Colocado em 2016-07-08 In Juntos pela Europa

A vida e o dinâmico são mais importantes …

JUNTOS PELA EUROPA. Impressões do 1 de Julho de 2016, pela manhã •

“Isto é incrível, isto é, simplesmente, fantástico!”, Manuela Miller não se demorou muito na saudação introdutória. Ela e o marido, Peter, falaram num dos 19 fóruns do primeiro dia do Congresso “Juntos pela Europa”, mas não se estava a referir a isto, mas à sensação de abertura ao outro e à unidade que experimentou nesse primeiro dia, com os numerosos encontros com novos e velhos amigos, tanto do seu Movimento, como de outros; à qualidade dos debates apesar da quantidade de línguas ser muitas vezes um grande desafio.

“Do you speak german?” Pergunta uma senhora do Movimento de Vineyard de Munique ao seu vizinho de assento, que, rapidamente, responde em alemão: “Sim, claro, desde que nasci!” E, em seguida continua uma amena cavaqueira até que, a música anuncia o ponto seguinte do programa.

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“O que mais me impressionou ontem foram os fóruns”, comenta uma senhora do Movimento dos Foccolares. “Era perceptível a enorme convicção da Europa precisar de nós, como Europa não é possível sem o nosso compromisso como cristãos na economia, sem o nosso pequeno-almoço para os pobres…” O sabor do pão partilhado não tem comparação, lembrou a Irmã Drª Nicole Grochowina, citando uma frase dos slogans para resumir os fóruns de sexta-feira. Formulou-o em três imperativos: Sentemo-nos à mesa com todos, com aqueles com os quais Jesus também se sentou, como amigos! Olhemos para as nossas próprias feridas e saiamos da retórica da luta: em vez disso, transmitamos consolo e cura! E, por último – acompanhado por aplausos – Sejamos missionários da esperança no meio do mundo! Era perceptível como a mensagem chegou aos mais de mil participantes.

Onde está a Europa neste momento?

O Prof. Dr. Marco Impagliazzo, presidente da Comunidade de Santo Egídio, lembrou os momentos mais relevantes da história dos inícios da Europa, com a sua enorme diversidade de religiões, línguas, tendências e culturas e da razão, precisamente por isso, porque Cristo pode ser o modelo adequado para um mundo globalizado. Mas a Europa dos pais – aqueles grandes europeus que queriam conseguir uma Europa em paz – não é, automaticamente a Europa dos filhos. É essa Europa que se quer conquistar: “o cristianismo tem uma mensagem poderosa para a Europa”.

Frequentemente, se pôde observar na assistência, pessoas assentindo com a cabeça, também quando, Gérard Testard (da Efésia em Paris) convidou a levar a fé ao âmbito público e, não a reservá-la, apenas, para o nicho da privacidade.

“Esse é o desafio”, murmurou alguém como resposta às declarações do Prof. Dr. Michael Hochschild que, confia e exige aos Movimentos eclesiais que, dêem uma resposta à crise europeia; visto que, a profunda crise do sistema da modernidade não precisa de outra simples adaptação, mas, pede o nascimento de um novo mundo e, portanto, de uma nova forma de pensar e de agir. Os novos Movimentos eclesiais têm uma visão do futuro e a vontade de a concretizar. A indeterminação e a falta de visão da sociedade são a verdadeira prova de fogo para os Movimentos que, não devem, apenas, ser espirituais, mas também, sociais, Movimentos que sejam formadores da sociedade e, não como um fim em si mesmos. A vida e o dinâmico são para o Homem actual e para o mundo que ele constrói, mais importantes que o burocrático e o estático, afirma Hochschild. Como um leve suspiro, ouve-se vindo de uma das filas de trás: “Então há que mudar muita coisa”, e alguém sussurrou, também: a vida e o dinâmico, sim, exactamente!

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Herbert Lauenroth

O ecumenismo do testemunho

“As diferenças doutrinais não são importantes se se realiza algo concreto, juntos, visto que, as pessoas a quem acolhemos e damos alguma coisa para comer, não perguntam se somos católicos ou protestantes” disse com convicção, um senhor idoso que chegou na manhã de 1 de Julho ao Circus Krone-Bau, em Munique (local onde foi levado a cabo o Congresso). E, conversa-se com tantas pessoas, espontaneamente, como se fossem conhecidos desde sempre. Nestes dias, o Papa Francisco falou, uma vez mais, acerca do ecumenismo do sangue que, já é uma realidade, pois quando os cristãos são perseguidos e assassinados, ninguém lhes pergunta acerca da sua denominação. O ecumenismo do testemunho, das acções em comum, torna-se palpável em Munique.

“Desta vez não estou como coordenador, mas simplesmente, como participante” disse Erich Berger de Viena. “Mas não podemos deixar passar esta oportunidade, este ambiente não tem preço!”

“Um forte apelo espiritual incita-nos a superar o medo que faz que a Europa se veja como uma fortaleza e nos anima, como ao trapezista, a saltar e a confiar em ser recebidos pelos braços de Deus”, exorta Herbert Lauenroth do Movimento dos Foccolares, aos participantes e, simultaneamente, os envia para as periferias, para os pobres, porque eles possuem uma mensagem que, tem que vir das periferias para o centro.

Fé, esperança e amor: as palavras de Maria Voce, presidente do Movimento dos Foccolares, Thomas Römer do YMCA de Munique e Steffen Kern da Associação de Comunidades Evangélicas de Württemberg mostram a missão Juntos pela Europa hoje. Essa Europa cujos sonhos e visões parecem atravessar a noite (Maria Voce), não deve estar condenada a ser um continente velho e cansado, visto que, “estamos aqui porque acreditamos em algo que não se desvanece”. Os apóstolos vieram ajudar a Europa com o Evangelho (Thomas Römer) e o Evangelho marcou a Europa com os seus valores. E, continua a marcá-la, quer seja na “Casa Esperança”, na zona vermelha de Stuttgart ou “no meio dos bairros-de-lata da Europa”.

Quando se conversa durante o almoço acerca do que se ouviu numa apresentação, é porque alguma coisa nos tocou profundamente. Ao meio-dia falaram disto.

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Original: alemão. Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

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