Colocado em 2015-11-25 In Francisco - Mensagem

Excessiva centralização complica a Igreja

FRANCISCO EM ROMA, com material de VIS e de Ary Waldir Ramos Díaz, via Aleteia

Uma análise drástica e um apelo a sair ao encontro: Assim o resume o portal de notícias da Igreja Católica da Alemanha. Completamente na linha da inquietação dum Mons. Robert Zollitsch, durante anos. Completamente na linha do que disse à Igreja italiana, há pouco tempo, em Florença. Francisco é sempre Francisco, o Papa duma Igreja em movimento, humilde, pobre e em saída missionária. Ou seja, mariana.

O Papa instou a evitar “uma excessiva centralização” que, “em lugar de ajudar, complica a vida da Igreja e a sua dinâmica missionária”. Em 20 de Novembro passado, num discurso, advertiu, sobre o perigo duma “crescente institucionalização”, os Bispos alemães que, nesses dias se encontravam no Vaticano, para realizarem a sua visita ad limina apostolorum.

Francisco disse que, perante uma “erosão da fé católica na Alemanha”, quando “são inauguradas, cada vez mais, estruturas novas, para as quais, faltam fiéis” nasce “uma espécie de novo pelagianismo que, nos leva a colocar a confiança nas estruturas administrativas, nas organizações perfeitas”.

O pelagianismo era um conceito religioso que defendia que, a graça não tinha qualquer papel na salvação, apenas importava praticar o bem seguindo o exemplo de Jesus. Foi rebatida por Santo Agostinho.

“Nota-se, particularmente, nas regiões de tradição católica uma diminuição muito forte da participação na Missa dominical, para além de, na vida sacramental”, lê-se no discurso que o Papa entregou aos Bispos alemães.

“Nos anos sessenta, em todo o lado, praticamente, quase todos os fiéis participavam, todos os Domingos, na Santa Missa; hoje, frequentemente, são menos de 10%. Aos Sacramentos vão, cada vez menos, pessoas”, constatou.

“O Sacramento da Penitência – continuou – quase que desapareceu. Um número cada vez menor de católicos recebe a Confirmação ou contrai matrimónio católico. O número das vocações para o Ministério Sacerdotal e para a Vida Consagrada diminuiu nitidamente”, escreveu.

“Considerando estes factos, pode falar-se, verdadeiramente, duma erosão da fé católica na Alemanha. O que podemos fazer? Questionou, Francisco, os Bispos alemães chefiados pelo Cardeal Reinhard Marx, Arcebispo de Munique, na Baviera.

No contexto do início do Ano da Misericórdia (8 de Dezembro), Francisco instou os Bispos a fazerem “redescobrir o Sacramento da Penitência e da Reconciliação”, para além do íntimo nexo entre Eucaristia e Sacerdócio.

Regressar à origem

Deste modo, considerou urgente, deixarem-se inspirar pela vida dos primeiros cristãos, “superar a resignação que paralisa” e, abandonar a ideia de que é possível “reconstruir das ruínas os “bons tempos” o que existiu ontem”.

Numa visão esperançosa, Francisco lembrou os colaboradores de S. Paulo, Priscila e Áquila: Contudo, “podemos inspirar-nos na vida dos primeiros cristãos”, como os cônjuges Priscila e Áquila, fiéis colaboradores de S. Paulo que foram testemunhas, “com palavras convincentes mas, sobretudo, com a sua vida, que a verdade, baseada no amor de Cristo pela Sua Igreja, é, verdadeiramente, digna de fé e, abriram a sua casa para a proclamação do Evangelho”. “O exemplo desses “voluntários” – observa – pode fazer-nos reflectir, dada a tendência para uma institucionalização crescente. Estão-se, sempre, a inaugurar estruturas novas para as quais, depois, faltam fiéis. É uma espécie de novo pelagianismo que, nos leva a depositar a confiança nas estruturas administrativas, nas organizações perfeitas”. “Uma excessiva centralização em lugar de ajudar, complica a vida da Igreja e a sua dinâmica missionária. A Igreja não é um sistema fechado que gira, sempre, em torno das mesmas perguntas. A Igreja está viva, apresenta-se aos Homens na sua realidade, sabe inquietar, sabe animar”.

Por isso, atenção à fé nas estruturas: “São inauguradas, cada vez mais, estruturas novas, para as quais, faltam fiéis. Trata-se duma espécie de novo pelagianismo que, nos leva a voltar a colocar a confiança nas estruturas administrativas, nas organizações perfeitas”, acrescentou.

A Igreja está viva, não está em estruturas fechadas

Por conseguinte, trata-se duma excessiva centralização que complica a vida da Igreja e o Seu brio missionário.

A Igreja “não tem um rosto rígido, tem um corpo que se move, cresce e com sentimentos: é o corpo de Jesus Cristo”.

“O imperativo actual – acrescenta – é a conversão pastoral, isto é, conseguir que todas as estruturas da Igreja se façam mais missionárias, que a Pastoral ordinária, em todas as suas instâncias, seja mais expansiva e aberta que, ponha os agentes da Pastoral numa, constante, atitude de saída”…Temos que estar no meio das pessoas, com o ardor dos que, aceitaram, pela primeira vez, o Evangelho”. E, “de cada vez que tratamos de regressar à fonte e recuperar a frescura original do Evangelho, abrem-se novos caminhos, métodos criativos…palavras cheias de renovada importância para o mundo de hoje”.

A Igreja alemã e a sua ajuda aos pobres

Por outro lado, o Papa agradeceu aos Bispos alemães “o grande apoio que a Igreja na Alemanha, por intermédio de, muitas Obras de Caridade, oferece aos Homens em todo o mundo”.

Igualmente, pôs em evidência, a ajuda da Igreja teutónica a “ centenas de milhares de refugiados” que vieram para a Europa ou, se “puseram a caminho procurando um refúgio da guerra e da perseguição”.

As Igrejas cristãs e muitos cidadãos do vosso país prestam uma ajuda enorme no acolhimento a estas pessoas, dando-lhes assistência e proximidade humana”, elogiou.

Ao mesmo tempo, frisou a ajuda “a todas as iniciativas humanitárias para que as condições de vida nos países de origem se tornem mais suportáveis”.

Por último, o Pontífice reiterou o compromisso pela vida, na Igreja: “A Igreja não deve cansar-Se nunca de ser a advogada da vida e, não deve retroceder no anúncio de que a vida humana deve ser protegida, incondicionalmente, desde a concepção até à morte natural. Nisto, não podemos, nunca, chegar a compromissos, mas sim, convertermo-nos nós, também, em culpados da cultura do “deitar fora”, por desgraça, muito expandida”.

Original: alemão. Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

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