Colocado em 3. Abril 2015 In José Kentenich

Quaresma: A viagem da semente – 6a parte

por Sarah-Leah Pimentel

Deus escreve direito por linhas tortas. Esta é a nossa experiência de vida. Às vezes os nossos planos perfeitos não funcionam. Outras vezes sentimos que estamos no caminho certo e as circunstâncias viraram tudo de cabeça para baixo. O Movimento de Schoenstatt recém-nascido de 1914 não poderia ter imaginado os acontecimenos que moldaram a história dos seus primeiros 100 anos.

Deus escolheu escrever sobre estas linhas tortas

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Uma e outra vez, parecia que tudo estava agindo contra. Joseph Engling, Max Brunner, Hans Wormer – alguns dos primeiros congregados – nem sequer chegaram a ver os primeiros cinco anos da vida de Schoenstatt. As primeiras Irmãs de Schoenstatt enviadas para a África do Sul e, em seguida, para as Américas assim que tinham terminado a sua formação e elas encontraram-se numa espécie de exílio em terras estrangeiras onde tinham que ir descobrindo à medida que iam estando. E ninguém vai para um campo de concentração e espera sobreviver.

Esta não é a melhor maneira de construir as bases de um movimento espiritual internacional. E, no entanto, foi sobre estas linhas tortas que Deus escolheu escrever. Então, à medida que vamos concluindo esta caminhada quaresmal vamos olhar novamente para o discernimento do Pe. Kentenich sobre o melhor tipo de terreno para o crescimento:

“As condições externas de crescimento são de todos os tipos e graus de dificuldades, contínuas batalhas interiores e exteriores.” (Joseph Kentenich, 1954-1955, Kentenich Leitor Vol. II, p. 25)

E eu vou acrescentar a frase que se segue a esta citação, que temos vindo a trabalhar nestas cinco semanas:

“Isto é [o que] entendemos quando dizemos que Schoenstatt é um filho da guerra.”

No nosso segundo século, vamos enfrentar muitas batalhas

Ninguém pede para travar batalhas nas suas vidas. Mas são os tempos de luta que nos fazem mais fortes. Nas dificuldades, percebemos que não podemos confiar em nós mesmos sozinhos. Em vez disso, somos chamados a confiar – em primeiro lugar – na firmeza de Deus, na intercessão da Bendita Mãe por nós e na orientação do Espírito Santo. Mas também precisamos de confiar uns nos outros. Cada um de nós é fraco, mas quando estamos juntos como um só, somos fortes e a nossa fé pode até tornar possível o impossível. As orações e os esforços de muitos foi o que trouxe o Pe. Kentenich de volta a casa … duas vezes.

À medida que avançamos para o nosso segundo século de Schoenstatt, podemos ter a certeza de que este movimento, que é um filho da guerra, vai enfrentar muitas batalhas. Mas podemos ter a certeza de que o as palavras do Pe. Kentenich, em 1929, continuarão a ser verdadeiras:

“À sombra deste Santuário, se co-decidirá o destino da Igreja e do mundo para os séculos vindouros.”

Usa-nos segundo a tua vontade

E não devemos ter medo de pedir a cruz e o sofrimento, como fazemos todos os dias na nossa oração da manhã:

“Usa-nos segundo a tua vontade…podes usar-nos para o trabalho, enviar-nos cruz, sofrimento e dificuldades; quer no êxito, quer no fracasso, anunciaremos sempre o teu amor.“(Rumo ao Céu, Consagração da Manhã).

Esta semana, enquanto nós percorremos a Via Sacra com nosso Senhor, talvez possamos refletir com gratidão que Jesus já andou este caminho por nós e através da sua morte e ressurreição, reivindicou a vitória sobre todas as fraquezas, dificuldades e falhas.

Mas, enquanto nos preparamos para as batalhas que virão, não nos esqueçamos de que somos uma família, que as nossas diferenças individuais não são uma fonte de divisão, mas sim, são a oferta de tantas graças que recebemos.

Oferecendo-nos no serviço amoroso a todos aqueles que a Santíssima Mãe chama

Que o amor seja a única justificação para todas as nossas batalhas que somos chamados a enfrentar. Não vamos sucumbir a lutas de poder ou a rivalidades entre nós, mas sim tratar uns aos outros com compaixão e bondade, mesmo quando os nossos pontos de vista são diferentes. Vamos voluntariar-nos para sermos soldados de infantaria nas frentes de batalha contra a desigualdade e a pobreza, como o Papa Francisco nos exortou, oferecendo-nos em serviço amoroso a todos aqueles que a Mãe de Deus chamar. Em tudo o que fazemos, nunca vamos ter medo de defender a verdade e a justiça, mesmo que isso nos custe o nosso bom nome. Acima de tudo, vamos viver a nossa Aliança de Amor em unidade com a Igreja, amar e servir, para que nunca possamos ser acusados do escândalo da exclusão ou da indiferença.WP_20141026_042 PrayerOração: Querido Jesus, esta semana vamos caminhar contigo através das ruas de Jerusalém, batendo as palmas para honrá-lo como nosso Rei, e chorarmos convosco enquanto subis até ao Gólgota. Enquanto percorremos o caminho da cruz, oramos para que possamos encontrar tanto a nossa família como o desconhecido ao longo do caminho. Oramos para que os encontremos a todos com o mesmo amor que Você tinha quando da cruz olhou para baixo, para a sua amada Mãe e a mesma compaixão que Você mostrou ao homem crucificado ao Seu lado. Pedimos também por toda a cruz e pelo sofrimento que precisarmos para nos fazer crescer mais profundamente em Ti e para reconhecermos melhor as necessidades dos nossos irmãos e irmãs que nos rodeiam. Amém.

Traduzido do Inglês por José Carlos Cravo, Lisboa – Portugal

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