova Casa do Padre Kentenich. Proferi o discurso de abertura da fundação. O título era: O carisma do Padre José Kentenich na sua exigência teológica. No discurso, o Instituto José Kentenich foi apresentado como um presente jubilar no 60º aniversário da Ordenação sacerdotal do Fundador, uma vez que, era um seu desejo antigo.

Qual era o anseio da fundação nessa altura?

“Acima de tudo, vimos diante de nós a tarefa de retomar o que o Padre Kentenich disse na teologia do seu tempo, assimilando-o, compreendendo-o, confrontando-o com as novas correntes teológicas e traduzindo-o. Estávamos conscientes de que tal reflexão e tradução devia ser realizada por pessoas profundamente vinculadas ao Fundador e que estão na corrente de vida do seu Movimento.

Já nos primeiros anos, o círculo de membros do JKI se expandiu para além do Instituto dos Padres, tal como estabelecido nos estatutos da sua fundação. As adições notáveis nos primeiros anos foram o Pe. Paul Vautier da Suíça e o Pe. Günther M. Boll do Círculo dos Padres de Schoenstatt. Nessa altura, este último já era considerado um excelente conhecedor do Fundador do Movimento. Após a morte do Fundador, começou a publicar textos importantes e, como membro da equipa editorial da revista internacional REGNUM, foi um contacto importante para o JKI nos círculos dirigentes do Movimento. No semestre de inverno de 1973/74, o Pe. Lothar Penners, que estava a trabalhar numa dissertação com o Prof. Klaus Hemmerle na Universidade de Freiburg, juntou-se ao JKI. A partir de 1974, Gertrud Pollak, que nessa altura estudava língua e literatura alemãs e teologia na Universidade de Freiburg e que mais tarde recebeu o seu doutoramento com uma dissertação sobre Institutos Seculares sob a direcção do Prof. Karl Lehmann, começou a trabalhar com o JKI. Estes novos colaboradores estimularam-nos e confirmaram-nos no caminho que tínhamos escolhido.

Como é que começaram a trabalhar nessa altura? Existe alguma coisa como uma “primeira obra”?

 “A primeira tarefa que nos propusemos como um Instituto recentemente fundado foi rever os resultados do Seminário Mariano e publicá-los em livro com o qual queríamos “apresentar-nos” à nossa própria Comunidade e em Schoenstatt. Como título, decidimo-nos por “Maria, a nova pessoa em Cristo“. A publicação em forma de livro esteve a cargo de Karl-Heinz Mengedodt, o primeiro presidente do JKI. Foi também ele que encontrou uma tipografia acessível gerida por estudantes na zona antiga de Freiburg, perto do restaurante Wolfshöhle. Cartazes de senhoras pouco vestidas estavam pendurados em todo o lado nas salas subterrâneas da tipografia. Sentimos que o ambiente não se enquadrava realmente no nosso livro e no nosso tema. Lembro-me praticamente de pedir desculpa a Nossa Senhora com as palavras: “MTA, fecha os olhos!” Mandámos imprimir trezentos exemplares. Cada um dos nossos primeiros membros do JKI devia receber uma cópia. Na nossa própria Comunidade e em Schoenstatt, oferecemos a preço de custo (5 DM – Marcos alemães). Lembro-me, para além das questões e preocupações críticas (incluindo uma citação no Marienau), de muitos ecos positivos e agradecidos, especialmente do círculo de confrades interessados do Instituto dos Padres.

Nos seus 50 anos de existência, o JKI publicou muitos outros livros e escritos e organizou cursos avançados e dias de estudo. Existe algum marco especial?

No início da década de 1990, nasceu a ideia de anunciar um prémio e assim estimular forças para além do círculo JKI para estudar Kentenich. Foi numa conversa entre a Dra. Gertrud Pollak e eu sobre a questão de como poderíamos interessar e encorajar os estudantes a se envolverem mais com Kentenich e Schoenstatt nos seus estudos. Em Freiburg, os teólogos têm recebido, repetidamente, prémios pelos seus últimos trabalhos sobre a história da Igreja na Silésia. Queríamos algo como isto para o nosso JKI e em breve concebemos uma brochura com condições concretas e um prémio de 500 DM (Marcos alemães). O novo prémio foi muito bem recebido e já em 1994 pudemos homenagear o vencedor do primeiro prémio. Em 2019, houve 22 vencedores do prémio JKI, nove dos quais são mulheres e 13 homens.

O prémio ajudou a tornar o nosso Instituto mais conhecido entre a juventude de Schoenstatt, mas não nos trouxe o aumento esperado de novas forças para o JKI.

Os cursos de acompanhamento espiritual são também conhecidos para além do Movimento de Schoenstatt. O que é que eles têm de especial?

“Nas estimulantes Jornadas Pastorais do início dos anos oitenta, nas quais também participaram oradores da JKI, surgiu o tema do acompanhamento espiritual. O tema tinha-se tornado cada vez mais urgente e o JKI ia ser abordado, com o risco de um “Curso Básico de Acompanhamento Espiritual”. Este foi o passo importante para uma nova experiência do nosso Instituto que oferece cursos de formação. O primeiro curso básico ficou sob a direcção do Pe. Peter Locher e começou em 1986. A publicação do livro: Weg-Begleitung: Geistliche Führung zu mündigem Christsein, (Acompanhamento: orientação espiritual para um cristianismo maduro), ed. Karl Heinz Mengedodt, Vallendar 1987, coincidiu com o início dos cursos de acompanhamento espiritual.

Queria mostrar como queríamos que estas ofertas do JKI fossem compreendidas.

Entre 1986 e 1998 foram realizados no Monte Moriah um total de sete cursos básicos de acompanhamento espiritual. Após os cursos terem sido inicialmente frequentados por membros do Movimento de Schoenstatt, o círculo de participantes expandiu-se cada vez mais para incluir agentes pastorais e membros de várias Ordens e comunidades religiosas de diferentes Dioceses. Nos anos de 2002 a 2008, foram realizados cursos sobre vários temas no âmbito do acompanhamento espiritual. Ainda hoje existe o curso básico do acompanhamento espiritual, bem como Jornadas especializadas e de aprofundamento.

Nos cursos de formação de Assessores espirituais, para além das normas padrão destes cursos de formação, desenvolveu-se um trabalho com os respectivos novos conhecimentos nas áreas da psicologia, conversação, teologia, antropologia e pedagogia. No espírito de José Kentenich, os cursos centram-se sempre em processos pessoais e métodos de trabalho orientados para o processo dentro dos grupos. Em cada uma das sub-áreas, era importante para o JKI trabalhar com tutores de cursos que fossem devidamente qualificados através de formação ou estudo adicional.

Os cursos de formação para o acompanhamento espiritual tornaram o JKI conhecido muito para além de Schoenstatt e atraíram a atenção e o reconhecimento no campo da formação para o acompanhamento espiritual.

Muito obrigado, Dr Wolf, pelas interessantes explicações sobre o JKI. Espero que se torne ainda mais conhecido. Terá tempo de nos contar o que senhor e os outros participantes da celebração, num pequeno círculo, imaginam para o futuro do JKI.

Parabéns JKI!

 

Presença da JKI na Internet (alemão, inglês)

Original: alemão (25/6/2020). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

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