Colocado em 19. Fevereiro 2019 In José Kentenich

Cartas a Josef Fischer – não apenas um documento da época da fundação

ALEMANHA, Maria Fischer •

“Acho que você, em honra da nossa Mãe celeste, deve contar-nos todas as suas experiências, nas quais, Maria teve um papel importante. O que for útil publicá-lo-ei para glória de Maria e, como estímulo, para todos os Congregados. Deste modo, pode encontrar na nova “Fahne” [1] alguns extratos das cartas que, você e outros Congregados, escreveram. Ficamos nisso? Continue a ajudar-me a educar os nossos Congregados. “Uma carta de José Kentenich para Josef Fischer, o Perfeito da Congregação de Estudantes de Schoenstatt, escrita em 21 de Março de 1915, exactamente 100 anos antes do relançamento de schoenstatt.org com um novo design e, com um perfil muito mais acutilante, deliberadamente, não como um meio oficial mas como, uma iniciativa livre de serviço à vida da Família de Schoenstatt mundial segundo o modelo daquela revista “MTA”, a que celebrou e promoveu a diversidade da vida e das correntes de vida, apenas dois anos depois da fundação de Schoenstatt.—

Com base nesta carta a Josef Fischer e aos processos nela descritos, vê-se que José Kentenich já usava, tanto, o material autêntico das cartas nas quais eram expressas as experiências pessoais, como também, a difusão jornalística de experiências religiosas quotidianas e “ideias schoenstatteanas”. Assim o fez, pelo menos um ano antes da publicação da revista MTA, praticando e experimentando isto num contexto mais pequeno, ou seja, dentro de uma revista estabelecida. Quando fundou a revista MTA, em Março de 2016, sabia que lançava no mercado uma coisa nova mas, já provada na vida: “Vanguarda do Concílio Vaticano II”, chamou-lhe, em 1997, o Prof. Dr. Westerbarkey, Decano da Faculdade de Ciências Sociais em Münster, Alemanha. Um produto que foi aceite, não apenas, pelos 180 schoenstatteanos que existiam na altura, mas também, pelos jovens, cujas vidas foram desperdiçadas nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial e que, com grande entusiasmo, acolheram a esperança real publicada na MTA.

Kentenich arriscou a liberdade, arriscou, com a revista MTA, a formação de opiniões livres sobre assuntos tão relevantes como a proposta para demolir a “capelinha” e substituí-la por uma igreja grande e digna. Ele sabia que, isto podia ser perigoso, que o pequeno e inquestionável consenso, como base para o livre arbítrio da vida, podia desmoronar-se. Isto, disse-o ao seu Perfeito que, em mais de uma oportunidade, quis fazer, com todas as suas forças e todo o seu amor, uma proposta vinculativa para todos. Porque existia um perigo muito maior que Kentenich quis evitar a todo o custo e que praticou até ao fim da sua vida: o da intervenção “oficial”, a uniformidade e o igualitarismo, a intrusão do “oficial” no espaço livre, na vida, na criatividade, na iniciativa própria, nas decisões e, sobretudo, onde reina a generosidade. Muito mais tarde, tentou ancorar a interacção da comunidade e a livre (por exemplo; na relação entre comunidade oficial e Cursos nas Uniões), sabendo muito bem que, isto não seria suficiente para proteger e fortalecer o espaço livre tão importante para o seu Schoenstatt.

Objectivo e fiel à vida

Apesar de Josef Fischer, por mais de uma vez, não ter tido êxito com as suas sugestões no processo de formação livre da opinião e da vontade, ele sabia, melhor que ninguém, a importância disto para esta nova estrutura que, nesse tempo, ainda não se chamava Schoenstatt, ao ter que ser construída com base nas mútuas inspirações e diálogo e, não, através de ordens. Josef Fischer escreveu em 14 de Abril de 1916:

“Como podemos promover esta Obra (refere-se à revista MTA. Nota da redacção) no campo de batalha? Sem dúvida, pensar e viver no espírito que, dela deriva; voltar a reflectir sobre tudo o que foi proposto e discutido; compará-lo com as nossas experiências, tirar conclusões e, em seguida, falar sobre isso, abertamente, com a Direcção da Congregação. Deste modo, a comunicação manter-se-á objectiva e fiel à vida” (Josef Fischer, 13/4/1916, MTA 1 – 1916/1917, Nr. 6:24).

As cartas a Josef Fischer agora estão acessíveis a todos

O director espiritual do Centro de Schoenstatt Marienfried em Oberkirch, Alemanha, o Prof. Dr. Peter Wolf, publicou as cartas que o Padre Kentenich escreveu a Josef Fischer durante a Primeira Guerra Mundial e a seguir a esta. Um tesouro enterrado que, finalmente, foi extraído e posto à disposição de toda a Família de Schoenstatt mas, por agora, só em língua alemã.

“Estas cartas são um precioso testemunho da grande confiança que o Padre Kentenich depositou, nesse tempo, no jovem Josef Fischer. Mostram, de muitos modos, como o Padre Kentenich entendeu e exercitou o acompanhamento espiritual ou a condução espiritual, como então era chamada. Mais uma vez, nos mostram como o Padre Kentenich foi capaz de despertar o sentido de responsabilidade partilhada e de involucrar e valorizar, de igual para igual, um jovem estudante, como seu colaborador. Estas cartas mostram, claramente, quão sensível e, com que apreço, o Padre Kentenich respondeu às suas necessidades e perguntas e, mostram a grande fidelidade com que o acompanhou, ao longo dos anos”, assim o manifestou o Dr. Wolf.

Serões Kentenichianos no Centro de Schoenstatt Oberkirch

“Desde meados de 2017, oferecem-se Serões Kentenichianos no nosso Centro de seminários e de formação Marienfried. Surgiram por causa da publicação das conferências proferidas pelo Padre Kentenich em Oberkirch em 1967. Desde então, assistem pessoas interessadas na leitura e conversa comum sobre o assunto. Em 2019, o tema dos Serões são as cartas que o Fundador escreveu a Josef Fischer. Josef Fischer foi o primeiro Perfeito dos estudantes da Congregação Mariana fundada pelo Director Espiritual, Padre Kentenich. Fischer estava tão fascinado com a irrupção espiritual em torno do jovem Padre Kentenich que, não parava de falar disso, vezes e vezes sem conta, aos seus companheiros de estudos em Freiburg e, em 1919, foi formado, na Diocese de Freiburg, o primeiro grupo de Schoenstatt”, conta o Prof. Dr. Wolf, Director Espiritual do Centro de Schoenstatt de Marienfried em Oberkirch.

O Dr. Wolf está feliz em poder participar nos Serões Kentenichianos e em poder responder às perguntas que possam surgir da leitura.

Como Redacção de schoenstatt.org agradecemos, de todo o coração, ao Dr. Wolf a publicação destas cartas.

 

 

Peter Wolf
Mein lieber Präfekt!
Briefe an Josef Fischer aus der Gründungszeit Schönstatts
Patris Verlag
ISBN: 978-3-946982-07-4

 

 

 

 

 

 Original: alemão (3/2/2019). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

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