Colocado em 2017-04-23 In Francisco - Mensagem

Feliz Páscoa pedrinhas usadas e deitadas fora

FRANCISCO – PÁSCOA 2017 •

Durante a Missa Pascal de 2017 celebrada na Praça de S. Pedro, o Papa Francisco quebrou a tradição e pronunciou uma Homilia para reflectir sobre os dramas actuais: “Pensemos um pouco, cada um pense, nos problemas diários, nas doenças que vivemos ou que um dos nossos parentes sofre” disse Francisco, para a seguir perguntar: “Que nos diz a Igreja hoje diante de tantas tragédias? Isto, simplesmente. A pedra descartada não resulta deveras descartada. As pedrinhas que acreditam e se apegam àquela pedra, não são descartadas, ganham um sentido” afirmou o Pontífice. Páscoa “não é uma festa com muitas flores, isto é bonito, mas é muito mais”, destacou Francisco. “: é o mistério da pedra descartada que acaba por ser o fundamento da nossa existência. Cristo ressuscitou, eis o que significa. Nesta cultura do descartável na qual o que não serve é usado e deitado fora, o que não serve é descartado, aquela pedra — Jesus — foi descartada e é fonte de vida. Tu, pedrinha, tens um sentido na vida porque és uma pedrinha junto daquela pedra, a pedra que a malvadez do pecado descartou. Nesta terra de dor, de tragédias, com a fé no Cristo Ressuscitado ganhamos um sentido no meio de tanta calamidade”.

Feliz Páscoa, pedrinhas usadas e deitadas fora…na Igreja, em Schoenstatt, no passado e no presente. Feliz Páscoa pedrinhas usadas e deitadas fora pela doença, pela pobreza, por incomodarem, por serem pioneiras, por serem profetas, por pensarem “fora do sistema”, por incomodarem…

Na manhã de Páscoa correu a notícia da morte de Robert W. Taylor. Quem era Taylor? Taylor, engenheiro informático, em 1966 começou a desenhar computadores em rede e desenvolveu arpanet, a mãe do que hoje chamamos internet, Já em 1969 falou de um mundo ligado virtualmente, no qual os seres humanos comunicar-se-iam, entre si, por intermédio dos computadores e iriam procurar informações na “rede”. Nessa altura, houve muitas risadas…acerca deste arquitecto e pioneiro do mundo que, hoje, conhecemos como o mundo da internet. Hoje fala-se de Steve Jobs e de Mark Zuckerberg. Os pioneiros eram “pedras usadas e deitadas fora” como Taylor, como Tim Berners-Lee e Robert Kahn criador da World Wide Web (WWW), Larry Roberts que idealizou o protótipo do que mais tarde seria a Rede, Vinton Cerf e Robert Kahn que puseram em marcha o protocolo de comunicação TCP/IP, a linguagem informática utilizada na internet até hoje…Pedras usadas e deitadas fora, pedras fundamentais. Podem ser acrescentados muitos mais nomes. José Kentenich no seu tempo foi “pedra usada e deitada fora” pela sua própria Igreja… Feliz Páscoa, pedrinhas usadas e deitadas fora.

Texto INTEGRAL da Homilia espontânea do Papa Francisco no Domingo de Páscoa

Hoje a Igreja repete, canta, clama: «Jesus ressuscitou!». Mas como? Pedro, João, as mulheres foram ao Sepulcro e viram-no vazio, Ele já não estava lá. Voltaram com o coração apertado pela tristeza, a tristeza de uma derrota: o Mestre, o seu Mestre, que amavam muito tinha sido executado, morreu. E da morte não se volta. Esta é a derrota, este é o caminho da derrota, a via para o sepulcro. Mas o Anjo disse-lhes: «Não está aqui, ressuscitou».

Foi o primeiro anúncio: «Ressuscitou». E depois a confusão, o coração apertado, as aparições. Mas os discípulos permanecem fechados o dia inteiro no Cenáculo, porque tinham medo que acontecesse a eles o mesmo que aconteceu a Jesus. E a Igreja não cessa de dizer às nossas derrotas, aos nossos corações fechados e temerosos: «Parem, o Senhor ressuscitou». Mas se o Senhor ressuscitou, como existem essas situações? Tantas desgraças, doenças, tráfico de pessoas, guerras, destruições, mutilações, vinganças, ódio? Mas onde está o Senhor?

Ontem telefonei a um jovem que sofre de uma doença grave, um rapaz culto, engenheiro, e falando, para dar um sinal de fé, disse-lhe: «Não há explicações para o que te acontece. Olha para Jesus na Cruz, Deus fez isto com o seu Filho, e não há outra explicação». E ele respondeu-me: «Sim, mas Ele perguntou ao Filho, o qual disse sim. A mim não perguntou se eu queria». Isto comove-nos, não pergunta a nenhum de nós: «Mas estás contente com o que acontece no mundo? Estás disposto a carregar esta cruz?». E a cruz vai em frente, e a fé em Jesus diminui. Hoje a Igreja continua a dizer: «Para, Jesus ressuscitou». Isto não é imaginação, a Ressurreição de Cristo não é uma festa com muitas flores. É bonito, mas não é só isto, é mais: é o mistério da pedra descartada que acaba por ser o fundamento da nossa existência. Cristo ressuscitou, eis o que significa.

Nesta cultura do descartável na qual o que não serve é usado e deitado fora, o que não serve é descartado, aquela pedra — Jesus — foi descartada e é fonte de vida. E também nós, pedrinhas pelo chão, nesta terra de dor, de tragédias, com a fé no Cristo Ressuscitado ganhamos um sentido no meio de tanta calamidade. O sentido de olhar para além, o sentido de dizer: «Olha não há muros mas horizontes, há vida, alegria, a cruz com esta ambivalência. Olha para a frente, não te feches. Tu pedrinha, tens um sentido na vida porque és uma pedrinha junto daquela pedra, a pedra que a malvadez do pecado descartou». Que nos diz a Igreja hoje diante de tantas tragédias? Isto, simplesmente. A pedra descartada não resulta deveras descartada. As pedrinhas que acreditam e se apegam àquela pedra não são descartadas, ganham um sentido e com este sentimento a Igreja repete do fundo do coração: «Cristo ressuscitou».

Pensemos um pouco, cada um pense, nos problemas diários, nas doenças que vivemos ou que um dos nossos parentes sofre; pensemos nas guerras, nas tragédias humanas e, simplesmente, com voz humilde, sem flores, sozinhos, diante de Deus, diante de nós, digamos: «Não sei como vai isto, mas estou certo de que Cristo ressuscitou e aposto nisto». Irmãos e irmãs, era o que desejava dizer-vos. Voltai para casa hoje, repetindo no coração: «Cristo ressuscitou».

Tradução das palavras do Santo Padre: vatican.va – Coordenação da tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

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