San José padre en la sombra

Colocado em 2021-01-28 In Ano de S. José

São José, pai na sombra

HOMENS SÃO JOSÉ | Miguel Ángel Rubio, Espanha •

The Joseph Challenge 2021 by Schoenstatt.org, only for men (O Desafio José 2021 de Schoenstatt.org, somente para homens): Homens de diferentes opções vocacionais na aliança de amor, de diferentes países e gerações, se deixam desafiar pela carta do Papa Francisco Patris Corde sobre José, “esta figura extraordinária, tão próxima de nossa condição humana” e compartilham o que mais os influencia e motiva na figura de São José e na carta do Santo Padre a seu respeito. Miguel Àngel Rubio, da Espanha, sente um forte vínculo com São José, pai na sombra. —

Um pai que tem consciência de que completa sua ação educativa e de que vive plenamente sua paternidade somente quando se torna “inútil”, quando vê que o filho se tornou autônomo e caminha sozinho pelos caminhos da vida, quando se coloca na situação de José, que sempre soube que o Menino não era seu, que simplesmente tinha sido confiado aos seus cuidados.

Sempre considerei São José como um santo em consequência das circunstâncias, ou seja, sempre pensei que a Igreja o fez santo porque a Mãe de Deus não poderia estar casada com alguém de menor categoria e dignidade. Quando se trata da Sagrada Família, não poderia haver ninguém que não fosse santo. Porque o verdadeiro pai de Jesus é Deus, já que Maria “concebeu por obra e graça do Espírito Santo”. Então, qual era o papel de São José? Estava ali para que tudo fosse “politicamente correto”? Deus nos deu Seu Filho na Terra, mas Deus Pai não desceu com Ele. Deus confiou o componente paterno a São José, que o encarnou e o aceitou livremente. Nas Escrituras ele pouco é citado: calado, na sombra, sem nenhum protagonismo… mas ele está lá; não foi ignorado nem dispensado.

Os planos de Deus não são os nossos

Até me casar, essa era a imagem que eu tinha de São José: alguém a quem a santidade chegou sem ter que buscá-la e sem mérito próprio. Foi só a partir daí que nos tornamos muito amigos. Tudo isso pode ser explicado por minha história pessoal.

Até os 40 anos eu vivia no “deserto”. Um deserto muito confortável, o do “solteiro de ouro” como meus amigos me chamavam: um bom emprego com um bom salário, uma casa só para mim, sem compromissos ou encargos familiares, podia ir e vir livremente sem ter que prestar contas a ninguém… a situação ideal. Era assim que vivia há mais de 10 anos em Barcelona, quando deixei minha cidade natal, Madri.

Até que Deus decidiu colocar a Paz no meu caminho e decidimos nos casar. Não foi uma decisão fácil, mas foi rápida: casamos em apenas 6 meses. Foi o espanto e a incredulidade de muitos (quando não a rejeição) porque: Como você se casa nesta etapa da vida? E com uma mulher que já tem 40 anos, que é viúva e tem duas filhas de 17 e 20 anos que ainda vivem com ela?  Isto pode ser um inferno. E você vivendo em Barcelona e ela em Madri com mais de 600 km de distância entre vocês, sem garantia de poderem viver juntos? Vai desistir da vida fácil e confortável que você tem e que é a inveja de muitos? Esse casamento está condenado ao fracasso desde o primeiro minuto. Você está fora de si.

As dúvidas poderiam parecer terríveis para qualquer um e qualquer argumento seria válido para voltar atrás. Entretanto, se você tem seu ouvido no coração de Deus, tudo é diferente e você enfrenta o desafio com serenidade e, acima de tudo, com alegria. Assim, apesar de todos os obstáculos, decidi me casar: “sem anestesia” e com a plena certeza de que estava seguindo o plano que Deus tinha preparado para nós.

Nihil obstat

Apesar da certeza de que Deus está com você, nem tudo está isento de dificuldades. A primeira dificuldade que tive que superar para me casar foi obter o consentimento correspondente. Em situações normais a proposta é uma mera formalidade do noivo perante os pais da noiva em um evento social.  Mas, no meu caso, foi totalmente diferente. Primeiro de tudo, porque a proposta não foi feita na frente dos meus sogros (que não tinham direito de veto), mas na frente das filhas da Paz. Isto porque estava tentando fazer parte de uma família já consolidada e poderia comprometer o equilíbrio já existente. Embora ambos nos amássemos e estivéssemos determinados a nos casar, pedi a Paz para perguntar às suas filhas como elas viam nosso projeto matrimonial. Se elas não dessem o “nihil obstat”, não iria adiante e nossa relação estaria terminada. Felizmente, houve “fumaça branca” e as meninas me definiram para sua mãe como “um homem normal que trabalha”. Isto nos surpreendeu e nos tranquilizou.

São José, o pai que nunca foi 

Durante o primeiro ano de casados vivemos separados: Paz em Madri e eu em Barcelona. Finalmente consegui a transferência para Madri e – por fim – pudemos viver juntos. Aí então começou a vida de família “de verdade”, todos no mesmo barco: Paz e eu, agora com as meninas. Um desafio e tanto. Nesta situação, era essencial estar atento ao lugar que você ocupa no “campo de jogo”. Sou o marido da Paz, mas não o pai de suas filhas. Pretender sê-lo seria usurpar a personalidade de outra pessoa e exercer um direito que não me correspondia. Também não se tratava de ser o substituto de ninguém. Meu papel era estar inabalável ao lado da minha esposa, para que as meninas percebessem que nós dois formávamos uma equipe, única e indissolúvel.  Toda a adolescência das meninas foi enfrentada pela Paz na “linha de frente”. Meu trabalho era observar e apoiar minha esposa em suas opiniões, conselhos e decisões para elas. Tenho que admitir que não foi fácil e que nem sempre consegui.

Durante todo esse tempo devo dizer que foi São José quem serviu como ponto de referência para mim e recorri a ele em inúmeras ocasiões. Sua atitude na vida foi uma ajuda inestimável e tenho que reconhecer que foi ele o meu guia para enfrentar esta etapa de minha vida.

“Eu te abençoarei com uma descendência numerosa, como as estrelas do céu e as areias do mar”

As meninas se casaram e seus casamentos logo deram frutos. Comecei a ser avô aos 46 anos de idade e seguiu sendo assim todos os anos pares até ter 7 netos. O título de avô foi-me dado pelas meninas desde o primeiro momento e elas deram a conhecer aos seus filhos. Eu não era apenas o marido da mãe delas, mas também o avô dos filhos delas. E eles assumiram isso muito naturalmente, sentindo-se muito orgulhosos disso, porque se vangloriam para o mundo inteiro de terem 5 avós (4 biológicos e um “de fato”). Este é o paradoxo (ou milagre) de ser avô sem ter sido pai.

Assim encontrei graça diante de Deu, que me deu, como a Abraão, uma descendência numerosa como as estrelas do céu e as areias do mar. Ou pelo menos é assim que eu vejo as coisas.

Epílogo

Este testemunho não pretende, de forma alguma, ser um exemplo a ser seguido por ninguém. A minha vida foi completamente anárquica, fazendo tudo na hora errada, assumindo riscos de consequências incalculáveis e tudo isso formando um coquetel para alcançar o fracasso mais retumbante. Mas quero manifestar o amor magnânimo e misericordioso que Deus tem tido por mim, glorificando-se em circunstâncias como as que eu vivi e fui recompensado em cem por um.

sombra

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Original: Espanhol (25/1/2021). Tradução: Luciana Rosas, Curitiba, Brasil

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