Colocado em 18. Abril 2017 In Francisco - Mensagem

Oh Cristo deixado só e traído também pelos Teus…

FRANCISCO EM ROMA •

Ao terminar a Via Sacra de Sexta-feira Santa no Coliseu de Roma, lugar de martírio dos primeiros cristãos, o Papa Francisco dirigiu-se aos presentes e rezou uma longa e sentida oração de desagravo pelas ofensas da Humanidade e da própria Igreja, a Cristo na Cruz.

A seguir, o texto integral da oração:

Oh Cristo, deixado só e traído também pelos Teus. Oh Cristo, julgado pelos pecadores e condenado pelos chefes. Oh Cristo, ferido na Tua carne, coroado de espinhos, vestido de púrpura. Oh Cristo, atrozmente pregado. Oh Cristo, atravessado pela lança que partiu o Teu coração. Oh Cristo, morto e sepultado. Tu que eras o Deus da Vida e da existência. Oh Cristo, nosso único Salvador, voltamos outra vez a Ti este ano com os olhos abaixados pela vergonha e com o coração cheio de esperança.

“Vergonha por todas as imagens de devastação, destruição e naufrágio que se tornaram ordinárias na nossa vida. Vergonha pelo sangue inocente que diariamente é derramado de mulheres, crianças e migrantes, de pessoas perseguidas pela cor de sua pele ou pertença étnica e social e por sua fé no Senhor.

Vergonha pelas muitas vezes que, como Judas e Pedro, O vendemos e traímos e O deixamos só a morrer pelos nossos pecados, fugindo como covardes da nossa responsabilidade.

Vergonha pelo nosso silêncio diante da injustiça, pelas mãos preguiçosas em dar e ávidas em tirar e em conquistar, pelo nossa voz forte em defender os nossos interesses e tímida em falar dos interesses dos demais. Pelos nossos pés velozes no caminho do mal e paralisados no caminho do bem.

Vergonha por todas as vezes que nós bispos, sacerdotes, consagrados e consagradas escandalizamos e ferimos o Seu corpo, a Igreja, e esquecemos o nosso primeiro amor, o primeiro entusiasmo e nossa total disponibilidade, deixando enferrujar o nosso coração e a nossa consagração.”

“Tanta vergonha, Senhor”, prosseguiu o Papa, mas também tanta esperança, confiante de que Jesus “não nos trata pelos nossos méritos, mas unicamente segundo a abundância da Sua misericórdia”.

“A esperança de que a sua cruz transforma nossos corações endurecidos em corações de carne, capaz de sonhar, de perdoar e de amar. Transforma essa noite tenebrosa de Sua cruz em alvorecer da Sua ressurreição.

A esperança de que a Sua fidelidade não se baseia na nossa. A esperança de que a fileira de homens e mulheres fiéis à Sua cruz continua e continuará a viver fiel como o fermento que dá sabor e como a luz que abre novos horizontes no corpo da nossa humanidade ferida.

Esperança de que sua Igreja tentará ser a voz que grita no deserto da humanidade para preparar a estrada do Seu retorno triunfal quando virá julgar os vivos e os mortos. A esperança que o bem vencerá não obstante a sua aparente derrota.”

“Ó Senhor Jesus, filho de Deus, diante do Seu patíbulo nos ajoelhamos envergonhados e esperançosos e pedimos que perdoe os nossos pecados e nossas culpas. Pedimos que se lembre de nossos irmãos que sucumbiram pela violência, pela indiferença e pela guerra. Pedimos que rompa as correntes que nos mantêm presos no nosso egoísmo, na nossa cegueira voluntária e na vaidade dos nossos cálculos mundanos. Ó Cristo, nós Lhe pedimos que nos ensine a jamais nos envergonhar da Sua cruz, a não instrumentalizá-la, mas honrá-la e adorá-la, porque com ela nos manifestou a monstruosidade dos nossos pecados, a grandeza do seu amor, a injustiça dos nossos juízos e a potência da sua misericórdia. Amém.”

 

Coordenação da tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal. Tradução das palavras do Santo Padre: news.va

Meditações da Via Sacra 2017

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