Colocado em 28. Fevereiro 2020 In leigos e família

O nosso casamento é tão valioso por tudo o que já vivemos…

Entrevista a María Otilia Almada e Héctor Fleitas, Coordenadores de Casais Guia, Paraguai •

O discurso do Papa Francisco no dia 25 de Janeiro à Rota Romana continua a “mover” muitos schoenstatteanos e muitos outros. Este casal apóstolo quase esquecido, Áquila e Priscilla, continua a mobilizar este casal em movimento. Discute-se na equipa de schoenstatt.org, em grupos de famílias paroquiais na Alemanha, em cursos da União de Famílias na Alemanha… e também no Paraguai, um país com um grande compromisso eclesial e laical do Movimento de Schoenstatt, move um casal que há muito tempo serve a Igreja na Pastoral Familiar.—

Agradecemos a José Argüello, de Assunção, Paraguai, membro da equipa de schoenstatteanos.org, por ter entrevistado os Fleitas-Almada, da Obra Familiar de Schoenstatt, sobre suas experiências com os leigos, com casais na Pastoral de Noivos e no acompanhamento de casais.

Mais uma vez o Papa Francisco (no seu discurso à Rota Romana) sublinha a importância do “trabalho pastoral do catecumenado pré e pós-matrimonial”. Além disso, ele exige que os casais se encarreguem deste trabalho pastoral. Qual é a vossa experiência nesta matéria? A responsabilidade dos casais pelo cuidado pastoral dos noivos é algo habitual no vosso ambiente, ou mesmo algo único ou exótico?

Somos os Coordenadores  dos Casais Guia da Arquidiocese de Assunção, somos o casal Fleitas – Almada, estamos casados há 36 anos, temos 4 filhos, 5 netos.

Casal Guia é um serviço prestado pela Arquidiocese de Assunção através de agentes treinados e autorizados. É constituída por casais, casados há mais de cinco anos, de diferentes grupos e Movimentos, e o nosso serviço é dirigido aos noivos em fase pré-matrimonial.

É um serviço personalizado, não um serviço em grupo, e tem lugar na casa do Casal Guia ou num espaço apropriado na capela ou Paróquia. Corpo a corpo, como solicitado pelo Papa Francisco.

O serviço consiste em sete reuniões e, seis libretos são desenvolvidos para ELE e para ELA, que são concluídos nas suas casas de forma independente e separada, que depois trocam entre eles e dialogam.

Ser um Casal Guia, é ser a luz de Cristo para iluminar o caminho para este casal que vai começar a trilhar um caminho juntos. Não é ser o casal perfeito, somos casais em crescimento, apesar dos anos de casamento que temos.

Quais são as reacções dos noivos ou dos jovens casais a estar com um casal ou casais na Pastoral pré-matrimonial?

Para nós, os noivos são um presente do Senhor com quem partilharmos o nosso testemunho de vida, o bom e o não tão bom. Apesar de tudo, com Deus e a decisão de cada um de amar, nós conseguimo-lo. Várias vezes foi o nosso Sacramento que nos sustentou e nos conteve quando surgiram as crises. O compromisso do Casal Guia é tão grande que cria uma intimidade familiar com os noivos.

Como vivemos na época do descarte, e os jovens vivem isso no seu dia-a-dia, falamos-lhes de que o Sacramento do Matrimónio é para toda a vida, que já não somos 2, mas 3, porque o Senhor já faz parte do nosso casamento; que no dia do casamento, no altar, selamos uma aliança com Deus e o nosso Sacramento é d’Ele. Partilhamos com eles tantos testemunhos que só então compreendem a dimensão sacramental com a qual se comprometem.

Normalmente, um vínculo muito bonito permanece entre a noiva e o noivo e o seu Casal Guia.

Na sua alocução à Rota Romana, o Santo Padre, a partir do exemplo do casamento de Priscilla e Áquila, diz que “os casais, que o Espírito certamente continua a encorajar, devem estar prontos “a sair de si mesmos e a abrir-se aos outros, a viver a proximidade, o estilo de viver juntos, que transforma cada relação inter-pessoal numa experiência de fraternidade”. Como  é vivida essa atitude no trabalho apostólico que vocês fazem como casais?

Nos encontros com os casais que serão formados para serem Casais Guia, comentamos que somos como uma jóia, que o nosso casamento é tão valioso por tudo aquilo que já vivemos pela graça de Deus, e que temos a obrigação de partilhar com aqueles que querem chegar ao sacramento.

É como o texto do evangelho da lâmpada (Lucas 8:16-17), não podemos guardá-lo debaixo da mesa, temos a obrigação de colocá-lo à disposição da nossa Igreja, para acompanhar, guiar e servir pelo exemplo. Trabalhem juntos e sejam fiéis à igreja, como Aquila e Priscilla foram.

“A Igreja é enviada a levar o Evangelho para as ruas e para alcançar as periferias humanas e existenciais. Faz-nos lembrar o casamento de Aquila e Priscilla”, diz Francisco aos Bispos e pastores. Pela vossa experiência, porque é que os casais podem levar o Evangelho para as ruas melhor do que os outros e como o fazem? Porque é que chegam melhor às periferias humanas?

Através da Pastoral Familiar que está nas Paróquias, procuramos chegar aos casais com os nossos serviços. Também realizamos cursos de formação LECI (Os espaços e a comunicação inter-pessoal em família e em grupo) e de Cursos de Ajuda à Relação para formar casais para ajudarem os seus párocos nas Paróquias.

Casais em movimento “é o que nossas paróquias precisariam, especialmente em áreas urbanas, onde o pároco e os seus colaboradores clericais nunca terão tempo ou força para chegar aos fiéis que, embora se declarem cristãos, não frequentam os sacramentos e estão privados, ou quase privados, do conhecimento de Cristo”, diz Francisco. Quais são as experiências que vocês têm nesta área?

Nós tivemos a graça e a bênção de viajar para o interior para levarmos os nossos serviços de Casal Guia, de Relação de Ajuda e para proferirmos palestras de diálogo e comunicação nas Paróquias e no interior do país. Estas são outras realidades totalmente diferentes daquelas que experimentamos no nosso Movimento de Schoenstatt, por exemplo, mas o gratificante é que no final da actividade,  percebe-se que há uma mudança neles, semeou-se uma semente. É muito pouco, mas alguma coisa é alguma coisa. Portanto, para nós é muito importante que, em cada lugar, os casais sejam formados e comprometidos e que juntos trabalhem para outros casais.

Que outro aspecto do discurso vos faz pensar no vosso trabalho, em modo de confirmação ou exigência?

A procura é grande, os trabalhadores são muito poucos, isso é uma realidade. Eu e o meu marido depois de cada actividade, dizemos que, se um dia tivermos a graça e a bênção de estar na presença do Senhor, podemos dizer-lhe: “Eu sou o Teu Evangelho, Senhor, eu sou a Tua palavra viva”, missão cumprida.

 

 

Original: espanhol (23/2/2020). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

 

 

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