Colocado em 28. Novembro 2014 In Francisco - Mensagem

Papa Francisco: os grandes núcleos urbanos precisam sentir a proximidade e a misericórdia de Deus

FRANCISCO – PASTORAL DAS GRANDES CIDADES, Mirima Diez Bosch/mda. O Papa se preocupa com a evangelização nas grandes cidades, não apenas como tema pastoral, mas também pessoalmente: é o primeiro Papa, em tempos modernos, que provém de uma grande cidade. As grandes metrópoles do mundo não podem continuar sendo as mesmas. A Igreja precisa de uma presença “renovada”, incisiva e profundamente “misericordiosa”, se quiser cumprir sua missão. Barcelona, nestes dias, tem sido o epicentro dessas reflexões a respeito da pastoral das megalópoles, lugares nos quais é urgente que o Evangelho ressoe de forma mais criativa. O Papa Francisco, em uma carta aos 22 cardeais participantes em Barcelona do encerramento do Congresso da Pastoral das Grandes Cidades, enfatizou alguns pontos centrais para entender a pastoral urbana.

A carta foi lida terça-feira, na Basílica da Sagrada Família, o templo emblemático, original e imaginativo idealizado pelo arquiteto em vias de beatificação, Antoni Gaudí.

  1. Banir a sociedade frenética. O Papa se fez presente por meio de uma carta, na qual disse que Deus “sempre sabe deixar-se encontrar, toma a iniciativa para oferecer o sentido da vida verdadeira àqueles que estão sós, desorientados ou sofrendo pelas feridas provocadas constantemente por uma sociedade frenética e sem solidariedade”.

  2. Potencializar uma Igreja samaritana e periférica: “A Igreja não considera uma perda sair às periferias, ou mudar os esquemas costumeiros”, escreve o Papa na carta ao Cardeal de Barcelona, escrita para essa ocasião. Em sua homilia, o cardeal disse que “queremos sair às periferias geográficas e existenciais, e desejamos que a Igreja seja uma Igreja samaritana em meio às nossas cidades do mundo todo”.

  3. Impulsionar a criatividade evangélica. Na carta, o Papa também disse: “Encorajo a todos a seguirem refletindo, de maneira criativa, a respeito de como enfrentar a tarefa evangelizadora nos grandes núcleos urbanos, cada vez em maior expansão, e naqueles onde todos precisam da proximidade e da misericórdia de Deus, que nunca os abandona”.

  4. Ser companhia na solidão. O Papa Francisco incentiva a Igreja a atuar como uma mãe para seus filhos, solícita para que a todos “não lhes falte a acolhida para se sentirem integrados na comunidade, seja em circunstâncias de desagregação, seja de frio anonimato; que cresça neles o espírito de autêntica solidariedade com todos, especialmente com os mais necessitados”.

O ato na Sagrada Família era o encerramento do Congresso Internacional da Pastoral das Grandes Cidades, que teve várias etapas, sempre em Barcelona, de maio a novembro, e que contou com a presença, em Barcelona, de 22 cardeais representando quase 200 milhões de cidadãos do planeta (109.759.000).

Antes do ato na Sagrada Família, houve uma inebriante liturgia da palavra acompanhada de música e testemunhos, houve sessões de trabalho. Nelas, Carlos M. Galli, teólogo e autor de “Deus vive na cidade”, seguindo a pastoral marcada pelo Papa Francisco, aconselhou a Igreja para que “seja uma casa que promova o pluralismo da cidadania sem discriminações”.

Mensagem do Papa Francisco ao Arcebispo de Barcelona, Cardeal Lluis Martinez Sistach


Querido irmão,

Eu o saúdo com afeto nesses momentos em que são dados os últimos passos do Congresso Internacional da Pastoral das Grandes Cidades, realizado em Barcelona. E saúdo também os organizadores e participantes em suas diferentes fases. Alegro-me pelos esforços realizados, e encorajo a todos a seguirem refletindo, de maneira criativa, a respeito do modo de enfrentar a tarefa evangelizadora nos grandes núcleos urbanos, cada vez em maior expansão, e naqueles onde todos precisam sentir a proximidade e a misericórdia de Deus, que nunca os abandona. Ele sempre sabe deixar-se encontrar, toma a iniciativa para oferecer o sentido da vida verdadeira àqueles que estão sós, desorientados ou sofrendo pelas feridas provocadas constantemente por uma sociedade frenética e sem solidariedade.

A Igreja tem a missão de fazer chegar a Boa Nova de Jesus Cristo e seu amor salvador aos diferentes ambientes, sem temer o pluralismo e sem cair em nenhuma discriminação. Não considera uma perda sair às periferias, ou mudar os esquemas costumeiros, se for preciso. Como a uma mãe, o que lhe interessa é o bem de seus filhos, sem poupar esforços e sacrifícios: que não lhes falte a luz do Evangelho para levar uma vida fecunda de esperança, de alegria e de paz; que não lhes falte acolhida para se sentirem integrados em uma comunidade, seja em circunstâncias de desagregação, seja de frio anonimato; que cresça neles o espírito de autêntica solidariedade com todos, especialmente com os mais necessitados.

Peço ao Senhor que os trabalhos desse Congresso iluminem a ação pastoral no momento atual, e abençoo de coração os congressistas e todos que participam no solene ato que, nesse momento, acontece no emblemático templo da Sagrada Família, em Barcelona.

Peço-lhe que reze e anime todos a rezarem por mim e pelos frutos de meu serviço à Igreja.

Que Jesus o abençoe e a Virgem Santa o proteja.

Fraternalmente,

Francisco.

Fonte: www.aleteia.org/ Radio Vatican


Original em espanhol – Tradução: Maria Rita Fanelli Vianna – São Paulo / Brasil